IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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Maria Thereza Bortolo fez o curso de Memória e Criatividade com a psicóloga Sonia Fuentes, no Ideac, e uma das tarefas foi fazer um teto sobre um objeto marcante ligado à memória afetiva. Vejam que texto emocionante:

“Era uma mulher brava, baixinha, gordinha e tinha um pouco de barba e bigode. Era uma mulher seca, não parecia ter desejos, Antonia era o seu nome, todos a temiam. Ela era a bedel naquela escola pública em que eu estudava. Eu ia começar cursar o ginásio, tinha 12 anos.

O seu trabalho com as alunas, era medir a altura da saia do uniforme e verificar se cobria ou não o joelho. Tinha que cobrir. Tínhamos também que mostrar as costas sobre a blusa para que verificassem se usávamos combinação, o sutiã não podia aparecer. O esmalte, mesmo transparente, não era permitido e era obrigatório removê-lo. Assim que passávamos da área do seu olhar, enrolávamos a saia na cintura para que ficasse mais curta.

As moças deveriam ser bens comportadas e se casarem virgens. Ninguém falava nada conosco sobre sexualidade. Aprendíamos com as amigas esses segredos.

Um dia aconteceu algo muito diferente nas nossas vidas naquela cidade em que tudo era pecado, e que o único teatro era a igreja: coroávamos Nossa Senhora, éramos anjo nas procissões…

Não me esqueço daquele dia. Recebemos das mãos da dona Antonia, só para as meninas do primeiro ano ginasial, um pequeno livro com o título ‘’Ser quase mulher e ser feliz”. Ela entregou mecanicamente e dizia que era nosso e que era para lermos em casa.

Mal pude acreditar quando abri o livro e lá estava tudo sobre ‘’aqueles dias’’. O que podíamos e não deveríamos fazer. Nós éramos meninas-moças, com vergonha de ficarmos ‘’incomodadas’’, esse era o termo usado para menstruação.

Tanto o texto como a ilustração, mostravam delicadeza, informações, cuidados, moças bonitas e felizes praticando várias atividades “naqueles dias”.

Como uma mulher como a dona Antonia podia ter participado desse momento de transição tão misterioso e desejado pelas meninas? Guardo até hoje o livrinho como uma obra de arte, como um tesouro e um profundo agradecimento e amor por ela.

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A fé pode ser uma forte aliada durante a luta contra o câncer. Esse é o tema do livro Espiritualidade e Oncologias – Conceitos e Prática, que propõe a abordagem da doença e das condições terminais em que o paciente se encontra, por meio da espiritualidade, da tríade humana (corpo, aparelho psíquico e espírito) e de uma visão mais profunda da dor.

Lançado pela Atheneu, a obra tem edição do oncologista clínico Felipe Moraes Toledo Pereira, médico assistente na Unidade de Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina, e dos editores associados, Diego de Araújo Toloi, médico assistente de cancerologia clínica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Antônio da Silva Andrade, psicólogo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Tiago Pugliese Branco, médico geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para falar sobre o tema, o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira deu uma entrevista exclusiva para as redes sociais do Ideac. Confira:

Não é comum médicos falarem de espiritualidade, como surgiu a ideia do livro?

Surgiu exatamente da necessidade de ter em português alguma literatura que pudesse ajudar colegas médicos, enfermeiros e outros membros de equipe com texto que os ajudasse de maneira didática a começar a refletir sobre inserção da espiritualidade no contexto do atendimento ao paciente.  O tema foi debatido no I Simpósio de Espiritualidade e Oncologia do Instituto do Câncer, e nós coordenamos um evento pioneiro com diversos palestrantes que depois colocaram por escrito essa experiência. Foram aulas brilhantes e conseguimos documentar. Todas essas reflexões fazem parte desse livro. Foram três anos de trabalho, mas estamos felizes com o retorno, com a receptividade dos profissionais de saúde e pacientes.

