IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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Pesquisa recente mostra que o tratamento inadequado do diabetes afeta 18% dos idosos nos EUA, e o quadro é semelhante no Brasil. A Doença atinge uma em cada quatro pessoas com mais de 65 anos e incidência é maior nas com baixa escolaridade. O estudo foi publicado no Journal of General Internal Medicine. A pesquisa foi feita com base nos dados de 78 mil pacientes com mais de 65 anos em dez estados dos EUA – as informações são do Medicare, programa de assistência médica do governo federal americano.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. João Eduardo Nunes Salles, afirma que um terço dos idosos apresenta algum tipo de alterações no metabolismo da glicose. “É fundamental atentar-se às particularidades no tratamento do diabetes, não apenas medicamentoso, mas comportamental e nutricional. Além do avanço do sedentarismo e da obesidade, o envelhecimento populacional também tem grande impacto no aumento dos casos de diabetes”, avalia.

No Brasil, segundo levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, o diagnóstico da doença aumentou 54% na população masculina entre 2006 e 2017, atingindo 7,1% dos homens adultos. Contudo as mulheres ainda são as principais vítimas da doença, com 8,1% no último ano. A SBD estima que 16 milhões de brasileiros foram diagnosticados com a doença.

Salles alerta também para a importância do controle da doença, sobretudo para diminuir o risco de cardiopatias – segundo a International Diabetes Federation, pessoas com mais de 60 anos e portadoras de diabetes tipo 2 têm um risco de três a quatro vezes maior de morrer por doenças cardiovasculares. “Há alternativas terapêuticas capazes de controlar o diabetes e suas complicações. Conhecimento e acesso a tratamentos adequados são fundamentais para preservar a doença no idoso, aumentando sua expectativa e qualidade de vida”, atesta o especialista.

A SBGG, no documento “Escolhas Sensatas na Assistência ao Paciente Idoso”, aponta que o controle rígido dos níveis glicêmicos em idosos frágeis pode trazer mais riscos do que benefícios, sobretudo quando há hipoglicemias graves ou recorrentes. Baseado nesta ponderação, recomenda-se não prescrever medicamentos com intuito de atingir alvos de hemoglobina glicada menor que 7,5% em idosos diabéticos com declínio funcional e/ou cognitivo ou em extremos etários.

Sobre o tema, o dr. Salles respondeu algumas questões do Ideac:

Como detectar a doença?

Na maioria das vezes, é assintomático. O paciente idoso, em geral, não apresenta os sintomas clássicos, mas, sim cansaço excessivo, fadiga muscular nas pernas, turvação visual e falta de animo. Ainda, pode manifestar piora ou surgimento de incontinência urinária.

Quais as principais causas?

O próprio envelhecimento, histórico familiar, aumento da circunferência abdominal, redução da massa muscular periférica (principalmente braço, coxa e perna), e alimentação rica em carboidratos e açúcar.

O que aconselha?

Reeducação alimentar, com consumo equilibrado de carboidratos, proteínas e verduras. O idoso, em geral, diminui o consumo de proteínas, o que leva à redução de massa muscular. Inclusive, é importante escolher apenas um carboidrato por refeição. Indica-se também a prática de atividade física, mesclando aeróbica com musculação.

O tratamento é para sempre?

O diabetes é uma doença crônica e um dos grandes problemas para o não controle é que a maioria dos pacientes para de usar o medicamento durante o tratamento. O medicamento deve ser usado por toda a vida, contribuindo para o controle e, logo, para a prevenção de complicações decorrentes da doença. Interromper o medicamento só com ordem médica.

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“É no corpo que as marcas da velhice aparecem com mais evidência…”

(Maria Celia de Abreu – Velhice uma nova paisagem)

Os pés de uma pessoa de 70 anos já fizeram o percurso equivalente a 3 vezes a volta ao mundo. Pois bem, a expectativa de vida está aumentando e muitos idosos poderão viver até os 100 anos. Olhar com carinho e cuidar dos pés fará uma grande diferença na qualidade do processo do envelhecimento. Doenças tais como artrite, artrose, osteoporose, diabetes, cardiopatias, neuropatias, doenças vasculares periféricas e reumatismo podem ser provocadas por alterações e lesões significativas nas pernas e pés.

