IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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“É no corpo que as marcas da velhice aparecem com mais evidência…”

(Maria Celia de Abreu – Velhice uma nova paisagem)

Os pés de uma pessoa de 70 anos já fizeram o percurso equivalente a 3 vezes a volta ao mundo. Pois bem, a expectativa de vida está aumentando e muitos idosos poderão viver até os 100 anos. Olhar com carinho e cuidar dos pés fará uma grande diferença na qualidade do processo do envelhecimento. Doenças tais como artrite, artrose, osteoporose, diabetes, cardiopatias, neuropatias, doenças vasculares periféricas e reumatismo podem ser provocadas por alterações e lesões significativas nas pernas e pés.

Já pensaram sobre isso? Muitas vezes nos preocupamos tanto com o rosto, os braços, as pernas e esquecemos dos nossos pés. Com o envelhecer, os pés também precisam de cuidados especiais para garantir uma base segura. Aldeci Oliveira é uma podóloga especializada no tratamento de pessoas idosas e atende com a paciência de quem sabe a importância de cuidar com carinho e atenção dos seus clientes. Ela já atuou muitos anos em clínicas de podologia e clínica médica, mas atualmente atende em domicílio e em casas de repouso, fazendo trabalho voluntário e também profissional.

O diferencial de Aldeci começa quando ela faz a ficha de anamnese do cliente, para conhecer melhor seu estado de saúde, suas necessidades e limitações, utilizando as informações como parâmetro para buscar o tratamento adequado.

Formada em Podologia pelo Senac há 14 anos, Aldeci nesse tempo percebeu a carência de profissionais voltados para a demanda do crescimento de idosos que necessitam de cuidados mais específicos, bem como a falta de divulgação da importância dos cuidados paliativos. “Existe também a carência do trabalho multidisciplinar e a participação da família em como lidar com os cuidados adequados demandados pelo estado de saúde do idoso. É muito importante o acompanhamento podológico nas casas assistidas para idosos, nas casas de repouso de curta permanência e em casa também”, alerta.

 

Problemas e cuidados

Manter os pés limpos tem grande importância para a prevenção de infecção, especialmente nos casos de diabetes e neuropatias. As unhas sofrem com problemas de micoses, traumas, grossas, secas, finas, quebradiças, onduladas, escuras. Nos dedos podem aparecer inchaços, frieiras, calos, rigidez e mudança nos tons da pele. Os pés podem ficar frios, rígidos, secos, escamosos, inchados, avermelhados, com rachaduras no calcanhar, com calos, calosidades, feridas, e até mau cheiro.

Dicas

Aldeci ensina que ao acordar, antes de se levantar, é muito bom fazer movimentos suaves de flexão, extensão, rotação interna e externas dos pés. Em seguida flexionar e estender as pernas. “Com o auxílio dos dedos indicador e polegar das mãos pressione os dedos dos pés, a começar pelo halux (dedão) até o dedo mínimo. E preste atenção no que está fazendo, faça tudo com bastante emoção”.

Outra dica é usar um espelho para verificar se não há presença de fissuras entre os dedos, rachaduras nos calcanhares, presença de calos, calosidades e como está a coloração dos pés. “Sinta a temperatura, se há formigamento, queimação e perda da sensibilidade. Verifique também se há a presença de úlceras de pressão e feridas”, alerta,

Cuidados preventivos

No caso de diminuição da sensibilidade na região dos pés ela diz que a pessoa não deve usar água em alta temperatura, o indicado é a água morna para não provocar lesões.  “Evite queimaduras e alta exposição ao sol. Após tomar banho, use de papel toalha para secar entre os dedos e remover células mortas. Aplique o papel toalha fazendo movimentos circulares e suaves para não provocar ferimentos na pele. pós secar bem os pés aplique em seguida o creme hidratante. Evite passar creme entre os dedos para que não fique úmido e provoque atritos ocasionando fissuras”, recomenda.

