IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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A fé pode ser uma forte aliada durante a luta contra o câncer. Esse é o tema do livro Espiritualidade e Oncologias – Conceitos e Prática, que propõe a abordagem da doença e das condições terminais em que o paciente se encontra, por meio da espiritualidade, da tríade humana (corpo, aparelho psíquico e espírito) e de uma visão mais profunda da dor.

Lançado pela Atheneu, a obra tem edição do oncologista clínico Felipe Moraes Toledo Pereira, médico assistente na Unidade de Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina, e dos editores associados, Diego de Araújo Toloi, médico assistente de cancerologia clínica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Antônio da Silva Andrade, psicólogo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Tiago Pugliese Branco, médico geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para falar sobre o tema, o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira deu uma entrevista exclusiva para as redes sociais do Ideac. Confira:

Não é comum médicos falarem de espiritualidade, como surgiu a ideia do livro?

Surgiu exatamente da necessidade de ter em português alguma literatura que pudesse ajudar colegas médicos, enfermeiros e outros membros de equipe com texto que os ajudasse de maneira didática a começar a refletir sobre inserção da espiritualidade no contexto do atendimento ao paciente.  O tema foi debatido no I Simpósio de Espiritualidade e Oncologia do Instituto do Câncer, e nós coordenamos um evento pioneiro com diversos palestrantes que depois colocaram por escrito essa experiência. Foram aulas brilhantes e conseguimos documentar. Todas essas reflexões fazem parte desse livro. Foram três anos de trabalho, mas estamos felizes com o retorno, com a receptividade dos profissionais de saúde e pacientes.

Qual é o objetivo maior do livro?

Esse livro se volta especificamente para um público que lida com pacientes mais graves da existência humana e do sofrimento. O livro vem tirar os grupos de estudos de espiritualidade da orfandade, veio suprir essa lacuna. Tenho visto nas palestras uma aceitação muito grande pelo tema

Como vê a questão da espiritualidade para os doentes?

A espiritualidade ela é um componente de todos os seres humanos, todos temos uma busca inata pelo sentido e propósito da vida, mas cada um vai buscar valores diferentes de transcendência. Quando essa busca se conecta com transcendência, falamos de espiritualidade. Essa busca pode ter ou não influencia religiosa. Quando o ser humano adoece, diante de uma doença grave, muitas vezes se questiona sobre a morte, sobre planos frustrados, sobre Deus, sobre a própria existência. Essas reflexões geram sofrimento espiritual. E cuidar desse sofrimento é tentar facilitar a assistência religiosa, facilitar essa conversa. Investir nesse tema geralmente traz bons resultados, menos ansiedade, menos depressão, menos sofrimento.

Como a fé pode ajudar? Ela está incluída nos cuidados paliativos?

O cuidado paliativo busca tratar com perfeição os sintomas do paciente de maneira a diminuir o sofrimento. Como esses profissionais sempre tiveram um olhar mais integrado, quem faz cuidado paliativo tem um viés mais amplo para ajudar, é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da espiritualidade. Muitos colegas dessa área ajudam. O geriatra, de maneira geral, reflete mais sobre o envelhecimento e volta o seu olhar para temas relacionados à existência.

Acha que esse olhar dos médicos para a espiritualidade está mudando?

Acredito que sim. No livro, tentamos apresentar uma série de evidências científicas dos casos que temos disponíveis. Mas há muitas citações de literatura e de autores que já trabalharam na área. Há um capítulo especial de pesquisa científica na área da espiritualidade. Por isso tenho certeza que esse olhar está mudando. Em novembro teremos o II Simpósio de Espiritualidade e Oncologia, dias 8 e 9, no Hospital do Câncer, que está aberto a todos os interessados. E o interesse vem aumentando, felizmente.

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Recentemente o Jornal The New York Times publicou matéria sobre uma experiência interessante realizada na Holanda para pacientes com demência. O autor é Ilvy Njiokiktjien e o texto foi traduzido para nossas redes sociais pela psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac:

“Estamos perdidas”, disse Truus Ooms, 81, para sua amiga Annie Arendsen, 83, enquanto andavam juntas num ônibus urbano. “Sendo o motorista, você teria obrigação de saber onde é que estamos”, disse Ms. Arendsen para Rudi ten Brink, 63, que estava sentado no banco do motorista do ônibus.