Já pensaram sobre isso? Muitas vezes nos preocupamos tanto com o rosto, os braços, as pernas e esquecemos dos nossos pés. Com o envelhecer, os pés também precisam de cuidados especiais para garantir uma base segura. Aldeci Oliveira é uma podóloga especializada no tratamento de pessoas idosas e atende com a paciência de quem sabe a importância de cuidar com carinho e atenção dos seus clientes. Ela já atuou muitos anos em clínicas de podologia e clínica médica, mas atualmente atende em domicílio e em casas de repouso, fazendo trabalho voluntário e também profissional.

O diferencial de Aldeci começa quando ela faz a ficha de anamnese do cliente, para conhecer melhor seu estado de saúde, suas necessidades e limitações, utilizando as informações como parâmetro para buscar o tratamento adequado.

Formada em Podologia pelo Senac há 14 anos, Aldeci nesse tempo percebeu a carência de profissionais voltados para a demanda do crescimento de idosos que necessitam de cuidados mais específicos, bem como a falta de divulgação da importância dos cuidados paliativos. “Existe também a carência do trabalho multidisciplinar e a participação da família em como lidar com os cuidados adequados demandados pelo estado de saúde do idoso. É muito importante o acompanhamento podológico nas casas assistidas para idosos, nas casas de repouso de curta permanência e em casa também”, alerta.

 

Problemas e cuidados

Manter os pés limpos tem grande importância para a prevenção de infecção, especialmente nos casos de diabetes e neuropatias. As unhas sofrem com problemas de micoses, traumas, grossas, secas, finas, quebradiças, onduladas, escuras. Nos dedos podem aparecer inchaços, frieiras, calos, rigidez e mudança nos tons da pele. Os pés podem ficar frios, rígidos, secos, escamosos, inchados, avermelhados, com rachaduras no calcanhar, com calos, calosidades, feridas, e até mau cheiro.

Dicas

Aldeci ensina que ao acordar, antes de se levantar, é muito bom fazer movimentos suaves de flexão, extensão, rotação interna e externas dos pés. Em seguida flexionar e estender as pernas. “Com o auxílio dos dedos indicador e polegar das mãos pressione os dedos dos pés, a começar pelo halux (dedão) até o dedo mínimo. E preste atenção no que está fazendo, faça tudo com bastante emoção”.

Outra dica é usar um espelho para verificar se não há presença de fissuras entre os dedos, rachaduras nos calcanhares, presença de calos, calosidades e como está a coloração dos pés. “Sinta a temperatura, se há formigamento, queimação e perda da sensibilidade. Verifique também se há a presença de úlceras de pressão e feridas”, alerta,

Cuidados preventivos

No caso de diminuição da sensibilidade na região dos pés ela diz que a pessoa não deve usar água em alta temperatura, o indicado é a água morna para não provocar lesões.  “Evite queimaduras e alta exposição ao sol. Após tomar banho, use de papel toalha para secar entre os dedos e remover células mortas. Aplique o papel toalha fazendo movimentos circulares e suaves para não provocar ferimentos na pele. pós secar bem os pés aplique em seguida o creme hidratante. Evite passar creme entre os dedos para que não fique úmido e provoque atritos ocasionando fissuras”, recomenda.

Aldeci também indica sempre o uso de meias de algodão, sem costura e que não prenda a circulação, principalmente no caso de pessoas acometidas por diabetes. O melhor horário para se comprar calçados é no final da tarde ou no começo da noite, pois os pés e os dedos ficam mais inchados: “Antes de calçar os sapatos verifique se não há a presença de objetos estranhos no seu interior. E preste atenção no corte correto das unhas. A unha do idoso costuma ser grossa. Use alicate de corte de unhas. Faça o corte em linha reta e finalize com uma lixa arredondando sutilmente os cantos, respeitando o formato das unhas”.

