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O novo velho pai

pai

Por Ana Fraiman

O velho pai ficou mais novo! Aprendeu a lamber suas crias, a estar presente nas mínimas ocasiões, a sentir que ele não só é útil a sua família, esposa, filhos e a seus próprios pais, mas aprendeu a sentir-se necessário, não porque faça e aconteça, mas porque é querido. Simples assim. O novo velho pai amadureceu e desabrochou, recuperou muito da sua espontaneidade junto aos filhos e netos, com quem conversa de igual para igual. Conserva seus amigos e com eles ainda fala bobagens, tal como se nunca houvessem deixado de ser rapazes! O novo velho pai tornou-se mais amante, ardoroso e cuidadoso para com as velhas companheiras. E se já não as têm ou deram início a novos relacionamentos e famílias, o velho pai, do alto de sua sabedoria marcada pelos vincos nas faces e iluminada pelos seus cabelos brancos – ou falta de cabelos! – canta, escreve e dança e conserva com alegria a sua face de criança, descobrindo a capacidade de amar, amar muito, amar sempre e desmedidamente. O novo velho pai não descuida de seus filhos, ainda que eles também já não mais sejam tão moços, porém não fica repetindo que para os pais os filhos são sempre crianças. Ele reconhece e valida que eles se tornaram homens e mulheres maduros e autônomos, sem necessitar se sobrepor a eles, como se mais soubesse e pudesse..  O novo velho pai já aprendeu, assim, a não desejar controlar, mas a acolher e respeitar as novas gerações tão diferentes daquele mundo em que nasceu e daquilo que um dia viveu. Confessa-se ultrapassado, se assim for, mas não vencido. Dá risada de seus novos limites e enxerga longe. Tornou-se um farol a inspirar e iluminar aqueles com quem convive.

Um feliz dia dos Pais de todas as idades.

Ana Fraiman

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