Mas ela estava brincando.

Os três são pacientes demenciados em um estabelecimento ao leste da Holanda. O passeio de ônibus deles – uma rota pelas estradas planas e ladeadas de árvores da zona rural holandesa – era uma simulação que é projetada várias vezes por dia em três telas de vídeo.

É parte de uma abordagem não ortodoxa para tratamento de demência em que médicos e cuidadores holandeses têm sido pioneiros: aproveitamento do poder do relaxamento, de memórias de infância, auxílios sensoriais, música suave, estrutura familiar e outros instrumentos para curar, acalmar e estimular os residentes, em vez de confiar nas velhas receitas de repouso na cama, medicação e, em alguns casos, contenção física.

“Quanto mais se reduz o stress, melhor”, disse Dr. Erik Scherder, um neuropsicólogo da Vrije Universiteit Amstendam e um dos mais conhecidos especialistas em cuidados com demência.  “Se você baixar o stress e o desconforto, isso tem um efeito fisiológico direto”.

A simulação de passeios de ônibus ou em praias – como uma que existe num estabelecimento em Haarlem, não distante de uma praia real – criam um ponto de encontro para pacientes. A experiência compartilhada leva-os a falar sobre passeios anteriores e tirar um mini fim de semana em suas vidas diárias.

A demência, um grupo de síndromes relacionadas entre si, manifesta-se num declínio rápido das funções cerebrais. Rouba das famílias seus entes queridos e consome recursos, paciência e finanças.

Cerca de 270 000 holandeses – aproximadamente 8,4 por cento dos 3.2 milhões de habitantes com mais de 64 anos de idade – tem demência, e o governo prevê que esse número vai dobrar nos próximos 25 anos.

Em anos recentes, o governo tem preferido pagar “home care” do que manter um estabelecimento licenciado, de modo que a maioria das pessoas com demência vive em casa. Os estabelecimentos, que são administrados por particulares, mas contam com fundos públicos, são em geral reservados para pessoas em estado avançado da doença.

Nos anos 90, os holandeses começaram a pensar de modo diferente sobre como tratar a doença, afastando-se de uma abordagem medicamentosa. “Nos anos 80, os clientes eram tratados como pacientes em um hospital”, disse Ilse Achterberg, uma antes terapeuta ocupacional, que foi uma das pioneiras das salas “sensoriais” (“snoezel”), que combinam terapia por luz, aroma, massagem e som, e permitem que os pacientes relaxem e acessem emoções que são frequentemente bloqueadas em ambientes clínicos estressantes. Estas salas foram as precursoras de algumas das técnicas encontradas hoje em muitos estabelecimentos da Holanda.

Técnicas inovadoras

No lar Amstelring Leo Polak em Amsterdan, por exemplo, há a reprodução de um ponto de ônibus, onde Jan Post, um paciente de 98 anos de idade, muitas vezes se senta e beija sua esposa, Catahrina Post, quando ela o visita.

Mr. Post, que tem uma demência severa, só consegue criar 10 segundos de memória de curto prazo e tem medo de não encontrar o caminho de volta ao seu quarto quando sai dele.

“Setenta anos casados e ainda nos amamos”, disse Ms. Post, 92, que faz visitas várias vezes por semana. Recentemente, os Posts estavam bebendo e papeando no Bolle Jan, uma recriação de um restaurante real de Amsterdã, feita numa área de convivência do lar. Se os entornos eram falsos, o álcool era de verdade, e as piadas, frequentemente repetidas, provocavam gargalhadas verdadeiras. A cantoria, por vezes cambaleante, era entusiástica.

Enquanto cuidadores e acadêmicos acreditam que tais ambientes ajudam os pacientes demenciados a lidar melhor com a vida, é difícil chegar a uma evidência sólida de sua eficácia a longo termo, em parte porque essa condição é incurável.