Qual é o objetivo maior do livro?

Esse livro se volta especificamente para um público que lida com pacientes mais graves da existência humana e do sofrimento. O livro vem tirar os grupos de estudos de espiritualidade da orfandade, veio suprir essa lacuna. Tenho visto nas palestras uma aceitação muito grande pelo tema

Como vê a questão da espiritualidade para os doentes?

A espiritualidade ela é um componente de todos os seres humanos, todos temos uma busca inata pelo sentido e propósito da vida, mas cada um vai buscar valores diferentes de transcendência. Quando essa busca se conecta com transcendência, falamos de espiritualidade. Essa busca pode ter ou não influencia religiosa. Quando o ser humano adoece, diante de uma doença grave, muitas vezes se questiona sobre a morte, sobre planos frustrados, sobre Deus, sobre a própria existência. Essas reflexões geram sofrimento espiritual. E cuidar desse sofrimento é tentar facilitar a assistência religiosa, facilitar essa conversa. Investir nesse tema geralmente traz bons resultados, menos ansiedade, menos depressão, menos sofrimento.

Como a fé pode ajudar? Ela está incluída nos cuidados paliativos?

O cuidado paliativo busca tratar com perfeição os sintomas do paciente de maneira a diminuir o sofrimento. Como esses profissionais sempre tiveram um olhar mais integrado, quem faz cuidado paliativo tem um viés mais amplo para ajudar, é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da espiritualidade. Muitos colegas dessa área ajudam. O geriatra, de maneira geral, reflete mais sobre o envelhecimento e volta o seu olhar para temas relacionados à existência.

Acha que esse olhar dos médicos para a espiritualidade está mudando?

Acredito que sim. No livro, tentamos apresentar uma série de evidências científicas dos casos que temos disponíveis. Mas há muitas citações de literatura e de autores que já trabalharam na área. Há um capítulo especial de pesquisa científica na área da espiritualidade. Por isso tenho certeza que esse olhar está mudando. Em novembro teremos o II Simpósio de Espiritualidade e Oncologia, dias 8 e 9, no Hospital do Câncer, que está aberto a todos os interessados. E o interesse vem aumentando, felizmente.


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A palavra é cada vez mais usada e geralmente utilizada como sinônimo de resistência quando o seu significado se refere a flexibilidade e capacidade para enfrentar mudanças, mas seu sentido vai mais além. A resiliência para a psicologia científica é comportamento e não um traço da personalidade, pode ser treinada e aprendida, como explica o psicólogo, professor, escritor e consultor João Marcos Varella, especialista no tema.  Ela é aplicada em Psicoterapia, desenvolvimento de lideranças e de grupos de trabalho, desenvolvimento comportamental em escolas, em coaching e no desenvolvimento de famílias.

João Marcos participou de um encontro com o Grupo de Reflexões do Ideac para falar sobre o tema. Segundo ele, tudo começou quando duas psicólogas da área de psicologia do desenvolvimento foram para o Havaí e passaram a acompanhar 700 crianças durante mais de 30 anos.

“As crianças viviam num grau de adversidade, a característica comum entre elas, filhos de pescadores ou cortadores de cana, com problemas de alimentação, ausência de acompanhamento, saúde, educação. Depois de 30 anos de observação sistemática, um grupo tinha superado as dificuldades, se adaptado à sociedade e à vida adulta, constituído família e era produtivo. Um grupo teve dificuldades, mas acabou se adaptando, e um terceiro grupo que teve muitas dificuldades se envolveu com drogas, doenças e vários outros problemas”.

Depois disso, a pesquisa foi publicada em livro que despertou o interesse dos cientistas para entender o resultado: o que determinava a qualidade do desenvolvimento do grupo bem adaptado? A primeira tentativa foi identificar se era um traço de personalidade, mas as pesquisas não confirmavam. As crianças inicialmente foram chamadas de invulneráveis e depois de resilientes, associadas a um comportamento de enfrentar desafios.