Aldeci também indica sempre o uso de meias de algodão, sem costura e que não prenda a circulação, principalmente no caso de pessoas acometidas por diabetes. O melhor horário para se comprar calçados é no final da tarde ou no começo da noite, pois os pés e os dedos ficam mais inchados: “Antes de calçar os sapatos verifique se não há a presença de objetos estranhos no seu interior. E preste atenção no corte correto das unhas. A unha do idoso costuma ser grossa. Use alicate de corte de unhas. Faça o corte em linha reta e finalize com uma lixa arredondando sutilmente os cantos, respeitando o formato das unhas”.

Podologia

É a especialidade que estuda os pés, um dos ramos das ciências da saúde que tem por objetivo a prevenção, investigação e tratamentos dos pés. O início da podologia no mundo gira em torno de cinco milhões de anos. Em 54 depois de cristo surge o primeiro calista, Cayus, que era o soldado do imperador Nero e calista oficial de sua esposa. O início da podologia do Brasil data de 1890, localizada na rua São Bento em São Paulo. Na década de 30 chega ao Brasil o Dr. School, organização americana localizada na rua do Arouche.

Em 1990 o Senac Centro de educação e saúde em São Paulo passou a ministrar o curso de técnico em podologia. O tempo de formação é de 18 meses. O mercado de atuação são clínicas de podologia, hospitais, casas de repouso, clubes, hotéis, Spas e residências.

Sobre Aldeci

Ela nasceu em Campina Grande, na Paraíba, filha de casal de nordestinos que resolveu vir para São Paulo com os quatro filhos em busca de melhores oportunidades. Quando chegou Aldeci tinha 11 meses e aqui nasceu sua irmã caçula.

Lembra que mãe tocava modinhas com saudades da família, muito sentimento. Com 11 anos ela e o irmão mais velho iam para a feira vender calçado em uma banca de um casal de portugueses nas férias da escola. Depois, adolescente, foi trabalhar como recepcionista em uma clínica de Odontologia ao lado de sua casa e adorava ajudar nos instrumentos.

A vida profissional incluiu, ainda, trabalho em companhias de seguros, até que ela e o marido abriram uma produtora de fotos e vídeos, que durou até o final do casamento, por volta de 2002. Ela e a filha recomeçaram uma nova fase. Um de seus primeiros projetos foi realizar o sonho de correr na São Silvestre. Conseguiu fazer o curso de Podologia e percebeu que era o que realmente queria fazer como profissão. A paixão por tratar de idosos estava presente e foi reforçada quando fez o curso “Velhice, uma nova paisagem”, com a psicóloga Maria Celia de Abreu, no Ideac.

Seu contato: (11) 953818237

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Através da última pesquisa divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde, ficamos sabendo que cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os dias. O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens, mas entre os idosos os números também são preocupantes. A taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas em média 8,9 suicídios por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 suicídios por 100 mil pessoas. Os números também são preocupantes em outros países. Em Quebec, no Canadá, num simpósio sobre o suicídio de idosos realizado pela Associação de Aposentados de Instituições Públicas e Paraestatais (AQRP) foi revelada uma triste realidade: de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSPQ), o grupo etário com 65 anos e mais é o segundo que apresenta maior índice de suicídios entre os idosos. Em 2008, 137 pessoas com 65 anos de idade morreram por suicídio no Quebec. Entre as razões para essa alta incidência de suicídios entre os idosos, estão a solidão, o perceber-se socialmente inútil, a depressão, o abandono, o surgimento de uma doença sem perspectiva de cura ou apontando para uma prolongada e crescente dependência, a penúria financeira etc.

Em uma organização social que professe valores humanistas, em detrimento da competição e do lucro sem limites, que reconheça o valor do velho, e que o ampare, respeite seus direitos e se recuse a aceitar preconceitos contra o idoso, esse índice será, sem dúvida, sensivelmente rebaixado.