Mas Katja Ebbbem, que trabalha com cuidados intensivos em Vitalis Peppelrode, um estabelecimento em Eindhovem, no sudeste do país, disse que ela notou que com as novas técnicas os pacientes precisavam de menos medicação e menos contenções físicas.

Willy Briggen, 89, que está em avançado estágio de demência, vive no estabelecimento de Eindhove. Como muitos demenciados, Ms Briggen algumas vezes fica impaciente, até mesmo descontrolada. Os surtos exigem um esforço da equipe da casa, que luta para lidar com sua frágil estrutura. Há uma década, teriam lhe prescritos drogas ou contenção para lidar com os rompantes.

Mas quando ela fica inquieta, a equipe liga um projetor no quarto dela, que produz imagens calmantes e sons suaves. Numa visita recente, Ms. Briggen foi de um estado emocional de óbvio desconforto para um de calma reflexiva, enquanto ela olhava para o teto de seu quarto particular, que estava enfeitado com a projeção de cenas da natureza, inclusive de patos.

Dos 210 residentes no estabelecimento Eindhovem, 90 têm demência e estão restritos a andares especiais para sua própria segurança. O prédio de tijolo aparente e vidros tem assoalhos de linóleo, tetos baixos e portas largas para permitir a passagem de camas sobre rodas. A despeito do estilo médico, sua decoração tem ecos de uma era passada, quando Ms Briggen teria sido uma menina.

Os andares exibem móveis antiquados, de madeira escura, e os cômodos são decorados com livros, telefones de discar e máquinas de escrever de 50 libras. As mesas da lanchonete são cobertas por toalhas de tecido e flores frescas. Eles não têm o odor de um hospital.

Ao repensar em como lidar com pacientes com demência, muitos centros focalizaram nos ambientes. Outra tática é reorganizar os residentes para criar agrupamentos de “família” de seis a dez pessoas.

Os residentes de muitos dos estabelecimentos holandeses têm seus próprios quartos, e são encorajados a considera-los seu território próprio. Com frequência há uma sala de uso comum e uma cozinha, onde residentes ajudam em tarefas como descascar batatas e lavar salada.

Na luta contra depressão e passividade, que são frequentemente sintomas da condição, os cuidadores também procuram estimular os residentes com atividades como dança.

Cuidados especiais

“É na verdade em relação a todas as pequenas coisas que compõem uma vida normal”, disse Pamela Grootjans, uma enfermeira de Sensire Den Ooman, o estabelecimento em Doetinchem que oferece o passeio de ônibus simulado.

Na moradia com cuidados especiais Christian Beth-San em Moerkapelle, próxima ao The Hague, Arie Pieter Hofman, 87, e Neeltje Hofman-Heij, 88, usam uma bicicleta simulada conectada a um  tambor posto em rotação quando pedalam para percorrer cenas de sua antiga vizinhança em Gouda, projetadas em uma tela plana.

A companhia que faz o passeio de bicicleta, Bike Labyrinth, vendeu o simulador a mais de 500 estabelecimentos na Holanda. O fabricante holandês dos projetores, Qwiek, diz que há unidades em 750 estabelecimentos holandeses.

“A ideia é desafiar um pouquinho o paciente, de um modo positivo,” diz Dr. Scherder, o neuro-psicólogo de Amsterdã. “Deixá-los numa cadeira, passivos, torna a progressão da doença muito mais rápida. “

Numa recente visita ao centro de cuidados Vreugdehof em Amsterdã, uma residente, Anna Leeman-Koning, 90, brincava com uma foca terapêutica robótica. Ela ajuda a trazer à tona velhas emoções, momentaneamente afastando a desorientação causada pela perda irreversível e progressiva das faculdades do paciente.

Mas a foca começou a sacudir demais sua cauda robótica, preocupando Ms Leeman-Koning. “Por favor se acalme, por favor se acalme,” ela disse. “O que posso fazer para acalmar você?”