Durante mais de 20 anos foram muitos outros trabalhos, mas por volta do ano 2000 um autor desenvolveu um trabalho mostrando que resiliência era comportamento e não traço de personalidade. Assim, poderia ser mapeada, aprendida, e treinada. Os estudos se focaram na resiliência como comportamento. Na Universidade da Pensilvânia se desenvolveram os primeiros estudos sobre Resiliência, quando dois pesquisadores orientados por Martin Seligman criaram a primeira ferramenta para mapear a resiliência.

João Marcos explica que essa ferramenta já evoluiu, foi aperfeiçoada e tem sido aplicada em empresas, escolas. “Eles treinaram resiliência em mais de um milhão de soldados americanos e constataram a diminuição de suicídios, de síndrome pós-traumática, de divórcios e depressão comparados com outros que não passaram por esse treinamento”.

Em 2005, João Marcos conheceu o professor George Barbosa, que em 2006 defendeu a tese de doutorado sobre o tema e desde essa época vem trabalhando com ele com sobre aplicação de resiliência. George desenvolveu uma metodologia de mapeamento por processos estatísticos com indicadores com base no que foi desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e identificou oito comportamentos. Essa ferramenta já tem milhares de aplicações.

“Você age pelo conjunto dos 8 comportamentos. O interessante é que conhecendo e identificando em você seus comportamentos resilientes, pode ser mais fácil aprender e treinar para enfrentar os desafios”, comenta.

Conheça os comportamentos identificados

O mapeamento resulta numa localização pessoal com referência na curva de Gauss com o comportamento de equilíbrio resiliente na média e aponta desvios com relação a essa média. Numa direção o desvio aumenta a intolerância e a raiva; na outra, a passividade e a tristeza. Quanto maior o desvio, maior o risco de conflito e estresse.

  1. Análise de contexto ou pensamento crítico – Significa uma boa visão da realidade. Quando o desvio é para o lado da intolerância, a pessoa acredita que a realidade é aquela que ela imagina, tem uma visão inadequada do mundo, tem dificuldade em aceitar as evidências da realidade, entra em conflito e aumenta o estresse. Do outro lado ocorre a passividade, aceita mesmo em conflito ou sofrimento, vai se acomodando à diferença entre o desejo e a realidade. Com o desvio, a pessoa perde a qualidade do seu pensamento crítico e entra em conflito ou pela intolerância, ou pela passividade.
  2. Autoconfiança – É quando a pessoa estabelece metas, desafios, objetivos adequados à sua condição de alcançá-los. Quando tem um desvio da autoconfiança, podem ser estabelecidos metas e desvios fora do alcance de nossas possibilidades. No extremo tem o aventureiro, a pessoa que toma decisões para objetivo que não consegue alcançar. No outro extremo vem a passividade na autoconfiança, pessoa sem iniciativa, sem o comportamento protagonista.
  3. Autocontrole – Se manifesta na administração das emoções diante de conflitos e situações de tensão. São pessoas que têm que negociar, que têm que obter resultados através de outras pessoas. Quando a situação não está de acordo com as suas expectativas, elas sentem raiva ou, por outro lado, se submetem.
  4. Conquistar e manter pessoas – É a capacidade de criar vínculos, principalmente com pessoas desconhecidas. É uma característica do bom vendedor, por exemplo. Um desvio para a intolerância faz com que a pessoa tente insistir na sua forma de fazer, acontecer.
  5. Empatia – É a capacidade de entender o pensamento e o sentimento da outra pessoa. Quando isso falha, a pessoa assume que sabe o que o outro está pensando ou sentindo, e age de uma forma que vai entrar em conflito. Ou se deixa submeter à forma como a pessoa com quem se relaciona pensa e sente e entra em conflito. Quem tem uma boa empatia consegue ser um bom líder, um bom mediador, faz com que as pessoas se envolvam com os seus objetivos e compartilhem. O desenvolvimento da empatia facilita a vida das pessoas.
  6. Leitura corporal – É a capacidade para perceber como se sentir do ponto de vista físico. Uma pessoa na intolerância pode ser extremamente sensível (como o hipocondríaco, por exemplo) e na passividade pode trabalhar até a exaustão porque não se dá conta do esforço que está fazendo.
  7. Otimismo com a vida – O excesso de otimismo é quando eu acredito que tudo vai dar certo, mesmo quando não depende de mim. Exemplo: vou ganhar na loteria. No outro extremo vem o pessimismo, que ocorre quando eu tenho as condições para realizar, mas eu não acredito. O otimismo equilibrado traz a capacidade de ver que as coisas podem melhorar, mas na medida em que condições pessoais e as condições do contexto e do ambiente permitem acreditar nisso.
  8. Sentido da vida ou propósito – A passividade nesse comportamento é o famoso “deixa a vida me levar”, esperando o que vier, não tenho pelo que lutar. O excesso, a intolerância desse sentido da vida é o fanatismo, radicalismo.

