IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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Uma boneca ou uma bicicleta recebida em um Natal distante podem ser lembradas com carinho muitos anos depois. São memórias de infância tão carregadas de afetos que permanecem mais vivas do que as memórias do último Natal. Essa foi uma das conclusões da Enquete sobre Presentes de Natal marcantes realizada pelo Ideac com 146 pessoas, sendo 17 homens, entre 60 e 83 anos e 129 mulheres, entre 60 e 89 anos.

A psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac, autora do livro “Velhice, uma nova paisagem”, e idealizadora da enquete, fala sobre o objetivo da pesquisa: “O propósito inicial da enquete era aumentar o conhecimento sobre pessoas com mais de 60 anos.

Quando se recebe um presente, há embutido nele um valor material, mas há também um valor simbólico. Um presente é a expressão de um sentimento, bem como do conceito que o presenteador faz a respeito do presenteado. Um presente pode ser caro, mas ser afetivamente indiferente para o presentado, ou até mesmo ofensivo.”.

Um presente, pode também representar indiferença, cumprimento formal de uma obrigação, desconhecimento do presenteado, ou então a expressão de um afeto atencioso, derivado de uma atenção personalizada, admiração ou gratidão.

Entre as descobertas, algumas novidades e outras não tanto:  mulheres respondem mais às perguntas do que homens; velhos compõem um grupo com características bastante heterogêneas, o que foi comprovado pela dispersão dos conteúdos das respostas;

 o presente que mais agrada velhos próximo dos 60 anos pode ser bastante diferente do que agrada velhos próximo dos 80 – ou seja, há nuances depois dos 60 anos; o uso da internet decresce de acordo com o decréscimo da idade cronológica.

Surpresas

Muitos respondentes mencionaram presentes recebidos na infância ou adolescência, embora isso não fosse pedido explicitamente. O formulário remetia a presentes de Natal, dada a proximidade com a época da enquete; não contamos com o fato de que Natal é uma comemoração muito associada a família e a infância, que por sua vez despertam sentimentos; essa associação deve ter provocado um viés nas respostas, levando nossos sujeitos a focar nem tanto nos presentes recebidos no Natal passado recente, mas mais nas memórias emotivas despertadas pela ideia do Natal.

Muito mais para as mulheres do que para os homens, foram indicados como presentes de Natal significativos situações carregadas de afetividade – principalmente envolvendo familiares – em vez de objetos.

 

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Durante o curso da professora Sonia Fuentes sobre Memória e Criatividade, realizado no Ideac, a aluna Francine Forte fez um texto bem sensível no exercício Memória Autobiográfica:

Uma refeição mais que especial

Nossa família, como uma culinária repleta de sabores, é embalada pela música e convidada pelo aroma, num abraço constante do paladar com costumes gastronômicos especiais. Eis a imagem de uma refeição: um ritual que reservado aos encontros, os pratos se enfileiram pelo aroma, produtos, preparos e muito alegria.

Assim se traduz uma refeição típica italiana, além de hábitos que ao longo dos anos e fases de vida vamos adotando; ora simplificando, ora nos aprimorando, mas nunca deixando de ser especial. Esses sabores aprendidos com a família, nós passamos a celebrar com todos que nos rodeiam. Poderia dizer até que são pitadas de encontros gostosos onde se misturam as vozes, a música, ingredientes bastantes necessários e de muito amor.

Pude conviver com avós italianos que, em torno da boa mesa, nos trouxeram a tradição de pratos específicos de sua região. Ressalto que a tradição de passar a culinária e alguns pratos para os filhos e netos, sucessivamente, faz com que todos, em seu momento, possam usufruir desta magia que é o “viver em outras épocas ao sabor da atualidade”.

Quando penso em uma refeição mais que especial, transporto-me ao Natal. E como gosto desta data! Passamos durante muitas décadas a véspera de Natal com a família de minha mãe e o dia de Natal com a família paterna. Era assim que, naquele tempo, as famílias numerosas se dividiam, um dia com cada “lado”.