Podologia

É a especialidade que estuda os pés, um dos ramos das ciências da saúde que tem por objetivo a prevenção, investigação e tratamentos dos pés. O início da podologia no mundo gira em torno de cinco milhões de anos. Em 54 depois de cristo surge o primeiro calista, Cayus, que era o soldado do imperador Nero e calista oficial de sua esposa. O início da podologia do Brasil data de 1890, localizada na rua São Bento em São Paulo. Na década de 30 chega ao Brasil o Dr. School, organização americana localizada na rua do Arouche.

Em 1990 o Senac Centro de educação e saúde em São Paulo passou a ministrar o curso de técnico em podologia. O tempo de formação é de 18 meses. O mercado de atuação são clínicas de podologia, hospitais, casas de repouso, clubes, hotéis, Spas e residências.

Sobre Aldeci

Ela nasceu em Campina Grande, na Paraíba, filha de casal de nordestinos que resolveu vir para São Paulo com os quatro filhos em busca de melhores oportunidades. Quando chegou Aldeci tinha 11 meses e aqui nasceu sua irmã caçula.

Lembra que mãe tocava modinhas com saudades da família, muito sentimento. Com 11 anos ela e o irmão mais velho iam para a feira vender calçado em uma banca de um casal de portugueses nas férias da escola. Depois, adolescente, foi trabalhar como recepcionista em uma clínica de Odontologia ao lado de sua casa e adorava ajudar nos instrumentos.

A vida profissional incluiu, ainda, trabalho em companhias de seguros, até que ela e o marido abriram uma produtora de fotos e vídeos, que durou até o final do casamento, por volta de 2002. Ela e a filha recomeçaram uma nova fase. Um de seus primeiros projetos foi realizar o sonho de correr na São Silvestre. Conseguiu fazer o curso de Podologia e percebeu que era o que realmente queria fazer como profissão. A paixão por tratar de idosos estava presente e foi reforçada quando fez o curso “Velhice, uma nova paisagem”, com a psicóloga Maria Celia de Abreu, no Ideac.

Seu contato: (11) 953818237


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A Doença de Alzheimer atinge mais de 46 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, mais de um milhão, e com o crescente aumento da expectativa de vida, a tendência é que esse número dobrará a cada 20 anos. Esses números assustadores tornam-se mais sérios quando se pensa em moradores da periferia e todas as dificuldades para marcar consulta e conseguir tratamentos. O longa-metragem Alzheimer na Periferia, um projeto que nasceu com o propósito de desmistificar a evolução e o tratamento da doença de Alzheimer, principalmente em famílias que vivem em condição de vulnerabilidade social, terá pré-estreia para convidados na terça-feira, 4 de setembro, e posteriormente será exibido para o público.

O filme mostra cinco núcleos familiares que residem em bairros carentes, localizados nas extremidades da cidade de São Paulo. Ao longo dos 100 minutos, histórias de vidas totalmente diferentes se fundem a um turbilhão de emoções envolvendo pessoas que não perdem a esperança e lutam para promover qualidade de vida às pessoas acometidas dessa grave doença neurodegenerativa crônica. É o relato do dia a dia de cuidadores que se isolam da sociedade e abrem mão da própria vida para garantir o mínimo de conforto e segurança para as pessoas que amam e que tiveram suas lembranças quase que completamente apagadas. Tarefas simples como ir ao banheiro, tomar banho, escovar os dentes ou até mesmo guardar roupas, tornam-se verdadeiros desafios para quem possui.

O jornalista e escritor Jorge Felix, especialista em Economia na Longevidade, teve a ideia de escrever o argumento em um evento da Abraz, em maio de 2013.Jorge viu que todos queriam contar suas histórias mas não havia muitos interessados em ouvir, principalmente da imprensa.  Depois de pronto o argumento ele apresentou a ideia para o cunhado, Albert Klinke, da produtora Malabar, que se entusiasmou e produziu o documentário, com patrocínio do Aché Laboratórios e o apoio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo (ProAC).

Jorge Felix (foto) deu uma entrevista exclusiva para o Ideac:

Como surgiu a ideia?