Conclusão

Para o especialista, o ideal de Resiliência é conseguir o equilíbrio de todos esses comportamentos: “Quando as pessoas têm muitas posições nos extremos, elas têm um conflito e um estresse permanente. São pessoas com problemas de relacionamentos. O importante é saber que é possível treinar as pessoas para que elas diminuam o grau de conflito e tenham ganhos em direção à flexibilidade. Não há correlação entre esses comportamentos, não seguem uma regra e são independentes”.

João Marcos tem aplicado a técnica com famílias, organizando treinamentos dos familiares para criar identidade, intensificar os vínculos, aumentar a autoconfiança (empoderamento) e a comunicação (empatia na família). “Depois que conseguimos consolidar esses pontos, é possível que a família se una para compartilhar uma visão de futuro, planejar esse futuro, construir um conselho de família para preservar o patrimônio e dar segurança para as próximas gerações. Chamamos esse processo de Governança Familiar, tendo na primeira etapa uma fase comportamental e depois a fase operacional de planejamento”, conclui.

Para saber mais: http://sobrare.com.br


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O curso com a psicóloga Sonia Fuentes começa dia 1º de Outubro

Nosso cérebro precisa de exercício para funcionar bem e evitar a perda de neurônios que chega com a idade. Pequenos lapsos são normais, mas quando você aprende a turbinar seu cérebro consegue melhorar a memória, ter mais concentração, exercer a criatividade e ter mais facilidade de aprendizado.

Oficina de memória e criatividade é destinada a pessoas interessadas em desenvolver e exercitar sua memória e em aperfeiçoar estratégias de prevenção de problemas a ela relacionados. Além do conteúdo básico teórico para compreender o funcionamento dos mecanismos do cérebro, haverá práticas para o aprimoramento da memória. Quanto mais desafios e atividades de estímulo à memória nos impusermos, menores serão, ao longo da vida, os riscos de déficit. Segundo vários estudos, a rede sináptica é dinâmica e pode ser ampliada durante toda a vida. Usar o cérebro permite formar novas conexões com outros neurônios.

Como será 

Coordenação: Dra. Sonia Fuentes, Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Especialista em Geriatria e Gerontologia pela Escola Paulista de Medicina. Especialista em Medicina Psicossomática pela ABMP. Especialista em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Sonia é autora do “Tecendo o chamado de Atena e Aracne”, da Portal Edições.