Na véspera, não se comia carne, pelo menos até meia noite, tradição da família católica; minha avó, e depois com ajuda de minha mãe, preparava um “spaghetti com aliche” como prato principal, mas antes eram servidas as saladas, 13 tipos que significam os 12 apóstolos e Jesus.  As saladas eram basicamente elaboradas com itens como palmito, lula, champignon, tomate… e assim distribuídas na mesa para todos provarem.

O interessante deste ritual era determinar quais saladas comporiam nossa ceia. E nós, crianças na época, ficávamos escolhendo os itens que mais nos apeteciam. Pois tínhamos que provar de todas, o mínimo que fosse. E contávamos nos dedos as que faltavam para completar a ceia.

A reunião da família, contando avos, pais, tios e primos, era uma festa, e com este ritual não é que as crianças não reclamavam de comer? Acho que esses italianos sabiam das coisas. Depois vinha o prato principal, os doces, as brincadeiras e a expectativa do amanhã, quando Papai Noel chegaria. Enquanto escrevo, parece que ouço minha mãe perguntando: já formamos as 13 saladas? E salivo ao pensar naquele spaguetti com aliche…

No dia seguinte, o almoço era com a família paterna. E lá desfilavam as entradas (antepastos), as carnes, a sobremesa.

Já chegávamos para o almoço com o sorriso mais que aberto; Papai Noel já havia distribuído os presentes e íamos munidos com parte deles para mostrar e brincar com os primos. Chegava a hora principal para as crianças, os famosos doces italianos e entre eles, o grande astro da festa: “Struffoli”, um doce típico do menu de Natal, bolinhas feitas à base de massa, aromatizadas com licor, fritas, dispostas em mel , confeitadas e servidas a todos.

Este doce, que passa de geração em geração, foi transmitido pela minha avó paterna (em segredo, pois sempre tinha o “pulo do gato” na receita) à minha mãe, que faz com todo o carinho todos os anos e que já ficou conhecida como a “tia” dos “struffoli napoletani”. Minha mãe, além de nos alegrar com esta delicia nessa data, prepara com muito carinho potes e mais potes e distribui para a família. Eles já ficam esperando por isso. Meus amigos também conhecem a tradição e buscam, na casa da “Tia Therezinha”, o seu potinho na época natalina.

Fazer o “struffoli” gera uma grande energia: preparar e descansar essa massa por algum tempo, colocar as essências principais, fritar todas essas bolinhas (e olha que são milhares), preparar os potes, embebedar de mel e enfeitar com bolinhas coloridas. Parece que é só, mas como falei, tem algo especial nesta receita.

Passados bons anos, já adultos, continuamos com a tradição. Na minha casa não podem faltar as 13 saladas e, de repente, me vejo brincando com a família, como se fosse criança e escolhendo os produtos que vamos utilizar,  como servir ou decorar a mesa e “ai” se alguém não provar todas. Outros pratos se seguem, mas o antepasto e as saladas são as estrelas da véspera.

Mamãe me passou a receita que era da “nona” e que vinha da “nona” de minha “nona”. Perdi a conta….de  como fazer os “struffoli”. Dá trabalho, mas a alegria de seguir a tradição e ver outras pessoas provando desta iguaria, compensa. E quando vai chegando dezembro, não faltam na minha lista os ingredientes necessários.

E não é que o Natal está chegando…

E só por curiosidade, pesquisei algumas músicas brasileiras que falam sobre comida; tentem não ficar com fome depois disso, mas vale a pena lembrar que nossos cantores/compositores se inspiraram na culinária e fizeram sucesso; por que será?! Lembram-se de alguma comida que não entrou nessa seleção? Seguem os nomes:

. Gilberto Gil – Sítio do pica-pau amarelo

. Marisa Monte – Não é proibido

. Sandy & Junior – Eu quero é mais

. Tim Maia – Chocolate

. Xuxa – Pipoca

. Gengis Khan – Comer, comer

. Chiquititas – O chefe Chico

. Silvio Brito – Farofa

. João Bosco – Linha de passe

. Ney Matogrosso – Yes, nós temos bananas (Braguinha)

. Zeca Pagodinho – Caviar

. Carlinhos Vergueiro – Torresmo à milanesa

. Chico Buarque – Feijoada completa

. Xuxa – Quem quer pão?