Surgiu quando participei de um evento promovido pela Abraz, na Câmara Municipal. Depois das palestras da Vera Caovila (fundadora da Abraz), do Dr Paulo Canineo (PUC-SP) e do ator Carlos Moreno, que passou a se envolver com a causa depois de a mãe dele apresentar a doença, o microfone foi liberado para a plateia. Estava lotado. Eu me surpreendi com as histórias de pessoas da periferia que cuidavam de seus pais, mães, avós, avôs e bisavós, sem a menor condição material. Os relatos revelavam como era fundamental o apoio do Estado, seja pelo SUS ou pelos Centro de Referência do Idoso. Eu sai de lá querendo contar aquelas histórias e escrevi o argumento. Entrevistei várias pessoas, inclusive dirigentes da Abraz à época. Eu também, por coincidência, vivia um caso na família, embora um pouco distante: o sogro do meu irmão. Um morador da periferia do Rio de Janeiro. Mas acompanhava a situação de alguma maneira. Tudo isso foi se somando. Depois conversei com meu cunhado, Albert Klinke, que é diretor de filmes publicitários e estava procurando um projeto de documentário e ele decidiu, então, produzir o filme pela produtora dele, a Malabar Filmes.

Como foi o trabalho?

Foi um trabalho da equipe da Malabar, que foi muito bom. Uma equipe jovem que não tinha envolvimento com o Alzheimer. Isso eu acho que foi o mais bacana. Todos muito jovens e o documentário os fez despertar para esse problema social, para a questão do envelhecimento, enfim para esses temas de minhas pesquisas. Eles foram atrás dos personagens, pelos CRIs, pelas Unidades Básicas de Saúde de vários bairros da periferia. Foi um trabalho longo, de muitos meses. Foram selecionadas muitas famílias e depois houve uma seleção final a partir do critério de condições para as gravações, pessoas que pudessem atender à equipe. A logística foi bastante complexa. A ideia do argumento era que cada família ou cada paciente vivesse um estágio da doença. Como se sabe, o Alzheimer tem vários estágios, bem diferentes.  Isso implicou em filmagens em diversas horas, de madrugada, à noite, etc, durante vários meses.

Quando entra em cartaz?

O filme ainda não tem definição precisa de entrar em circuito. Isso depende de distribuidores se interessarem e é difícil. Mas a Malabar Filmes está em negociação com a rede SPCine e, por ser um projeto de grande amplitude social, pelo menos no meu ponto de vista, teria justificativa como prioridade num circuito da prefeitura. Vamos esperar. Isso é muito importante para a produtora completar o orçamento do filme.

Você tem casos na família?

Só o caso do sogro do meu irmão. Acompanho o tema tangencialmente como pesquisador. E não sou um pesquisador do envelhecimento pelo olhar da saúde, não sou médico. No entanto, a economia, que é o meu ponto de vista, tem sido imensamente influenciada pelas questões do cuidado e será cada vez mais numa sociedade em processo acelerado de envelhecimento da população.

Quais os desafios da doença e como o filme pode ajudar?

No Brasil, há uma legislação até avançada no provimento de medicamentos para doenças crônicas. O Alzheimer, no entanto, precisa ser diagnosticado muito cedo porque aí sim pode ser usado um medicamento e outros tratamentos que irão reduzir o ritmo de avanço da doença. Depois de um certo estágio, a medicação já não tem efeito. Aí entra, no meu modo de ver, a questão mais latente que é, como chamamos tecnicamente, o cuidado de longa duração. O Brasil vive uma crise silenciosa dos cuidados. Um blecaute de cuidados. O Alzheimer e outras doenças crônicas vão pressionar ainda mais essa crise, vão piorar essa crise que tem consequências econômicas. O Brasil deveria estar ampliando a sua rede de proteção ao idoso e está fazendo o oposto. A rede ainda existe claro, mas é cada vez mais pressionada por restrições do Orçamento da Saúde. O chamado “teto dos gastos” será terrível neste sentido. Quando a economia voltar a crescer lá para 2020 ou 2021, como imagino, isso será um gargalo. Muitas pessoas estão no trabalho de cuidados, que foi imensamente privatizado, e isso terá consequências no mercado de trabalho.

 Serviço

O filme Alzheimer na Periferia estará em cartaz em cinemas da cidade de São Paulo a partir de 04 de setembro de 2018 (ingressos para esse dia já esgotados). Fique atento à programação completa da exibição do documentário. Vale lembrar que filme brasileiro precisa de público nos primeiros dias para continuar existindo nos cinemas.