Duração: 8 encontros

Outubro: dias 01, 08, 15, 22 e 29;

Novembro: dias 05, 12 e 26

Às segundas-feiras

Horário: das 18 às 20 horas

Local: Rua Pamplona, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

Limite de inscrições: até 15 participantes

Valor total: R$ 480,00 (3 x de R$ 160,00)

Para participantes do Ideac: R$ 432,00 (3x de R$ 144,00)

Inscrições e informações

Site:  http://www.ideac.com.br/

Blog: https://ideacblog.wordpress.com

https://www.facebook.com/ideacnovo/

Twitter :  @ideacnovo

Canal do Youtube: O novo da velhice

Istagram: @ideac7

Inscrições pelo e-mail cadastro@ideac.com.br ou pelos telefones (11) 3885-0091 e 99946-3554


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“É no corpo que as marcas da velhice aparecem com mais evidência…”

(Maria Celia de Abreu – Velhice uma nova paisagem)

Os pés de uma pessoa de 70 anos já fizeram o percurso equivalente a 3 vezes a volta ao mundo. Pois bem, a expectativa de vida está aumentando e muitos idosos poderão viver até os 100 anos. Olhar com carinho e cuidar dos pés fará uma grande diferença na qualidade do processo do envelhecimento. Doenças tais como artrite, artrose, osteoporose, diabetes, cardiopatias, neuropatias, doenças vasculares periféricas e reumatismo podem ser provocadas por alterações e lesões significativas nas pernas e pés.

Já pensaram sobre isso? Muitas vezes nos preocupamos tanto com o rosto, os braços, as pernas e esquecemos dos nossos pés. Com o envelhecer, os pés também precisam de cuidados especiais para garantir uma base segura. Aldeci Oliveira é uma podóloga especializada no tratamento de pessoas idosas e atende com a paciência de quem sabe a importância de cuidar com carinho e atenção dos seus clientes. Ela já atuou muitos anos em clínicas de podologia e clínica médica, mas atualmente atende em domicílio e em casas de repouso, fazendo trabalho voluntário e também profissional.

O diferencial de Aldeci começa quando ela faz a ficha de anamnese do cliente, para conhecer melhor seu estado de saúde, suas necessidades e limitações, utilizando as informações como parâmetro para buscar o tratamento adequado.

Formada em Podologia pelo Senac há 14 anos, Aldeci nesse tempo percebeu a carência de profissionais voltados para a demanda do crescimento de idosos que necessitam de cuidados mais específicos, bem como a falta de divulgação da importância dos cuidados paliativos. “Existe também a carência do trabalho multidisciplinar e a participação da família em como lidar com os cuidados adequados demandados pelo estado de saúde do idoso. É muito importante o acompanhamento podológico nas casas assistidas para idosos, nas casas de repouso de curta permanência e em casa também”, alerta.

 

Problemas e cuidados

Manter os pés limpos tem grande importância para a prevenção de infecção, especialmente nos casos de diabetes e neuropatias. As unhas sofrem com problemas de micoses, traumas, grossas, secas, finas, quebradiças, onduladas, escuras. Nos dedos podem aparecer inchaços, frieiras, calos, rigidez e mudança nos tons da pele. Os pés podem ficar frios, rígidos, secos, escamosos, inchados, avermelhados, com rachaduras no calcanhar, com calos, calosidades, feridas, e até mau cheiro.

Dicas

Aldeci ensina que ao acordar, antes de se levantar, é muito bom fazer movimentos suaves de flexão, extensão, rotação interna e externas dos pés. Em seguida flexionar e estender as pernas. “Com o auxílio dos dedos indicador e polegar das mãos pressione os dedos dos pés, a começar pelo halux (dedão) até o dedo mínimo. E preste atenção no que está fazendo, faça tudo com bastante emoção”.

Outra dica é usar um espelho para verificar se não há presença de fissuras entre os dedos, rachaduras nos calcanhares, presença de calos, calosidades e como está a coloração dos pés. “Sinta a temperatura, se há formigamento, queimação e perda da sensibilidade. Verifique também se há a presença de úlceras de pressão e feridas”, alerta,

Cuidados preventivos

No caso de diminuição da sensibilidade na região dos pés ela diz que a pessoa não deve usar água em alta temperatura, o indicado é a água morna para não provocar lesões.  “Evite queimaduras e alta exposição ao sol. Após tomar banho, use de papel toalha para secar entre os dedos e remover células mortas. Aplique o papel toalha fazendo movimentos circulares e suaves para não provocar ferimentos na pele. pós secar bem os pés aplique em seguida o creme hidratante. Evite passar creme entre os dedos para que não fique úmido e provoque atritos ocasionando fissuras”, recomenda.