 . Zeca Pagodinho – Aquilo que era mulher

Bom apetite”
FF/nr5/nov2018


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Maria Thereza Bortolo fez o curso de Memória e Criatividade com a psicóloga Sonia Fuentes, no Ideac, e uma das tarefas foi fazer um teto sobre um objeto marcante ligado à memória afetiva. Vejam que texto emocionante:

“Era uma mulher brava, baixinha, gordinha e tinha um pouco de barba e bigode. Era uma mulher seca, não parecia ter desejos, Antonia era o seu nome, todos a temiam. Ela era a bedel naquela escola pública em que eu estudava. Eu ia começar cursar o ginásio, tinha 12 anos.

O seu trabalho com as alunas, era medir a altura da saia do uniforme e verificar se cobria ou não o joelho. Tinha que cobrir. Tínhamos também que mostrar as costas sobre a blusa para que verificassem se usávamos combinação, o sutiã não podia aparecer. O esmalte, mesmo transparente, não era permitido e era obrigatório removê-lo. Assim que passávamos da área do seu olhar, enrolávamos a saia na cintura para que ficasse mais curta.

As moças deveriam ser bens comportadas e se casarem virgens. Ninguém falava nada conosco sobre sexualidade. Aprendíamos com as amigas esses segredos.

Um dia aconteceu algo muito diferente nas nossas vidas naquela cidade em que tudo era pecado, e que o único teatro era a igreja: coroávamos Nossa Senhora, éramos anjo nas procissões…

Não me esqueço daquele dia. Recebemos das mãos da dona Antonia, só para as meninas do primeiro ano ginasial, um pequeno livro com o título ‘’Ser quase mulher e ser feliz”. Ela entregou mecanicamente e dizia que era nosso e que era para lermos em casa.

Mal pude acreditar quando abri o livro e lá estava tudo sobre ‘’aqueles dias’’. O que podíamos e não deveríamos fazer. Nós éramos meninas-moças, com vergonha de ficarmos ‘’incomodadas’’, esse era o termo usado para menstruação.

Tanto o texto como a ilustração, mostravam delicadeza, informações, cuidados, moças bonitas e felizes praticando várias atividades “naqueles dias”.

Como uma mulher como a dona Antonia podia ter participado desse momento de transição tão misterioso e desejado pelas meninas? Guardo até hoje o livrinho como uma obra de arte, como um tesouro e um profundo agradecimento e amor por ela.


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De repente você esquece onde colocou as chaves, o número do telefone do filho, o nome daquele ator tão admirado. Calma, segundo o geriatra Alberto de Macedo Soares, nem sempre esses pequenos lapsos de memória podem significar início de um processo de demência ou a temida doença de Alzheimer. Segundo ele, é normal pequenos esquecimentos, desde que não se repitam com muita frequência, e que um diagnóstico depende de uma investigação correta: “As vezes, o esquecimento está ligado a uma alteração na tiroide ou uma carência de vitamina B12”, ele diz.

A Doença de Alzheimer é uma patologia que costuma ocorrer em pessoas idosas, com mais de 60 anos. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), no Brasil, já são mais de um 1,6 milhão de pessoas acometidas por este mal. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê o aumento nos casos até 2050, chegando a 135,5 milhões.

Por ser degenerativa, a dificuldade de diagnóstico contribui para o preconceito e a falta de aceitação social. Entre os sintomas, a perda de memória recente dificulta a vida cotidiana, seja na realização de tarefas ou em se localizar no tempo e espaço. É ainda comum associar com problemas com a fala e escrita e com mudanças bruscas de humor. Demência é um termo inclusivo que abrange muitas condições e várias doenças – incluindo a doença de Alzheimer, é uma perda cognitiva em qualquer momento da vida.

As síndromes demenciais se classificam entre as tratáveis, que podem inclusive ser revertidas, e a demências irreversíveis, como é o caso do Alzheimer. Até mesmo a perda da audição, se não cuidada, pode levar ao estado de demência, pois à medida que não escutamos também não interagimos e nos isolamos.