Local: Espaço Itaú de Cinema. Shopping Frei Caneca. R Frei Caneca, 589 São Paulo


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Perder-se de si mesmo e daqueles a quem amamos é uma realidade muito triste. No livro “Ausência”, o cotidiano de quem tem a doença Alzheimer é abordado com sensibilidade por Flávia Simonelli, escritora brasileira especialista em desenvolvimento pessoal e aconselhamento biográfico. O livro foi reconhecido e indicado pela ABRAZ- Associação Brasileira de Alzheimer e tem reedição pela Edipro. A obra traz o encontro entre Daniel, um neuropsiquiatra, e Ervin de Apolinário, um conceituado professor universitário, com Alzheimer, além de sua filha, a psicóloga Natasha. Ervin se vê aos poucos perdendo toda a sua bagagem cultural, acadêmica e suas referências sobre si mesmo, o que lhe causa muito sofrimento e produz muitas dificuldades. A autora deu uma entrevista exclusiva para o Ideac e afirma que o maior desafio para quem está passando pelo problema é aceitar que a pessoa com Alzheimer não será mais a mesma de antes e que a relação mudou.

Confira a entrevista:

O esquecimento é um medo real que ronda pessoas principalmente depois dos 60 anos. Como lidar da melhor forma com esse medo?

A questão do medo é algo bastante complexo e frequente na nossa vida hoje. Vivemos a cultura do medo, medo da violência, medo da escassez, medo da solidão, medo da doença, medo da morte. Existe o medo de ter medo, de tanto que esse sentimento nos assusta. E o que o medo nos causa? Por um lado pode gerar paralisia, e até pânico (não é por acaso que há tantas pessoas hoje que vivenciam a síndrome do pânico), por outro, pode gerar ansiedade ou depressão. Isso porque o medo é um sentimento causado por pensamentos negativos. Nossa mente é tão poderosa que é capaz de criar situações ruins e que nós vivenciamos como reais, mesmo que não estejam acontecendo. Pois quando se vive uma dessas situações negativas na vida, forças internas (que muitas vezes nem sabíamos que tínhamos!) se mobilizam e nós, de algum modo, as enfrentamos. O que quero dizer com isso é que o medo é em geral vivido por projeções da mente, pois na realidade, a força da ação e do enfrentamento, numa necessidade real, existe e é mobilizada.

E o mesmo do esquecimento?

O medo do esquecimento, na minha opinião, está ligado ao medo das doenças degenerativas, principalmente do Alzheimer. É o medo de perder suas capacidades cognitivas, sua compreensão do mundo, sua rotina, sua independência como ser humano. É o medo de perder a si mesmo. A melhor forma de lidar com esse medo é olhar para a velhice de outra forma. O idoso já não retém tantas informações como antes. E se não for indício de Alzheimer ou outra doença degenerativa, é algo normal para essa fase da vida. A vitalidade diminui muito, mas o que se ganha na velhice? Ganha-se consciência. A velhice pode ser o momento de maior lucidez, no sentido de perceber o que é essencial no mundo, nas pessoas, na vida… O maior problema é que não se valoriza essa fase da vida. No entanto, a pessoa que chegou à velhice tem um tesouro para dar ao mundo e aos outros: a sua experiência que se tornou sabedoria. Penso que se voltarmos a dar valor ao idoso e saber que ele tem uma nova percepção da vida que só pode brotar com os anos, o medo da velhice diminui muito.

E o que fazer para lidar com esse medo?

É possível adotar um estilo de vida saudável, cuidando da alimentação, do sono, e exercitando o corpo e a mente. Mas tudo isso tem sentido se ao mesmo tempo fizermos o que nos entusiasma, o que aquece nosso coração e alegra o nosso dia, de modo que estejamos tão inteiros em nossas ações que não damos espaço à cabeça para criar medos. Estar presente no mundo fazendo aquilo que move o coração, que aquece, que dá alegria é a maior cura para todos os nossos medos.

A grande dificuldade dos parentes é aceitar que aquela pessoa com Alzheimer não é mais a mesma que eles conheceram. O que pode facilitar esse processo?

