IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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De repente você esquece onde colocou as chaves, o número do telefone do filho, o nome daquele ator tão admirado. Calma, segundo o geriatra Alberto de Macedo Soares, nem sempre esses pequenos lapsos de memória podem significar início de um processo de demência ou a temida doença de Alzheimer. Segundo ele, é normal pequenos esquecimentos, desde que não se repitam com muita frequência, e que um diagnóstico depende de uma investigação correta: “As vezes, o esquecimento está ligado a uma alteração na tiroide ou uma carência de vitamina B12”, ele diz.

A Doença de Alzheimer é uma patologia que costuma ocorrer em pessoas idosas, com mais de 60 anos. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), no Brasil, já são mais de um 1,6 milhão de pessoas acometidas por este mal. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê o aumento nos casos até 2050, chegando a 135,5 milhões.

Por ser degenerativa, a dificuldade de diagnóstico contribui para o preconceito e a falta de aceitação social. Entre os sintomas, a perda de memória recente dificulta a vida cotidiana, seja na realização de tarefas ou em se localizar no tempo e espaço. É ainda comum associar com problemas com a fala e escrita e com mudanças bruscas de humor. Demência é um termo inclusivo que abrange muitas condições e várias doenças – incluindo a doença de Alzheimer, é uma perda cognitiva em qualquer momento da vida.

As síndromes demenciais se classificam entre as tratáveis, que podem inclusive ser revertidas, e a demências irreversíveis, como é o caso do Alzheimer. Até mesmo a perda da audição, se não cuidada, pode levar ao estado de demência, pois à medida que não escutamos também não interagimos e nos isolamos.

Siga os conselhos do geriatra para garantir uma boa qualidade de vida:

  1. Manter atividade física, o que é benéfico inclusive para pessoas portadoras de Alzheimer. O exercício físico pode brecar o desenvolvimento do quadro e trazer melhoras para o paciente;
  2.  Manter relacionamentos sociais, buscar amigos, participar de palestras, começar um curso de idiomas, dançar, ouvir música e procurar novas atividades para ampliar nossas sinapses. O isolamento favorece os estados de demência;
  3. Tenha muito cuidado com os remédios em excesso, especialmente relaxantes, calmantes, ansiolíticos. A assimilação pelo idoso tem longa duração. Ou seja, no corpo de um jovem, um relaxante ou calmante  pode ser liberado em poucas horas; no idoso, pode levar até 72 horas. Assim, quem toma esses medicamentos diariamente passa por um efeito cumulativo e o risco é grande, pois os músculos estarão permanentemente relaxados e, consequentemente, não sustentarão os ossos. Aí podem ocorrer as quedas com a temida fratura de fêmur;
  4. Não se descuide das emoções. Seja com terapia, conversas ou desabafos ao longo da vida, tente se livrar do estresse, um dos grandes fatores que nos levam ao adoecer;
  5. Por último, beba água, muita água sempre. O ideal é beber dois litros por dia. Quando a pessoa envelhece costuma não ter sede e a desidratação se instala rápido.
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A fé pode ser uma forte aliada durante a luta contra o câncer. Esse é o tema do livro Espiritualidade e Oncologias – Conceitos e Prática, que propõe a abordagem da doença e das condições terminais em que o paciente se encontra, por meio da espiritualidade, da tríade humana (corpo, aparelho psíquico e espírito) e de uma visão mais profunda da dor.

Lançado pela Atheneu, a obra tem edição do oncologista clínico Felipe Moraes Toledo Pereira, médico assistente na Unidade de Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina, e dos editores associados, Diego de Araújo Toloi, médico assistente de cancerologia clínica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Antônio da Silva Andrade, psicólogo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Tiago Pugliese Branco, médico geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para falar sobre o tema, o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira deu uma entrevista exclusiva para as redes sociais do Ideac. Confira:

Não é comum médicos falarem de espiritualidade, como surgiu a ideia do livro?