Siga os conselhos do geriatra para garantir uma boa qualidade de vida:

  1. Manter atividade física, o que é benéfico inclusive para pessoas portadoras de Alzheimer. O exercício físico pode brecar o desenvolvimento do quadro e trazer melhoras para o paciente;
  2.  Manter relacionamentos sociais, buscar amigos, participar de palestras, começar um curso de idiomas, dançar, ouvir música e procurar novas atividades para ampliar nossas sinapses. O isolamento favorece os estados de demência;
  3. Tenha muito cuidado com os remédios em excesso, especialmente relaxantes, calmantes, ansiolíticos. A assimilação pelo idoso tem longa duração. Ou seja, no corpo de um jovem, um relaxante ou calmante  pode ser liberado em poucas horas; no idoso, pode levar até 72 horas. Assim, quem toma esses medicamentos diariamente passa por um efeito cumulativo e o risco é grande, pois os músculos estarão permanentemente relaxados e, consequentemente, não sustentarão os ossos. Aí podem ocorrer as quedas com a temida fratura de fêmur;
  4. Não se descuide das emoções. Seja com terapia, conversas ou desabafos ao longo da vida, tente se livrar do estresse, um dos grandes fatores que nos levam ao adoecer;
  5. Por último, beba água, muita água sempre. O ideal é beber dois litros por dia. Quando a pessoa envelhece costuma não ter sede e a desidratação se instala rápido.


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A palavra é cada vez mais usada e geralmente utilizada como sinônimo de resistência quando o seu significado se refere a flexibilidade e capacidade para enfrentar mudanças, mas seu sentido vai mais além. A resiliência para a psicologia científica é comportamento e não um traço da personalidade, pode ser treinada e aprendida, como explica o psicólogo, professor, escritor e consultor João Marcos Varella, especialista no tema.  Ela é aplicada em Psicoterapia, desenvolvimento de lideranças e de grupos de trabalho, desenvolvimento comportamental em escolas, em coaching e no desenvolvimento de famílias.

João Marcos participou de um encontro com o Grupo de Reflexões do Ideac para falar sobre o tema. Segundo ele, tudo começou quando duas psicólogas da área de psicologia do desenvolvimento foram para o Havaí e passaram a acompanhar 700 crianças durante mais de 30 anos.

“As crianças viviam num grau de adversidade, a característica comum entre elas, filhos de pescadores ou cortadores de cana, com problemas de alimentação, ausência de acompanhamento, saúde, educação. Depois de 30 anos de observação sistemática, um grupo tinha superado as dificuldades, se adaptado à sociedade e à vida adulta, constituído família e era produtivo. Um grupo teve dificuldades, mas acabou se adaptando, e um terceiro grupo que teve muitas dificuldades se envolveu com drogas, doenças e vários outros problemas”.

Depois disso, a pesquisa foi publicada em livro que despertou o interesse dos cientistas para entender o resultado: o que determinava a qualidade do desenvolvimento do grupo bem adaptado? A primeira tentativa foi identificar se era um traço de personalidade, mas as pesquisas não confirmavam. As crianças inicialmente foram chamadas de invulneráveis e depois de resilientes, associadas a um comportamento de enfrentar desafios.

Durante mais de 20 anos foram muitos outros trabalhos, mas por volta do ano 2000 um autor desenvolveu um trabalho mostrando que resiliência era comportamento e não traço de personalidade. Assim, poderia ser mapeada, aprendida, e treinada. Os estudos se focaram na resiliência como comportamento. Na Universidade da Pensilvânia se desenvolveram os primeiros estudos sobre Resiliência, quando dois pesquisadores orientados por Martin Seligman criaram a primeira ferramenta para mapear a resiliência.

João Marcos explica que essa ferramenta já evoluiu, foi aperfeiçoada e tem sido aplicada em empresas, escolas. “Eles treinaram resiliência em mais de um milhão de soldados americanos e constataram a diminuição de suicídios, de síndrome pós-traumática, de divórcios e depressão comparados com outros que não passaram por esse treinamento”.

Em 2005, João Marcos conheceu o professor George Barbosa, que em 2006 defendeu a tese de doutorado sobre o tema e desde essa época vem trabalhando com ele com sobre aplicação de resiliência. George desenvolveu uma metodologia de mapeamento por processos estatísticos com indicadores com base no que foi desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e identificou oito comportamentos. Essa ferramenta já tem milhares de aplicações.