Quando escrevia o livro “Ausência”, conversei com muitas pessoas que conviviam com um familiar próximo com a doença de Alzheimer e o que me impressionou é que os sentimentos vividos por aquelas pessoas eram iguais. Todas elas tinham a experiência de assistir à morte homeopática de uma pessoa querida, a sensação de perder aos poucos alguém com quem tinham ligações de afeto. E essa é uma dor que traumatiza, que gera como primeira reação a negação da realidade: “isso não pode estar acontecendo”; depois da negação vem a raiva: “por que comigo?” “por que com meu pai?”, “por que com minha mãe”? A pessoa se revolta contra o destino, não aceita, quer que tudo volte a ser como era antes da doença, até que passa a ter um sentimento de impotência, de tristeza e até depressão. É quando precisa de muita ajuda, muito apoio, para ter forças de aceitar a realidade.

O que pode ajudar?

O que ajuda é justamente aceitar a realidade. Aceitar que a pessoa com Alzheimer não será mais a mesma de antes, e a relação mudou. Agora ela precisará de cuidados e não poderá mais assumir o papel que sempre teve na família. Os familiares próximos se sentem “abandonados”, é como se a pessoa se retirasse aos poucos, fosse embora. Mas não é assim. A pessoa com Alzheimer continua lá, perto, necessitando de atenção. Muitas pessoas vivem essa situação com mais tranquilidade quando se colocam na relação exatamente como acontece no presente. Sem a expectativa de que algo vá mudar e sem a revolta pelo fato que a pessoa não é mais a mesma. Simplesmente vivem o que é. Com certeza, um grande aprendizado.

Como criar memórias que preservem as ausências queridas?

Acredito que todas as pessoas queridas que temos e tivemos na vida não se ausentam. De algum modo enriqueceram nosso coração e jamais deixam de viver em nós. São pessoas que contribuíram para nossas experiências afetivas, na maneira de nos relacionarmos e crescermos como pessoas. É na relação humana que aprendemos a nos conhecer. É na relação humana que nossas “sombras” surgem, e com elas, os desafios e a necessidade de amadurecer emocionalmente e evoluir. Assim, de cada pessoa importante na nossa vida levamos adiante aquilo que foi modificado em nós a partir dessa relação.

O temor de perder a memória pode levar uma pessoa a perder o presente, a vida?

Qualquer temor pode desconectar do momento presente. O que é o temor? É a projeção na mente de que algo de ruim pode acontecer. Quando esse temor é intenso, atrapalha a vida porque enfraquece a vontade de agir, e a pessoa fica paralisada pelo medo. Não toma atitudes, não realiza algo que deseja porque não crê, não tem coragem. Isso é perder a confiança na vida. Entregar-se ao presente, único momento que realmente existe, abre caminhos para as nossas realizações. E esse é um tema de que se tem falado muito, escrito muito.

Quando pensa no seu livro, qual é o perfil de público a que ele se destina?

A grande maioria dos leitores de “Ausência” são mulheres maduras. Pessoas que gostam de uma literatura que aprofunde nos sentimentos, nas percepções e nos questionamentos da vida e das relações. Mas tive já retorno de leitores bem jovens que se sensibilizaram demais com a história.

Parentes de pessoas que tiveram uma vida muito plena e ativa têm mais dificuldade para entender a doença?

Penso que ver uma pessoa que foi ativa apagar sua mente, seu conhecimento, sua experiência, gera um grande inconformismo. Então, para os parentes não é fácil lidar com a perda da imagem que tinham dessa pessoa, e do lugar que ela ocupava na família. Fica um lugar vazio. O desafio para a aceitação dessa realidade é muito duro para todos, e acredito que o que conta mesmo é o quanto se pode entrar no fluxo do amor, e que pode superar tudo. Talvez seja o desafio da nossa época, e que vale para todos nós seres humanos, em qualquer situação: sair da mente e entrar no coração.