Surgiu exatamente da necessidade de ter em português alguma literatura que pudesse ajudar colegas médicos, enfermeiros e outros membros de equipe com texto que os ajudasse de maneira didática a começar a refletir sobre inserção da espiritualidade no contexto do atendimento ao paciente.  O tema foi debatido no I Simpósio de Espiritualidade e Oncologia do Instituto do Câncer, e nós coordenamos um evento pioneiro com diversos palestrantes que depois colocaram por escrito essa experiência. Foram aulas brilhantes e conseguimos documentar. Todas essas reflexões fazem parte desse livro. Foram três anos de trabalho, mas estamos felizes com o retorno, com a receptividade dos profissionais de saúde e pacientes.

Qual é o objetivo maior do livro?

Esse livro se volta especificamente para um público que lida com pacientes mais graves da existência humana e do sofrimento. O livro vem tirar os grupos de estudos de espiritualidade da orfandade, veio suprir essa lacuna. Tenho visto nas palestras uma aceitação muito grande pelo tema

Como vê a questão da espiritualidade para os doentes?

A espiritualidade ela é um componente de todos os seres humanos, todos temos uma busca inata pelo sentido e propósito da vida, mas cada um vai buscar valores diferentes de transcendência. Quando essa busca se conecta com transcendência, falamos de espiritualidade. Essa busca pode ter ou não influencia religiosa. Quando o ser humano adoece, diante de uma doença grave, muitas vezes se questiona sobre a morte, sobre planos frustrados, sobre Deus, sobre a própria existência. Essas reflexões geram sofrimento espiritual. E cuidar desse sofrimento é tentar facilitar a assistência religiosa, facilitar essa conversa. Investir nesse tema geralmente traz bons resultados, menos ansiedade, menos depressão, menos sofrimento.

Como a fé pode ajudar? Ela está incluída nos cuidados paliativos?

O cuidado paliativo busca tratar com perfeição os sintomas do paciente de maneira a diminuir o sofrimento. Como esses profissionais sempre tiveram um olhar mais integrado, quem faz cuidado paliativo tem um viés mais amplo para ajudar, é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da espiritualidade. Muitos colegas dessa área ajudam. O geriatra, de maneira geral, reflete mais sobre o envelhecimento e volta o seu olhar para temas relacionados à existência.

Acha que esse olhar dos médicos para a espiritualidade está mudando?

Acredito que sim. No livro, tentamos apresentar uma série de evidências científicas dos casos que temos disponíveis. Mas há muitas citações de literatura e de autores que já trabalharam na área. Há um capítulo especial de pesquisa científica na área da espiritualidade. Por isso tenho certeza que esse olhar está mudando. Em novembro teremos o II Simpósio de Espiritualidade e Oncologia, dias 8 e 9, no Hospital do Câncer, que está aberto a todos os interessados. E o interesse vem aumentando, felizmente.


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Recentemente o Jornal The New York Times publicou matéria sobre uma experiência interessante realizada na Holanda para pacientes com demência. O autor é Ilvy Njiokiktjien e o texto foi traduzido para nossas redes sociais pela psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac:

“Estamos perdidas”, disse Truus Ooms, 81, para sua amiga Annie Arendsen, 83, enquanto andavam juntas num ônibus urbano. “Sendo o motorista, você teria obrigação de saber onde é que estamos”, disse Ms. Arendsen para Rudi ten Brink, 63, que estava sentado no banco do motorista do ônibus.

Mas ela estava brincando.

Os três são pacientes demenciados em um estabelecimento ao leste da Holanda. O passeio de ônibus deles – uma rota pelas estradas planas e ladeadas de árvores da zona rural holandesa – era uma simulação que é projetada várias vezes por dia em três telas de vídeo.

É parte de uma abordagem não ortodoxa para tratamento de demência em que médicos e cuidadores holandeses têm sido pioneiros: aproveitamento do poder do relaxamento, de memórias de infância, auxílios sensoriais, música suave, estrutura familiar e outros instrumentos para curar, acalmar e estimular os residentes, em vez de confiar nas velhas receitas de repouso na cama, medicação e, em alguns casos, contenção física.