“Você age pelo conjunto dos 8 comportamentos. O interessante é que conhecendo e identificando em você seus comportamentos resilientes, pode ser mais fácil aprender e treinar para enfrentar os desafios”, comenta.

Conheça os comportamentos identificados

O mapeamento resulta numa localização pessoal com referência na curva de Gauss com o comportamento de equilíbrio resiliente na média e aponta desvios com relação a essa média. Numa direção o desvio aumenta a intolerância e a raiva; na outra, a passividade e a tristeza. Quanto maior o desvio, maior o risco de conflito e estresse.

  1. Análise de contexto ou pensamento crítico – Significa uma boa visão da realidade. Quando o desvio é para o lado da intolerância, a pessoa acredita que a realidade é aquela que ela imagina, tem uma visão inadequada do mundo, tem dificuldade em aceitar as evidências da realidade, entra em conflito e aumenta o estresse. Do outro lado ocorre a passividade, aceita mesmo em conflito ou sofrimento, vai se acomodando à diferença entre o desejo e a realidade. Com o desvio, a pessoa perde a qualidade do seu pensamento crítico e entra em conflito ou pela intolerância, ou pela passividade.
  2. Autoconfiança – É quando a pessoa estabelece metas, desafios, objetivos adequados à sua condição de alcançá-los. Quando tem um desvio da autoconfiança, podem ser estabelecidos metas e desvios fora do alcance de nossas possibilidades. No extremo tem o aventureiro, a pessoa que toma decisões para objetivo que não consegue alcançar. No outro extremo vem a passividade na autoconfiança, pessoa sem iniciativa, sem o comportamento protagonista.
  3. Autocontrole – Se manifesta na administração das emoções diante de conflitos e situações de tensão. São pessoas que têm que negociar, que têm que obter resultados através de outras pessoas. Quando a situação não está de acordo com as suas expectativas, elas sentem raiva ou, por outro lado, se submetem.
  4. Conquistar e manter pessoas – É a capacidade de criar vínculos, principalmente com pessoas desconhecidas. É uma característica do bom vendedor, por exemplo. Um desvio para a intolerância faz com que a pessoa tente insistir na sua forma de fazer, acontecer.
  5. Empatia – É a capacidade de entender o pensamento e o sentimento da outra pessoa. Quando isso falha, a pessoa assume que sabe o que o outro está pensando ou sentindo, e age de uma forma que vai entrar em conflito. Ou se deixa submeter à forma como a pessoa com quem se relaciona pensa e sente e entra em conflito. Quem tem uma boa empatia consegue ser um bom líder, um bom mediador, faz com que as pessoas se envolvam com os seus objetivos e compartilhem. O desenvolvimento da empatia facilita a vida das pessoas.
  6. Leitura corporal – É a capacidade para perceber como se sentir do ponto de vista físico. Uma pessoa na intolerância pode ser extremamente sensível (como o hipocondríaco, por exemplo) e na passividade pode trabalhar até a exaustão porque não se dá conta do esforço que está fazendo.
  7. Otimismo com a vida – O excesso de otimismo é quando eu acredito que tudo vai dar certo, mesmo quando não depende de mim. Exemplo: vou ganhar na loteria. No outro extremo vem o pessimismo, que ocorre quando eu tenho as condições para realizar, mas eu não acredito. O otimismo equilibrado traz a capacidade de ver que as coisas podem melhorar, mas na medida em que condições pessoais e as condições do contexto e do ambiente permitem acreditar nisso.
  8. Sentido da vida ou propósito – A passividade nesse comportamento é o famoso “deixa a vida me levar”, esperando o que vier, não tenho pelo que lutar. O excesso, a intolerância desse sentido da vida é o fanatismo, radicalismo.

Conclusão

Para o especialista, o ideal de Resiliência é conseguir o equilíbrio de todos esses comportamentos: “Quando as pessoas têm muitas posições nos extremos, elas têm um conflito e um estresse permanente. São pessoas com problemas de relacionamentos. O importante é saber que é possível treinar as pessoas para que elas diminuam o grau de conflito e tenham ganhos em direção à flexibilidade. Não há correlação entre esses comportamentos, não seguem uma regra e são independentes”.