Aldeci também indica sempre o uso de meias de algodão, sem costura e que não prenda a circulação, principalmente no caso de pessoas acometidas por diabetes. O melhor horário para se comprar calçados é no final da tarde ou no começo da noite, pois os pés e os dedos ficam mais inchados: “Antes de calçar os sapatos verifique se não há a presença de objetos estranhos no seu interior. E preste atenção no corte correto das unhas. A unha do idoso costuma ser grossa. Use alicate de corte de unhas. Faça o corte em linha reta e finalize com uma lixa arredondando sutilmente os cantos, respeitando o formato das unhas”.

Podologia

É a especialidade que estuda os pés, um dos ramos das ciências da saúde que tem por objetivo a prevenção, investigação e tratamentos dos pés. O início da podologia no mundo gira em torno de cinco milhões de anos. Em 54 depois de cristo surge o primeiro calista, Cayus, que era o soldado do imperador Nero e calista oficial de sua esposa. O início da podologia do Brasil data de 1890, localizada na rua São Bento em São Paulo. Na década de 30 chega ao Brasil o Dr. School, organização americana localizada na rua do Arouche.

Em 1990 o Senac Centro de educação e saúde em São Paulo passou a ministrar o curso de técnico em podologia. O tempo de formação é de 18 meses. O mercado de atuação são clínicas de podologia, hospitais, casas de repouso, clubes, hotéis, Spas e residências.

Sobre Aldeci

Ela nasceu em Campina Grande, na Paraíba, filha de casal de nordestinos que resolveu vir para São Paulo com os quatro filhos em busca de melhores oportunidades. Quando chegou Aldeci tinha 11 meses e aqui nasceu sua irmã caçula.

Lembra que mãe tocava modinhas com saudades da família, muito sentimento. Com 11 anos ela e o irmão mais velho iam para a feira vender calçado em uma banca de um casal de portugueses nas férias da escola. Depois, adolescente, foi trabalhar como recepcionista em uma clínica de Odontologia ao lado de sua casa e adorava ajudar nos instrumentos.

A vida profissional incluiu, ainda, trabalho em companhias de seguros, até que ela e o marido abriram uma produtora de fotos e vídeos, que durou até o final do casamento, por volta de 2002. Ela e a filha recomeçaram uma nova fase. Um de seus primeiros projetos foi realizar o sonho de correr na São Silvestre. Conseguiu fazer o curso de Podologia e percebeu que era o que realmente queria fazer como profissão. A paixão por tratar de idosos estava presente e foi reforçada quando fez o curso “Velhice, uma nova paisagem”, com a psicóloga Maria Celia de Abreu, no Ideac.

Seu contato: (11) 953818237


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Por Eoghan Macguire, CNN – 24/agosto/2018

(Tradução da psicóloga Maria Celia de Abreu )

 

(CNN) – Qual é o segredo de viver até os 100? Alguns dizem que é garantir muito exercício; outros apontam para os benefícios de um clima ameno. Há até alguns que sugerem que uma vida sexual sadia tem muito a ver com isso.

O número de pessoas que vivem até os 100 anos pode ser relativamente pequeno, mas está se tornando mais comum – particularmente em países como o Japão, que tem a mais alta proporção de centenários no mundo.

Dados do Ministério da Saúde do Japão estimam que em 2017 havia 67.824 japoneses com 100 anos ou mais. Em 1965, quando o país começou a registrar estatísticas de cidadãos velhos, havia apenas 153 centenários.