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Sábado é Dia Mundial do AVC. Aprenda a se prevenir

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O AVC ou Acidente Vascular Cerebral é a segunda causa de morte no Brasil e primeira causa de incapacidade. O tema é sério e justamente por isso a Academia Brasileira de Neurologia e a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares promovem neste sábado (29), em São Paulo, várias ações em campanha pelo Dia Mundial do AVC. Estações de metrô e parques públicos receberão tendas que funcionarão como pontos de informação sobre sintomas e prevenção da doença, além de hospitais que oferecerão palestras e cursos. No metrô os interessados podem procurar as equipes nas estações Sé, Barra Funda, República e Tatuapé do metrô, e ainda no Parque da Água Branca. Residentes em neurologia e estudantes de medicina, supervisionados por professores, explicarão à população como prevenir, detectar e tratar esta doença. A seguir, aplicarão questionário para detecção do grau de conhecimento da população a fim de orientar futuras campanhas e políticas de saúde.

Urgência

O AVC é uma emergência e o atendimento ao paciente é fundamental o mais rápido possível, de preferência em até quatro horas. O atendimento especializado em Unidade de AVC eleva em 14% a chance de recuperação. Quando o doente chega tardiamente ao hospital, as possíveis alternativas de tratamento são mais limitadas. O Acidente Vascular cerebral acomete, anualmente, 17 milhões de pessoas em todo o mundo; destas, 6,5 milhões morrem e uma boa parcela vive com incapacidade permanente. “Quem sofreu um AVC, pode ter de conviver com sequelas: isso compromete a sua qualidade de vida, mas pode não comprometer totalmente as atividades da vida diária, uma vez que é possível ter reabilitação, reestruturação física e recuperação de contato social. Um tratamento multidisciplinar é essencial para se atingir resultados mais efetivos, assim como o apoio da família”, enfatiza dr. Rubens Gagliardi, diretor científico da ABN

Sintomas

Popularmente conhecido por derrame cerebral, o AVC ocorre quando parte do cérebro sofre infarto, geralmente devido a uma falha na circulação do sangue. O AVC também pode ser chamado de AVE (acidente vascular encefálico), á que o encéfalo engloba não só o cérebro, mas também o cerebelo, hipotálamo e o tronco cerebral, áreas do sistema nervoso central passíveis de sofrer infarto. Alguns sintomas são formigamentos nos membros inferiores ou no rosto, paralisias e dificuldades para se movimentar, fraqueza muscular, dor de cabeça intensa e repentina, dificuldades para caminhar e manter o equilíbrio e problemas para falar ou entender o que os outros dizem (fala arrastada) e problemas de visão, entre outros.


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parkinson
Amigos ou familiares geralmente são os primeiros a notar pequenas mudanças na pessoa. Pode ser um braço ou uma perna movimentando-se menos do que o outro lado, a expressão facial que perde a espontaneidade (como se fosse uma máscara) ou até mesmo a diminuição da frequência com que a pessoa pisca o olho. Embora não exista a cura para o Mal de Parkinson, cuidados adequados e tratamento correto auxiliam os indivíduos a terem mais qualidade de vida. “Mas, para isso é necessário ficar atento aos primeiros sinais, para que a doença seja tratada desde o início. Em muitos casos, os movimentos tornam-se mais vagarosos, a pessoa permanece por mais tempo em determinada posição e parece um tanto rígida”, explica Feres Chaddad Neto, o neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

À medida que a doença progride, aparecem outros sintomas que devem ser levados em conta. “O tremor é geralmente o primeiro a ser notado pelo paciente e acomete primeiramente um dos lados, usualmente uma das mãos, mas pode se iniciar em um dos pés. Segurar um objeto ou ler o jornal podem se tornam atividades árduas”, completa Chaddad.

A incidência da doença é alta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos é afetada pela doença e só no Brasil o número de pessoas atingidas chega a 200 mil. O Parkinson, também conhecido como Mal de Parkinson, é uma enfermidade degenerativa, crônica e progressiva, que atinge, em geral, pessoas mais velhas, a partir dos 60 anos. O neurocirurgião Feres Chaddad Neto diz que “a doença ocorre pela perda de neurônios da chamada substância negra, responsáveis por sintetizar a dopamina (neurotransmissor indispensável para o funcionamento do cérebro), cuja diminuição provoca sintomas motores como tremor, rigidez muscular, diminuição da velocidade dos movimentos e distúrbios do equilíbrio e da marcha”. Além desses sinais, o médico aponta para o surgimento de depressão, alterações do sono, diminuição da memória e distúrbios do sistema nervoso.