João Marcos tem aplicado a técnica com famílias, organizando treinamentos dos familiares para criar identidade, intensificar os vínculos, aumentar a autoconfiança (empoderamento) e a comunicação (empatia na família). “Depois que conseguimos consolidar esses pontos, é possível que a família se una para compartilhar uma visão de futuro, planejar esse futuro, construir um conselho de família para preservar o patrimônio e dar segurança para as próximas gerações. Chamamos esse processo de Governança Familiar, tendo na primeira etapa uma fase comportamental e depois a fase operacional de planejamento”, conclui.

Para saber mais: http://sobrare.com.br


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Por Maria Celia de Abreu (*)

É muito bom saber que um fato acreditado pelo senso comum é referendado pela Ciência. É o caso de um estudo de pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, e da Universidade de Haifa, em Israel, tema do artigo de Suzana Hercula Houzel na Folha de S. Paulo, dia 31 de julho.

As pesquisas concluem que duas pessoas de mãos dadas têm as ondas de seus respectivos cérebros sincronizadas. Em ambas se estabelece uma sensação prazerosa e, se uma delas está com dor, surge um efeito analgésico, enquanto aumenta a capacidade de empatia da outra.

Trabalhos de observação de comportamento, bem como a sabedoria popular, já indicavam a importância do toque para a saúde emocional e física do idoso, e dos prejuízos quando ele não existe. Claro que, como em todas as regras, há quem sinta o toque físico como desagradável, ou até mesmo insuportável, mas essa é uma minoria.

Infelizmente, dentro de uma cultura que desvaloriza o velho, e que também associa toque físico exclusivamente ao sexual, o velho é muito pouco tocado, afagado, abraçado, acariciado, massageado.

Precisamos divulgar que preconceitos levam a um desnecessário estreitamento de expectativa, e que a neuropsicologia tem feito descobertas marcantes que podem melhorar muito a qualidade de vida das pessoas em geral, e dos nossos velhos em especial.

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga e coordenadora do Ideac, autora do livro “Velhice, uma nova paisagem” (Ed. Ágora)


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Por Maria Celia de Abreu (*)

A vida é uma grande aventura. Cheia de desafios e de surpresas. Com momentos de felicidade e outros de dificuldade. Cabe a quem percorre o caminho da vida semear boas probabilidades para seu próprio futuro, bem como prestar mais atenção às coisas boas do que às complicadas. Vivemos num mundo violento, desigual, injusto. Mas dentro dele podemos buscar ilhas de harmonia, de calor humano, de procedimentos éticos. Contamos com a sorte, mas também com nossos esforços, nossa batalha, persistência e com um não ceder a concessões baratas.

Não há receitas prontas para viver e envelhecer bem. O que é bom para um pode não ser bom para outro! Acho que a pessoa deve ser coerente com valores éticos, ser capaz de prestar atenção no outro e trabalhar duro pelos seus projetos e sonhos. O mais importante, parafraseando o psicanalista Viktor Frankl, não é descobrir o que você quer da vida, mas aquilo que a vida quer de você. Na maturidade é mais fácil, o velho se conhece bem, sabe do seu potencial e pode buscar alternativas inclusive para retribuir à sociedade o que recebeu.

Uma das necessidades principais do ser humano é a de pertencer. Pertencer a uma família, a um país, a uma empresa ou profissão, a um clube, a um partido político… É por esse caminho que uma pessoa se reconhece, que se sente com uma determinada identidade. O idoso que encontra um espaço que lhe agrada e se sente pertencendo a ele tem uma boa vantagem para a sua qualidade de vida. Outra necessidade humana fundamental é a de conviver com outras pessoas. Pertencer e conviver, sentir-se útil, trocar afetos com familiares e amigos, aprender, confirmar a própria identidade, abrir novas áreas na vida, favorecem a saúde emocional e física de qualquer pessoa, incluindo-se a do idoso. Conserve seus amigos, busque novos amigos, convide pessoas para sair, para frequentar a sua casa e aceite convites também. O preço de quem não consegue isso é o amargo sentimento de solidão. Vale a pena investir em bons relacionamentos, eles influem muito na nossa saúde física e mental.

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga, coordenadora do Ideac e autora de “Velhice, uma nova paisagem”