Em resultado, os políticos no Japão começaram a considerar como prover para aqueles que chegavam ao clube dos 100 – e o que encontraram pode ser [útil para o resto do mundo nos próximos anos.

No ano passado, o Primeiro Ministro japonês Shinzo Abe conduziu uma série de encontros no Conselho para Planejar a Vida com Mais de 100 anos em Sociedade, um grupo de especialistas formado para preparar um aumento no número de centenários.

A comissão analisou questões tão diversas como reformar as políticas de seguro social, reavaliar o que significa ser mais velho e a diversificação de práticas corporativas de empregabilidade. Mas não é só para mais centenários que o país está tendo que se preparar.

Desafios de uma população que envelhece

Vinte e sete por cento da população do Japão tem 65 anos ou mais, de acordo com dados do Banco Mundial. Em 1990, era apenas 11%.

Enquanto viver mais é geralmente algo positivo, isso cria inevitavelmente uma porção de desafios práticos, tais como o fardo sobre o Estado para prover serviços, pensões e cuidados para um número crescente de velhos. No Japão, isto vem junto com um baixo índice de nascimentos, o que significa que há menos pessoas com idade de trabalhar para pagar pelos serviços para os velhos através de impostos ou de trabalho para companhias japonesas.

O número de recém-nascidos caiu durante 37 anos consecutivos no Japão, e o Ministério da Saúde faz uma projeção de que a população irá ascender de seus atuais 126.26 milhões para 86.74 milhões por volta de 2060.

Uma vida ‘multi-estágios’

Entre os que estiveram nos primeiros encontros do conselho de Abe, estava Lynda Gratton, professora de prática de negócios na London Business School e coautora do livro “Os 100 Anos de Vida: Viver e Trabalhar numa Idade Longeva”.

Quando considerando esta questão de populações que envelhecem, ela diz, é importante que os governos e empresas “contem uma história” sobre como as pessoas podem começar a viver “vidas multi-estágios” onde elas conseguem fazer pausas na carreira e trabalhar por mais tempo e em numerosas áreas. Esta “narrativa” ajudará a assinalar os desafios que virão e a encorajar a conversação sobre como será a vida em sociedades que envelhecem, acrescenta Gratton.

O governo japonês propôs estender a idade para aposentadoria obrigatória de 60 para 65 anos. Também mencionou encorajar uma “educação recorrente”, ajudando pessoas a serem retreinadas ao longo de suas carreiras profissionais, assim como permitindo que aquelas que quiserem trabalhar em idades avançadas o façam.

O Professor Hiroko Akiyama, do Instituto de Gerontologia a Universidade de Tóquio, acredita que estas são novidades benvindas, mas diz que o ritmo da mudança necessita ser mais rápido. “Nossa força de trabalho está encolhendo, então temos que tomar medidas drásticas agora,” disse ele.

Akiyama chama a atenção para como o escritório compartilhado, padrões de trabalho flexíveis e a telecomunicação podem todos desempenhar um papel e ajudar mais pessoas a ficarem por mais tempo em suas carreiras. As descobertas da inteligência artificial e da robótica, longe de reduzir oportunidades de emprego, também podem ajudar os mais velhos a trabalhar por mais tempo, compensando qualidades que as pessoas podem perder ao envelhecer, como por exemplo forca ou flexibilidade, ela acrescenta.

Além do mundo do trabalho, os sistemas de cuidados com a saúde serão provavelmente afetados por populações que envelhecem e forçados a se adaptar a isso. Política e valores também poderiam estar começando a se modificar, com os mais velhos sendo em geral considerados eleitores mais conservadores.

Lidando com um mundo que envelhece

O Japão tem sido uma das nações que mais visivelmente considera estes desafios, mas está longe de estar sozinho no ser afetado por eles.