“Quanto mais se reduz o stress, melhor”, disse Dr. Erik Scherder, um neuropsicólogo da Vrije Universiteit Amstendam e um dos mais conhecidos especialistas em cuidados com demência.  “Se você baixar o stress e o desconforto, isso tem um efeito fisiológico direto”.

A simulação de passeios de ônibus ou em praias – como uma que existe num estabelecimento em Haarlem, não distante de uma praia real – criam um ponto de encontro para pacientes. A experiência compartilhada leva-os a falar sobre passeios anteriores e tirar um mini fim de semana em suas vidas diárias.

A demência, um grupo de síndromes relacionadas entre si, manifesta-se num declínio rápido das funções cerebrais. Rouba das famílias seus entes queridos e consome recursos, paciência e finanças.

Cerca de 270 000 holandeses – aproximadamente 8,4 por cento dos 3.2 milhões de habitantes com mais de 64 anos de idade – tem demência, e o governo prevê que esse número vai dobrar nos próximos 25 anos.

Em anos recentes, o governo tem preferido pagar “home care” do que manter um estabelecimento licenciado, de modo que a maioria das pessoas com demência vive em casa. Os estabelecimentos, que são administrados por particulares, mas contam com fundos públicos, são em geral reservados para pessoas em estado avançado da doença.

Nos anos 90, os holandeses começaram a pensar de modo diferente sobre como tratar a doença, afastando-se de uma abordagem medicamentosa. “Nos anos 80, os clientes eram tratados como pacientes em um hospital”, disse Ilse Achterberg, uma antes terapeuta ocupacional, que foi uma das pioneiras das salas “sensoriais” (“snoezel”), que combinam terapia por luz, aroma, massagem e som, e permitem que os pacientes relaxem e acessem emoções que são frequentemente bloqueadas em ambientes clínicos estressantes. Estas salas foram as precursoras de algumas das técnicas encontradas hoje em muitos estabelecimentos da Holanda.

Técnicas inovadoras

No lar Amstelring Leo Polak em Amsterdan, por exemplo, há a reprodução de um ponto de ônibus, onde Jan Post, um paciente de 98 anos de idade, muitas vezes se senta e beija sua esposa, Catahrina Post, quando ela o visita.

Mr. Post, que tem uma demência severa, só consegue criar 10 segundos de memória de curto prazo e tem medo de não encontrar o caminho de volta ao seu quarto quando sai dele.

“Setenta anos casados e ainda nos amamos”, disse Ms. Post, 92, que faz visitas várias vezes por semana. Recentemente, os Posts estavam bebendo e papeando no Bolle Jan, uma recriação de um restaurante real de Amsterdã, feita numa área de convivência do lar. Se os entornos eram falsos, o álcool era de verdade, e as piadas, frequentemente repetidas, provocavam gargalhadas verdadeiras. A cantoria, por vezes cambaleante, era entusiástica.

Enquanto cuidadores e acadêmicos acreditam que tais ambientes ajudam os pacientes demenciados a lidar melhor com a vida, é difícil chegar a uma evidência sólida de sua eficácia a longo termo, em parte porque essa condição é incurável.

Mas Katja Ebbbem, que trabalha com cuidados intensivos em Vitalis Peppelrode, um estabelecimento em Eindhovem, no sudeste do país, disse que ela notou que com as novas técnicas os pacientes precisavam de menos medicação e menos contenções físicas.

Willy Briggen, 89, que está em avançado estágio de demência, vive no estabelecimento de Eindhove. Como muitos demenciados, Ms Briggen algumas vezes fica impaciente, até mesmo descontrolada. Os surtos exigem um esforço da equipe da casa, que luta para lidar com sua frágil estrutura. Há uma década, teriam lhe prescritos drogas ou contenção para lidar com os rompantes.

