IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico

Lidar com o envelhecimento do século XXI – considerações inspiradas pela participação no XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia

Deixe um comentário

Por Maria Celia de Abreu

 Para quem se informa sobre o fenômeno do crescente envelhecimento populacional, já é notório que lidar com a explosão da longevidade, a diminuição dos nascimentos e a consequente inversão da pirâmide demográfica no Brasil é o grande desafio do século XXI.

A via mais lembrada para sanar a problemática que surge com essa mudança demográfica é a via política e legal.

Leis até agora vigentes nem sempre atendem às novas necessidades desta sociedade que envelheceu. Precisam ser revistas, adaptadas a nova realidade, ou então criadas. Embora haja leis que favorecem o idoso e que já foram aprovadas, nem sempre elas são conhecidas e, portanto, é como se não existissem, e uma frente de conquistas é lutar para que elas se façam valer.

Ainda há um terreno enorme a ser explorado, por políticos e por legisladores, em prol da causa do idoso e de uma sociedade justa. Terreno vasto e complicado, pois esbarra em questões práticas, como o equilíbrio financeiro do país, mas imbricado com complicadas decisões baseadas  na bioética.

Porém, há outro terreno, cuja exploração, a meu ver, é imprescindível para que se estabeleçam mudanças, mas que é muito pouco mencionado. Antes de me envolver com o estudo da Psicologia do Envelhecimento, minha primeira área de interesse acadêmico foi a Psicologia da Educação. Talvez por conta dessa minha formação –talvez devesse dizer paixão – acredito que o novo velho do século XXI precisa se educar para viver mais e com qualidade de vida, e para aproveitar as enormes modificações introduzidas pelo progresso da tecnologia.

Acredito também que o profissional que interage com este novo velho precisa se educar para desempenhar adequadamente suas funções, uma necessidade presente sempre, mas muito evidente para os profissionais da área da saúde.  Por um lado, deve conhecer e compreender o interlocutor, com suas características e diversidades, para poder atende-lo, e até aí não há nada de novo. Por outro lado, o profissional precisa se conhecer e ser capaz de identificar em si mesmo preconceitos e rejeições que eventualmente tenha em relação ao velho, e que serão obstáculo à boa qualidade de seu trabalho.

Considerei da maior importância expositores que levantaram essa questão.  Apareceu, por exemplo, em debates sobre como lidar com a sexualidade na velhice, sobre declaração antecipada de vontade(ou seja, para abordar esse assunto com um cliente idoso, o profissional precisa estar despido de preconceitos e de medos), e foi  tema de um painel chamado Educação para o Envelhecimento.

Parabéns aos expositores que destacaram esses pontos, e parabéns aos organizadores do XXI Congresso da SBGG, que deram abertura para eles!

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga, coordenadora do Ideac e autora do livro “Velhice, uma nova paisagem”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s