A população global de pessoas mais velhas (aquelas com 60 anos ou mais) importava em 962 milhões em 2017, de acordo com o relatório das Nacões Unidas sobre o Envelhecimento Populacional (UN World Population Ageing). Isso é mais que o dobro do que em 1980, quando havia 382 milhões de pessoas mais velhas no mundo, e espera-se que o número dobre de novo por volta de 2050, alcançando cerca de 2.1 bilhões.

O envelhecimento das populações é mais pronunciado na Europa e na América do Norte, segundo o relatório. O Escritório de Censo dos Estados Unidos (US Census Bureau) projeta que o número de centenários lá irá inflar de 86,248 em 2017 para 600,000 por volta de 2060. Até o momento estas questões também estão pesando nas considerações de Hong Kong, Coréia do Sul, Singapura, Austrália e Nova Zelândia.

Lá por 2050, espera-se que as pessoas mais velhas componham 35% de populações na Europa, 28% na América do Norte, 25% na América Latina e Caribe, 24% na Ásia, 23% na Oceania e 9% na África, segundo estimativa do relatório das Nações Unidas.

Gratton aponta desenvolvimentos positivos na Dinamarca, que tem procurado por cenários para futuro cuidados com os mais velhos, e Singapura, que ela diz que tem revisto suas políticas e removido quaisquer sugestões de que pessoas mais velhas podem ser menos capazes de desempenhar certas tarefas ou papéis do que pessoas mais jovens.

Akiyama, enquanto isso, diz que o Japão tem sido forçado a considerar a questão antes do que a maioria das nações devido ao ritmo em que sua população está envelhecendo. Os políticos do país também parecem menos ávidos do que outros para atrair jovens trabalhadores estrangeiros.

Idade de oportunidade?

Hoje em dia também pode haver oportunidade dentro dos desafios de uma sociedade que envelhece.

Os negócios no Japão começaram a abrir academias de fitness que atendem aos mais velhos, enquanto cuidadores robôs têm sido introduzidos em moradias para idosos, aparelhos caros que podem se tornar lucrativos itens de exportação.

Gratton diz que o Japão está à frente de robôs e máquinas que assistem os mais velhos enquanto “os que tem mais de 55 estão gastando mais do que qualquer um” no país.

Entretanto, ela acrescenta que os países precisam também começar a planejar globalmente para um futuro no qual a vida tradicional em três setores, estudar, trabalhar e se aposentar, não se aplica mais.

As pessoas tornaram-se muito mais proativas”, ela diz. Tanto quanto planejar, economizar e manter-se saudável, ela precisa ser mais esperta sobre como será o futuro.”

Em vez de pensar sobre ficar ainda mais velhas, as pessoas deveriam pensar sobre ficar mais jovens por mais tempo.

Link do artigo em inglês: https://www.cnn.com/2018/08/24/health/japan-100-year-life/index.html

 


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Através da última pesquisa divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde, ficamos sabendo que cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os dias. O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens, mas entre os idosos os números também são preocupantes. A taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas em média 8,9 suicídios por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 suicídios por 100 mil pessoas. Os números também são preocupantes em outros países. Em Quebec, no Canadá, num simpósio sobre o suicídio de idosos realizado pela Associação de Aposentados de Instituições Públicas e Paraestatais (AQRP) foi revelada uma triste realidade: de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSPQ), o grupo etário com 65 anos e mais é o segundo que apresenta maior índice de suicídios entre os idosos. Em 2008, 137 pessoas com 65 anos de idade morreram por suicídio no Quebec. Entre as razões para essa alta incidência de suicídios entre os idosos, estão a solidão, o perceber-se socialmente inútil, a depressão, o abandono, o surgimento de uma doença sem perspectiva de cura ou apontando para uma prolongada e crescente dependência, a penúria financeira etc.

Em uma organização social que professe valores humanistas, em detrimento da competição e do lucro sem limites, que reconheça o valor do velho, e que o ampare, respeite seus direitos e se recuse a aceitar preconceitos contra o idoso, esse índice será, sem dúvida, sensivelmente rebaixado.