Mas quando ela fica inquieta, a equipe liga um projetor no quarto dela, que produz imagens calmantes e sons suaves. Numa visita recente, Ms. Briggen foi de um estado emocional de óbvio desconforto para um de calma reflexiva, enquanto ela olhava para o teto de seu quarto particular, que estava enfeitado com a projeção de cenas da natureza, inclusive de patos.

Dos 210 residentes no estabelecimento Eindhovem, 90 têm demência e estão restritos a andares especiais para sua própria segurança. O prédio de tijolo aparente e vidros tem assoalhos de linóleo, tetos baixos e portas largas para permitir a passagem de camas sobre rodas. A despeito do estilo médico, sua decoração tem ecos de uma era passada, quando Ms Briggen teria sido uma menina.

Os andares exibem móveis antiquados, de madeira escura, e os cômodos são decorados com livros, telefones de discar e máquinas de escrever de 50 libras. As mesas da lanchonete são cobertas por toalhas de tecido e flores frescas. Eles não têm o odor de um hospital.

Ao repensar em como lidar com pacientes com demência, muitos centros focalizaram nos ambientes. Outra tática é reorganizar os residentes para criar agrupamentos de “família” de seis a dez pessoas.

Os residentes de muitos dos estabelecimentos holandeses têm seus próprios quartos, e são encorajados a considera-los seu território próprio. Com frequência há uma sala de uso comum e uma cozinha, onde residentes ajudam em tarefas como descascar batatas e lavar salada.

Na luta contra depressão e passividade, que são frequentemente sintomas da condição, os cuidadores também procuram estimular os residentes com atividades como dança.

Cuidados especiais

“É na verdade em relação a todas as pequenas coisas que compõem uma vida normal”, disse Pamela Grootjans, uma enfermeira de Sensire Den Ooman, o estabelecimento em Doetinchem que oferece o passeio de ônibus simulado.

Na moradia com cuidados especiais Christian Beth-San em Moerkapelle, próxima ao The Hague, Arie Pieter Hofman, 87, e Neeltje Hofman-Heij, 88, usam uma bicicleta simulada conectada a um  tambor posto em rotação quando pedalam para percorrer cenas de sua antiga vizinhança em Gouda, projetadas em uma tela plana.

A companhia que faz o passeio de bicicleta, Bike Labyrinth, vendeu o simulador a mais de 500 estabelecimentos na Holanda. O fabricante holandês dos projetores, Qwiek, diz que há unidades em 750 estabelecimentos holandeses.

“A ideia é desafiar um pouquinho o paciente, de um modo positivo,” diz Dr. Scherder, o neuro-psicólogo de Amsterdã. “Deixá-los numa cadeira, passivos, torna a progressão da doença muito mais rápida. “

Numa recente visita ao centro de cuidados Vreugdehof em Amsterdã, uma residente, Anna Leeman-Koning, 90, brincava com uma foca terapêutica robótica. Ela ajuda a trazer à tona velhas emoções, momentaneamente afastando a desorientação causada pela perda irreversível e progressiva das faculdades do paciente.

Mas a foca começou a sacudir demais sua cauda robótica, preocupando Ms Leeman-Koning. “Por favor se acalme, por favor se acalme,” ela disse. “O que posso fazer para acalmar você?”

Leia o artigo na íntegra em Inglês:

https://www.nytimes.com/2018/08/22/world/europe/dementia-care-treatment-symptoms-signs.html?utm_source=meio&utm_medium=email


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Através da última pesquisa divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde, ficamos sabendo que cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os dias. O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens, mas entre os idosos os números também são preocupantes. A taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas em média 8,9 suicídios por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 suicídios por 100 mil pessoas. Os números também são preocupantes em outros países. Em Quebec, no Canadá, num simpósio sobre o suicídio de idosos realizado pela Associação de Aposentados de Instituições Públicas e Paraestatais (AQRP) foi revelada uma triste realidade: de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSPQ), o grupo etário com 65 anos e mais é o segundo que apresenta maior índice de suicídios entre os idosos. Em 2008, 137 pessoas com 65 anos de idade morreram por suicídio no Quebec. Entre as razões para essa alta incidência de suicídios entre os idosos, estão a solidão, o perceber-se socialmente inútil, a depressão, o abandono, o surgimento de uma doença sem perspectiva de cura ou apontando para uma prolongada e crescente dependência, a penúria financeira etc.