Leia o artigo na íntegra em Inglês:

https://www.nytimes.com/2018/08/22/world/europe/dementia-care-treatment-symptoms-signs.html?utm_source=meio&utm_medium=email


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“É no corpo que as marcas da velhice aparecem com mais evidência…”

(Maria Celia de Abreu – Velhice uma nova paisagem)

Os pés de uma pessoa de 70 anos já fizeram o percurso equivalente a 3 vezes a volta ao mundo. Pois bem, a expectativa de vida está aumentando e muitos idosos poderão viver até os 100 anos. Olhar com carinho e cuidar dos pés fará uma grande diferença na qualidade do processo do envelhecimento. Doenças tais como artrite, artrose, osteoporose, diabetes, cardiopatias, neuropatias, doenças vasculares periféricas e reumatismo podem ser provocadas por alterações e lesões significativas nas pernas e pés.

Já pensaram sobre isso? Muitas vezes nos preocupamos tanto com o rosto, os braços, as pernas e esquecemos dos nossos pés. Com o envelhecer, os pés também precisam de cuidados especiais para garantir uma base segura. Aldeci Oliveira é uma podóloga especializada no tratamento de pessoas idosas e atende com a paciência de quem sabe a importância de cuidar com carinho e atenção dos seus clientes. Ela já atuou muitos anos em clínicas de podologia e clínica médica, mas atualmente atende em domicílio e em casas de repouso, fazendo trabalho voluntário e também profissional.

O diferencial de Aldeci começa quando ela faz a ficha de anamnese do cliente, para conhecer melhor seu estado de saúde, suas necessidades e limitações, utilizando as informações como parâmetro para buscar o tratamento adequado.

Formada em Podologia pelo Senac há 14 anos, Aldeci nesse tempo percebeu a carência de profissionais voltados para a demanda do crescimento de idosos que necessitam de cuidados mais específicos, bem como a falta de divulgação da importância dos cuidados paliativos. “Existe também a carência do trabalho multidisciplinar e a participação da família em como lidar com os cuidados adequados demandados pelo estado de saúde do idoso. É muito importante o acompanhamento podológico nas casas assistidas para idosos, nas casas de repouso de curta permanência e em casa também”, alerta.

 

Problemas e cuidados

Manter os pés limpos tem grande importância para a prevenção de infecção, especialmente nos casos de diabetes e neuropatias. As unhas sofrem com problemas de micoses, traumas, grossas, secas, finas, quebradiças, onduladas, escuras. Nos dedos podem aparecer inchaços, frieiras, calos, rigidez e mudança nos tons da pele. Os pés podem ficar frios, rígidos, secos, escamosos, inchados, avermelhados, com rachaduras no calcanhar, com calos, calosidades, feridas, e até mau cheiro.

Dicas

Aldeci ensina que ao acordar, antes de se levantar, é muito bom fazer movimentos suaves de flexão, extensão, rotação interna e externas dos pés. Em seguida flexionar e estender as pernas. “Com o auxílio dos dedos indicador e polegar das mãos pressione os dedos dos pés, a começar pelo halux (dedão) até o dedo mínimo. E preste atenção no que está fazendo, faça tudo com bastante emoção”.

Outra dica é usar um espelho para verificar se não há presença de fissuras entre os dedos, rachaduras nos calcanhares, presença de calos, calosidades e como está a coloração dos pés. “Sinta a temperatura, se há formigamento, queimação e perda da sensibilidade. Verifique também se há a presença de úlceras de pressão e feridas”, alerta,

Cuidados preventivos

No caso de diminuição da sensibilidade na região dos pés ela diz que a pessoa não deve usar água em alta temperatura, o indicado é a água morna para não provocar lesões.  “Evite queimaduras e alta exposição ao sol. Após tomar banho, use de papel toalha para secar entre os dedos e remover células mortas. Aplique o papel toalha fazendo movimentos circulares e suaves para não provocar ferimentos na pele. pós secar bem os pés aplique em seguida o creme hidratante. Evite passar creme entre os dedos para que não fique úmido e provoque atritos ocasionando fissuras”, recomenda.