O neurocirurgião afirma que os motivos da degeneração ainda são desconhecidos, mas fatores genéticos e outros podem desencadear a síndrome, como:

• Uso exagerado e contínuo de medicamentos, como a cinarizina, usada para aliviar tonturas e melhorar a memória, a qual pode bloquear o receptor que permite a eficácia da dopamina.

• Trauma craniano repetitivo, como no caso de lutadores de boxe.

• Isquemia cerebral, quando entope a artéria que leva sangue à região do cérebro responsável pela produção de dopamina.

• Ambientes tóxicos, como indústrias de manganês (de baterias, por exemplo), de derivados de petróleo e de inseticidas.

As estratégias de tratamento dividem-se em medidas farmacológicas, não-farmacológicas e tratamento cirúrgico. Além disso, o neurocirurgião alerta para a existência de uma série de hábitos que ajudam as pessoas a enfrentar as alterações orgânicas e psicológicas decorrentes da doença. “O suporte psicológico médico e familiar deve ser estimulado. Como muitos pacientes desenvolvem depressão é recomendável o uso de antidepressivos, bem como terapia ocupacional, grupos de apoio e o incentivo à práticas moderadas de exercício físico”, acrescenta.

Embora não exista a cura para o Mal de Parkinson, o neurocirurgião esclarece que os cuidados auxiliam os indivíduos a terem mais qualidade de vida. “Mas, para isso é necessário ficar atento aos primeiros sinais, para que a doença seja tratada desde o início”.


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timo

No meio do peito, bem atrás do osso externo, aquele onde a gente toca quando diz “eu”, fica uma pequena glândula chamada “timo” e que faz parte do sistema imunológico. É onde se dá a maturação de um tipo de célula de defesa, o linfócito T, essencial para a resposta imunológica do organismo.

Em grego thymos significa “Energia Vital”. Sua cor é variável, vermelha no feto, branco-acinzentada nos primeiros anos de vida e tornando-se depois, amarelada. O timo, plenamente desenvolvido, é de formato piramidal, encapsulado e formado por dois lobos fundidos. Por ocasião do nascimento pesa de 10 a 35g e continua crescendo de tamanho até a puberdade, 15 anos, quando alcança um peso máximo de 20 a 50g. Daí por diante, sofre atrofia progressiva até pouco mais de 5 a 15g no idoso.

Augusto César Mazolla, professor de Meditação do Ideac, diz que é preciso estimular o timo para garantir as defesas do organismo. Segundo ele, ódio, mágoas e ideias negativas têm mais poder sobre ele do que vírus ou bactérias, baixando a nossa imunidade, trazendo doenças como o herpes, por exemplo, Por outro lado, amor, afetividade, generosidade e alegria fazem muito bem ao timo e ao nosso corpo físico e mental. O próprio Chacra Cardíaco, fonte energética de união e compaixão, tem a ver com essa glândula! É nesse chacra que segundo os Budistas ensinam se dá a Passagem do Estágio Animal para o Estágio Humano.

Durante o curso de Meditação, Augusto dá dicas muito práticas e aprender a estimular o timo é uma delas. Quer aprender? Você pode fazer a prática pela manhã, ao levantar, ou à noite, antes de dormir. Vamos praticar?

1. Fique de pé com os joelhos levemente dobrados. A distância entre os pés deve ser a mesma que a distância entre os ombros. Ponha o peso do corpo sobre os dedos dos pés, aliviando o peso dos calcanhares e mantenha-se relaxado.

2. Feche qualquer uma das mãos e comece a dar pancadinhas contínuas com os nós dos dedos no centro do peito, marcando o ritmo assim: uma pancada forte e duas fracas – por mais ou menos 3 a 5 minutos, respirando calmamente, observando a vibração que isso causa em seu tórax. Esse exercício atrai sangue e energia para o timo, aumentando a vitalidade, coragem, calma e a nutrição emocional. (Fonte: Sonia Hirsch – jornalista e pesquisadora naturista).