Em uma organização social que professe valores humanistas, em detrimento da competição e do lucro sem limites, que reconheça o valor do velho, e que o ampare, respeite seus direitos e se recuse a aceitar preconceitos contra o idoso, esse índice será, sem dúvida, sensivelmente rebaixado.


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A Doença de Alzheimer atinge mais de 46 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, mais de um milhão, e com o crescente aumento da expectativa de vida, a tendência é que esse número dobrará a cada 20 anos. Esses números assustadores tornam-se mais sérios quando se pensa em moradores da periferia e todas as dificuldades para marcar consulta e conseguir tratamentos. O longa-metragem Alzheimer na Periferia, um projeto que nasceu com o propósito de desmistificar a evolução e o tratamento da doença de Alzheimer, principalmente em famílias que vivem em condição de vulnerabilidade social, terá pré-estreia para convidados na terça-feira, 4 de setembro, e posteriormente será exibido para o público.

O filme mostra cinco núcleos familiares que residem em bairros carentes, localizados nas extremidades da cidade de São Paulo. Ao longo dos 100 minutos, histórias de vidas totalmente diferentes se fundem a um turbilhão de emoções envolvendo pessoas que não perdem a esperança e lutam para promover qualidade de vida às pessoas acometidas dessa grave doença neurodegenerativa crônica. É o relato do dia a dia de cuidadores que se isolam da sociedade e abrem mão da própria vida para garantir o mínimo de conforto e segurança para as pessoas que amam e que tiveram suas lembranças quase que completamente apagadas. Tarefas simples como ir ao banheiro, tomar banho, escovar os dentes ou até mesmo guardar roupas, tornam-se verdadeiros desafios para quem possui.

O jornalista e escritor Jorge Felix, especialista em Economia na Longevidade, teve a ideia de escrever o argumento em um evento da Abraz, em maio de 2013.Jorge viu que todos queriam contar suas histórias mas não havia muitos interessados em ouvir, principalmente da imprensa.  Depois de pronto o argumento ele apresentou a ideia para o cunhado, Albert Klinke, da produtora Malabar, que se entusiasmou e produziu o documentário, com patrocínio do Aché Laboratórios e o apoio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo (ProAC).

Jorge Felix (foto) deu uma entrevista exclusiva para o Ideac:

Como surgiu a ideia?

Surgiu quando participei de um evento promovido pela Abraz, na Câmara Municipal. Depois das palestras da Vera Caovila (fundadora da Abraz), do Dr Paulo Canineo (PUC-SP) e do ator Carlos Moreno, que passou a se envolver com a causa depois de a mãe dele apresentar a doença, o microfone foi liberado para a plateia. Estava lotado. Eu me surpreendi com as histórias de pessoas da periferia que cuidavam de seus pais, mães, avós, avôs e bisavós, sem a menor condição material. Os relatos revelavam como era fundamental o apoio do Estado, seja pelo SUS ou pelos Centro de Referência do Idoso. Eu sai de lá querendo contar aquelas histórias e escrevi o argumento. Entrevistei várias pessoas, inclusive dirigentes da Abraz à época. Eu também, por coincidência, vivia um caso na família, embora um pouco distante: o sogro do meu irmão. Um morador da periferia do Rio de Janeiro. Mas acompanhava a situação de alguma maneira. Tudo isso foi se somando. Depois conversei com meu cunhado, Albert Klinke, que é diretor de filmes publicitários e estava procurando um projeto de documentário e ele decidiu, então, produzir o filme pela produtora dele, a Malabar Filmes.