Aldeci também indica sempre o uso de meias de algodão, sem costura e que não prenda a circulação, principalmente no caso de pessoas acometidas por diabetes. O melhor horário para se comprar calçados é no final da tarde ou no começo da noite, pois os pés e os dedos ficam mais inchados: “Antes de calçar os sapatos verifique se não há a presença de objetos estranhos no seu interior. E preste atenção no corte correto das unhas. A unha do idoso costuma ser grossa. Use alicate de corte de unhas. Faça o corte em linha reta e finalize com uma lixa arredondando sutilmente os cantos, respeitando o formato das unhas”.

Podologia

É a especialidade que estuda os pés, um dos ramos das ciências da saúde que tem por objetivo a prevenção, investigação e tratamentos dos pés. O início da podologia no mundo gira em torno de cinco milhões de anos. Em 54 depois de cristo surge o primeiro calista, Cayus, que era o soldado do imperador Nero e calista oficial de sua esposa. O início da podologia do Brasil data de 1890, localizada na rua São Bento em São Paulo. Na década de 30 chega ao Brasil o Dr. School, organização americana localizada na rua do Arouche.

Em 1990 o Senac Centro de educação e saúde em São Paulo passou a ministrar o curso de técnico em podologia. O tempo de formação é de 18 meses. O mercado de atuação são clínicas de podologia, hospitais, casas de repouso, clubes, hotéis, Spas e residências.

Sobre Aldeci

Ela nasceu em Campina Grande, na Paraíba, filha de casal de nordestinos que resolveu vir para São Paulo com os quatro filhos em busca de melhores oportunidades. Quando chegou Aldeci tinha 11 meses e aqui nasceu sua irmã caçula.

Lembra que mãe tocava modinhas com saudades da família, muito sentimento. Com 11 anos ela e o irmão mais velho iam para a feira vender calçado em uma banca de um casal de portugueses nas férias da escola. Depois, adolescente, foi trabalhar como recepcionista em uma clínica de Odontologia ao lado de sua casa e adorava ajudar nos instrumentos.

A vida profissional incluiu, ainda, trabalho em companhias de seguros, até que ela e o marido abriram uma produtora de fotos e vídeos, que durou até o final do casamento, por volta de 2002. Ela e a filha recomeçaram uma nova fase. Um de seus primeiros projetos foi realizar o sonho de correr na São Silvestre. Conseguiu fazer o curso de Podologia e percebeu que era o que realmente queria fazer como profissão. A paixão por tratar de idosos estava presente e foi reforçada quando fez o curso “Velhice, uma nova paisagem”, com a psicóloga Maria Celia de Abreu, no Ideac.

Seu contato: (11) 953818237


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Através da última pesquisa divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde, ficamos sabendo que cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os dias. O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens, mas entre os idosos os números também são preocupantes. A taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas em média 8,9 suicídios por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 suicídios por 100 mil pessoas. Os números também são preocupantes em outros países. Em Quebec, no Canadá, num simpósio sobre o suicídio de idosos realizado pela Associação de Aposentados de Instituições Públicas e Paraestatais (AQRP) foi revelada uma triste realidade: de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSPQ), o grupo etário com 65 anos e mais é o segundo que apresenta maior índice de suicídios entre os idosos. Em 2008, 137 pessoas com 65 anos de idade morreram por suicídio no Quebec. Entre as razões para essa alta incidência de suicídios entre os idosos, estão a solidão, o perceber-se socialmente inútil, a depressão, o abandono, o surgimento de uma doença sem perspectiva de cura ou apontando para uma prolongada e crescente dependência, a penúria financeira etc.

Em uma organização social que professe valores humanistas, em detrimento da competição e do lucro sem limites, que reconheça o valor do velho, e que o ampare, respeite seus direitos e se recuse a aceitar preconceitos contra o idoso, esse índice será, sem dúvida, sensivelmente rebaixado.


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A resposta para essa questão pode ser surpreendente. Em palestra no TED, a pesquisadora Julianne Holt-Sunstad, da Brigham Youg University, coordenou estudos sobre o estilo de vida de pessoas na meia idade. Ela observou aspectos como dieta, exercícios, status conjugal, frequência de visitas ao médico, hábitos como beber e fumar e outros. Os resultados foram registrados e ela e seus colegas na universidade esperaram sete anos para voltar aos entrevistados em condições de serem avaliados novamente. A pergunta então foi: o que mais reduz suas chances de morrer?