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A resposta para essa questão pode ser surpreendente. Em palestra no TED, a pesquisadora Julianne Holt-Sunstad, da Brigham Youg University, coordenou estudos sobre o estilo de vida de pessoas na meia idade. Ela observou aspectos como dieta, exercícios, status conjugal, frequência de visitas ao médico, hábitos como beber e fumar e outros. Os resultados foram registrados e ela e seus colegas na universidade esperaram sete anos para voltar aos entrevistados em condições de serem avaliados novamente. A pergunta então foi: o que mais reduz suas chances de morrer?

Em sua pesquisa, indo do preditor menos poderoso para o mais poderoso, vieram muitas surpresas. Se você, por exemplo, está acima do peso ou não gosta muito de exercício, não precisa se sentir tão culpado, porque esse dado ocupa apenas o terceiro lugar.

Vacina da gripe, quem diria, protege muito mais do que exercícios.  Entre os preditores mais importantes estão duas características ligadas à sua vida social. Primeiro, seus relacionamentos próximos, ligados às pessoas que você pode recorrer para um empréstimo se você precisar de repente de um dinheiro urgente, ou que chamarão o médico se você não estiver bem. Ou mesmo para levá-lo para um hospital ou, ainda, que vai se sentar ao seu lado quando você estiver tendo uma crise existencial ou em desespero.

Essas pessoas, esse provavelmente pequeno grupo de pessoas, se você os tiver (e tomara que tenha), são fortes preditores de quanto você irá viver.

Outro ponto inesperado na pesquisa é o chamado de integração social. Significa aquelas pessoas que você interage ao longo do seu dia. Com quem fala? Com o porteiro, com as pessoas no elevador, com vizinhos, com o dono da banca de jornal, com os funcionários do prédio? Podem ser laços fortes ou fracos, não apenas com aquelas pessoas próximas por relação familiar ou de amizade, mas também aquelas com quem mantém esse contato cotidiano. Você joga bridge, buraco, sinuca, pertence a algum clube de leitura. Sim, essas relações também são muito importantes para prolongar seu tempo de vida.

Os preditores, pela ordem de importância:

  1. Integração social
  2. Relacionamentos próximos
  3. Parar de fumar
  4. Parar de beber
  5. Vacina contra a gripe
  6. Exercício
  7. Sobrepeso
  8. Hipertensão
  9. Ar puro

Para saber mais, segue a íntegra em inglês:

https://www.ted.com/talks/susan_pinker_the_secret_to_living_longer_may_be_your_social_life/transcript?language=pt-br


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Suely Tonarque tem 67 anos, é pedagoga, psicóloga e tem Mestrado em Gerontologia – Percurso da Moda e a Realidade Atual. O interesse pelo tema do envelhecimento começou no ano 2008. Veio daí o projeto de criar moda para velhos. Como há 30 anos atua no segmento da moda, resolveu abrir com a irmã a loja Dudabyduda, à Rua Delfina 101, Vila Madalena, São Paulo. Nessa entrevista especial para o Ideac ela fala sobre seu trabalho:

Qual é a estética da velhice?

Com o envelhecimento, vamos percebendo as mudanças físicas e emocionais, e a estética se modifica durante esse processo. Cada indivíduo é singular e assim também sua forma de expressar a estética na velhice. O visual se transforma através dos anos, as vestimentas não podem mais ser as mesmas do passado porque o corpo sofreu mudanças. Não existe uma estética modelo para a velhice, ela é individual e particular.

Qual é a diferença entre criar moda para mulheres para velhas?

Quem cria moda para velhos deve ter em conta as mudanças corporais: com maior sensibilidade da pele, o tecido deve ser confortável. Como as medidas aumentam, os moldes não são os convencionais.  Pela flacidez dos braços, as mangas se tornam mais cumpridas e discretas. Há uma tendência de optar por cores mais neutras.

A moda ajuda a trazer mais alegria na velhice?

A alegria de viver depende de cada pessoa. A moda pode trazer uma satisfação na escolha da vestimenta, demostrando uma das facetas do desejo de viver.

O que é fundamental para uma roupa adequada para a mulher velha?