Como foi o trabalho?

Foi um trabalho da equipe da Malabar, que foi muito bom. Uma equipe jovem que não tinha envolvimento com o Alzheimer. Isso eu acho que foi o mais bacana. Todos muito jovens e o documentário os fez despertar para esse problema social, para a questão do envelhecimento, enfim para esses temas de minhas pesquisas. Eles foram atrás dos personagens, pelos CRIs, pelas Unidades Básicas de Saúde de vários bairros da periferia. Foi um trabalho longo, de muitos meses. Foram selecionadas muitas famílias e depois houve uma seleção final a partir do critério de condições para as gravações, pessoas que pudessem atender à equipe. A logística foi bastante complexa. A ideia do argumento era que cada família ou cada paciente vivesse um estágio da doença. Como se sabe, o Alzheimer tem vários estágios, bem diferentes.  Isso implicou em filmagens em diversas horas, de madrugada, à noite, etc, durante vários meses.

Quando entra em cartaz?

O filme ainda não tem definição precisa de entrar em circuito. Isso depende de distribuidores se interessarem e é difícil. Mas a Malabar Filmes está em negociação com a rede SPCine e, por ser um projeto de grande amplitude social, pelo menos no meu ponto de vista, teria justificativa como prioridade num circuito da prefeitura. Vamos esperar. Isso é muito importante para a produtora completar o orçamento do filme.

Você tem casos na família?

Só o caso do sogro do meu irmão. Acompanho o tema tangencialmente como pesquisador. E não sou um pesquisador do envelhecimento pelo olhar da saúde, não sou médico. No entanto, a economia, que é o meu ponto de vista, tem sido imensamente influenciada pelas questões do cuidado e será cada vez mais numa sociedade em processo acelerado de envelhecimento da população.

Quais os desafios da doença e como o filme pode ajudar?

No Brasil, há uma legislação até avançada no provimento de medicamentos para doenças crônicas. O Alzheimer, no entanto, precisa ser diagnosticado muito cedo porque aí sim pode ser usado um medicamento e outros tratamentos que irão reduzir o ritmo de avanço da doença. Depois de um certo estágio, a medicação já não tem efeito. Aí entra, no meu modo de ver, a questão mais latente que é, como chamamos tecnicamente, o cuidado de longa duração. O Brasil vive uma crise silenciosa dos cuidados. Um blecaute de cuidados. O Alzheimer e outras doenças crônicas vão pressionar ainda mais essa crise, vão piorar essa crise que tem consequências econômicas. O Brasil deveria estar ampliando a sua rede de proteção ao idoso e está fazendo o oposto. A rede ainda existe claro, mas é cada vez mais pressionada por restrições do Orçamento da Saúde. O chamado “teto dos gastos” será terrível neste sentido. Quando a economia voltar a crescer lá para 2020 ou 2021, como imagino, isso será um gargalo. Muitas pessoas estão no trabalho de cuidados, que foi imensamente privatizado, e isso terá consequências no mercado de trabalho.

 Serviço

O filme Alzheimer na Periferia estará em cartaz em cinemas da cidade de São Paulo a partir de 04 de setembro de 2018 (ingressos para esse dia já esgotados). Fique atento à programação completa da exibição do documentário. Vale lembrar que filme brasileiro precisa de público nos primeiros dias para continuar existindo nos cinemas.

Local: Espaço Itaú de Cinema. Shopping Frei Caneca. R Frei Caneca, 589 São Paulo


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Cuidar de um familiar pode ser muito gratificante, mas é uma responsabilidade complexa que pode se tornar estressante, pela falta de preparo, pelas emoções que vão sendo despertadas e pelas perdas que aparecem no caminho. O Cuidador Familiar precisa de um momento só seu, para se informar e se fortalecer. Essa é a proposta do grupo Cuidador Familiar, coordenado pela psicóloga Maria de Lourdes Junek, realizado pelo Ideac a partir de setembro.