Em sua pesquisa, indo do preditor menos poderoso para o mais poderoso, vieram muitas surpresas. Se você, por exemplo, está acima do peso ou não gosta muito de exercício, não precisa se sentir tão culpado, porque esse dado ocupa apenas o terceiro lugar.

Vacina da gripe, quem diria, protege muito mais do que exercícios.  Entre os preditores mais importantes estão duas características ligadas à sua vida social. Primeiro, seus relacionamentos próximos, ligados às pessoas que você pode recorrer para um empréstimo se você precisar de repente de um dinheiro urgente, ou que chamarão o médico se você não estiver bem. Ou mesmo para levá-lo para um hospital ou, ainda, que vai se sentar ao seu lado quando você estiver tendo uma crise existencial ou em desespero.

Essas pessoas, esse provavelmente pequeno grupo de pessoas, se você os tiver (e tomara que tenha), são fortes preditores de quanto você irá viver.

Outro ponto inesperado na pesquisa é o chamado de integração social. Significa aquelas pessoas que você interage ao longo do seu dia. Com quem fala? Com o porteiro, com as pessoas no elevador, com vizinhos, com o dono da banca de jornal, com os funcionários do prédio? Podem ser laços fortes ou fracos, não apenas com aquelas pessoas próximas por relação familiar ou de amizade, mas também aquelas com quem mantém esse contato cotidiano. Você joga bridge, buraco, sinuca, pertence a algum clube de leitura. Sim, essas relações também são muito importantes para prolongar seu tempo de vida.

Os preditores, pela ordem de importância:

  1. Integração social
  2. Relacionamentos próximos
  3. Parar de fumar
  4. Parar de beber
  5. Vacina contra a gripe
  6. Exercício
  7. Sobrepeso
  8. Hipertensão
  9. Ar puro

Para saber mais, segue a íntegra em inglês:

https://www.ted.com/talks/susan_pinker_the_secret_to_living_longer_may_be_your_social_life/transcript?language=pt-br


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Suely Tonarque tem 67 anos, é pedagoga, psicóloga e tem Mestrado em Gerontologia – Percurso da Moda e a Realidade Atual. O interesse pelo tema do envelhecimento começou no ano 2008. Veio daí o projeto de criar moda para velhos. Como há 30 anos atua no segmento da moda, resolveu abrir com a irmã a loja Dudabyduda, à Rua Delfina 101, Vila Madalena, São Paulo. Nessa entrevista especial para o Ideac ela fala sobre seu trabalho:

Qual é a estética da velhice?

Com o envelhecimento, vamos percebendo as mudanças físicas e emocionais, e a estética se modifica durante esse processo. Cada indivíduo é singular e assim também sua forma de expressar a estética na velhice. O visual se transforma através dos anos, as vestimentas não podem mais ser as mesmas do passado porque o corpo sofreu mudanças. Não existe uma estética modelo para a velhice, ela é individual e particular.

Qual é a diferença entre criar moda para mulheres para velhas?

Quem cria moda para velhos deve ter em conta as mudanças corporais: com maior sensibilidade da pele, o tecido deve ser confortável. Como as medidas aumentam, os moldes não são os convencionais.  Pela flacidez dos braços, as mangas se tornam mais cumpridas e discretas. Há uma tendência de optar por cores mais neutras.

A moda ajuda a trazer mais alegria na velhice?

A alegria de viver depende de cada pessoa. A moda pode trazer uma satisfação na escolha da vestimenta, demostrando uma das facetas do desejo de viver.

O que é fundamental para uma roupa adequada para a mulher velha?

É importante primeiramente que a mulher aceite o seu envelhecimento para que suas roupas sejam adequadas a seu corpo, esse é o primeiro passo.

Como achar o estilo na velhice?

Existem dois estilos, o estilo que acompanha a vida da pessoa e o estilo de cada fase da vida. Também a moda determina algum estilo que o velho pode ou não se se identificar.