É importante primeiramente que a mulher aceite o seu envelhecimento para que suas roupas sejam adequadas a seu corpo, esse é o primeiro passo.

Como achar o estilo na velhice?

Existem dois estilos, o estilo que acompanha a vida da pessoa e o estilo de cada fase da vida. Também a moda determina algum estilo que o velho pode ou não se se identificar.


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Por Maria Celia de Abreu (*)

É muito bom saber que um fato acreditado pelo senso comum é referendado pela Ciência. É o caso de um estudo de pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, e da Universidade de Haifa, em Israel, tema do artigo de Suzana Hercula Houzel na Folha de S. Paulo, dia 31 de julho.

As pesquisas concluem que duas pessoas de mãos dadas têm as ondas de seus respectivos cérebros sincronizadas. Em ambas se estabelece uma sensação prazerosa e, se uma delas está com dor, surge um efeito analgésico, enquanto aumenta a capacidade de empatia da outra.

Trabalhos de observação de comportamento, bem como a sabedoria popular, já indicavam a importância do toque para a saúde emocional e física do idoso, e dos prejuízos quando ele não existe. Claro que, como em todas as regras, há quem sinta o toque físico como desagradável, ou até mesmo insuportável, mas essa é uma minoria.

Infelizmente, dentro de uma cultura que desvaloriza o velho, e que também associa toque físico exclusivamente ao sexual, o velho é muito pouco tocado, afagado, abraçado, acariciado, massageado.

Precisamos divulgar que preconceitos levam a um desnecessário estreitamento de expectativa, e que a neuropsicologia tem feito descobertas marcantes que podem melhorar muito a qualidade de vida das pessoas em geral, e dos nossos velhos em especial.

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga e coordenadora do Ideac, autora do livro “Velhice, uma nova paisagem” (Ed. Ágora)


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Por Maria Celia de Abreu (*)

A vida é uma grande aventura. Cheia de desafios e de surpresas. Com momentos de felicidade e outros de dificuldade. Cabe a quem percorre o caminho da vida semear boas probabilidades para seu próprio futuro, bem como prestar mais atenção às coisas boas do que às complicadas. Vivemos num mundo violento, desigual, injusto. Mas dentro dele podemos buscar ilhas de harmonia, de calor humano, de procedimentos éticos. Contamos com a sorte, mas também com nossos esforços, nossa batalha, persistência e com um não ceder a concessões baratas.

Não há receitas prontas para viver e envelhecer bem. O que é bom para um pode não ser bom para outro! Acho que a pessoa deve ser coerente com valores éticos, ser capaz de prestar atenção no outro e trabalhar duro pelos seus projetos e sonhos. O mais importante, parafraseando o psicanalista Viktor Frankl, não é descobrir o que você quer da vida, mas aquilo que a vida quer de você. Na maturidade é mais fácil, o velho se conhece bem, sabe do seu potencial e pode buscar alternativas inclusive para retribuir à sociedade o que recebeu.

Uma das necessidades principais do ser humano é a de pertencer. Pertencer a uma família, a um país, a uma empresa ou profissão, a um clube, a um partido político… É por esse caminho que uma pessoa se reconhece, que se sente com uma determinada identidade. O idoso que encontra um espaço que lhe agrada e se sente pertencendo a ele tem uma boa vantagem para a sua qualidade de vida. Outra necessidade humana fundamental é a de conviver com outras pessoas. Pertencer e conviver, sentir-se útil, trocar afetos com familiares e amigos, aprender, confirmar a própria identidade, abrir novas áreas na vida, favorecem a saúde emocional e física de qualquer pessoa, incluindo-se a do idoso. Conserve seus amigos, busque novos amigos, convide pessoas para sair, para frequentar a sua casa e aceite convites também. O preço de quem não consegue isso é o amargo sentimento de solidão. Vale a pena investir em bons relacionamentos, eles influem muito na nossa saúde física e mental.

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga, coordenadora do Ideac e autora de “Velhice, uma nova paisagem”