O curso oferece um espaço para que os cuidadores possam trocar ideias e vivências, adquirir informações para lidar com as emoções de forma mais equilibrada e encontrar novas soluções para aprimorar seu trabalho. São ferramentas essenciais para o cotidiano, como organizar horários, como usar o próprio corpo como alavanca sem se lesar, dicas de onde comprar as melhores fraldas ou onde alugar cadeiras com as rodas adequadas, detalhes que são muito importantes.

O primeiro encontro é no dia 11 de setembro de 2018, das 17:30 às 19:30hs, na Rua Pamplona, 1326 cj. 111 Jardim Paulista. Os encontros seguintes são semanais, sempre às terças-feiras.

A psicóloga Maria de Lourdes Junek, experiente em psicoterapia para idosos e em formação de cuidadores profissionais e familiares, acredita que o mais importante é apoiar e ajudar os cuidadores a garantir o bem-estar de seus pacientes: “É preciso estar alerta aos sinais importantes, cuidar da alimentação incentivando o prazer do paladar, seguir as orientações dos médicos e, principalmente, evitar situações de medo, de desconforto e desencadeadoras de estresse para os dois lados, por exemplo, as visitas inconvenientes e conversas tristes”, ensina.

Outro ponto levantado pela psicóloga é a necessidade de respeitar escolhas possíveis: “A pessoa já está passando por uma fase difícil de dependência e deve ser respeitada. Por que não deixar que escolha roupas, os livros que serão lidos ou os passeios?”

Os Grupos

Com esse projeto, o Ideac oferece um espaço para que o Cuidador Familiar possa compartilhar sua experiência e conhecer ferramentas para melhor lidar com as situações com as quais for se deparando na  rotina diária, ou nas situações emergenciais.

Por isso é importante trocar experiências com pessoas dispostas a ouvir suas dificuldades. “Palpites e críticas atrapalham muito. Os cuidadores geralmente sentem-se muito pressionados pela família e precisam ganhar segurança para ter seu trabalho valorizado”, comenta Lourdes.

O estresse do cuidador também é um ponto que terá destaque durante os encontros. “Muitas vezes o familiar que assumiu a função de cuidador tem um excesso de responsabilidades que, se não for cuidado, fará com que ele passe dos limites e comprometa o trabalho. A consciência do estresse, conversas e pequenas divisões de tarefas costumam amenizar todo o peso. Ele precisa se abastecer de outro lado para manter o equilíbrio”, aconselha a psicóloga.

Cuidar de um parente também implica em administrar os afetos e ter coerência e firmeza nas decisões para evitar manipulações e chantagens.  Respeitar a fragilidade e dar carinho, mas com a consciência que está fazendo o melhor, mesmo quando contraria a pessoa dependente.

Objetivo e Metodologia 

A proposta de Maria de Lourdes Junek (foto) é trabalhar técnicas que facilitem a livre expressão e a comunicação dos participantes, dentro de um clima de aceitação e respeito, visando aprofundar a percepção da própria realidade, promover análises críticas e, havendo necessidade, ter uma orientação teórica que vise melhorar aspectos dessa fase de vida como cuidador. Ela trabalha com um grupo de no máximo quinze pessoas.

Inscrições pelo email: cadastro@ideac.com.br ou telefones: (11) 3885-0091 /  99946-3554

Valor Mensal: R$240,00 / R$ 216,00 para participantes do Ideac

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Canal do Youtube: O novo da velhice


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As transformações que a longevidade trouxe para a sexualidade foi um dos temas de destaques do primeiro dia do XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado no Rio de Janeiro. Segundo dados apresentados, 76% das pessoas entre 65 e 80 anos acham que sexo é importante na maturidade, mas esse novo velho está envelhecendo com uma sexualidade preservada e convivendo com muitas mudanças. Muitos estão envolvidos com redes sociais procurando parceiros, 62% conversam com profissionais de saúde sobre o tema, 35% falam com seus parceiros sobre sexo e 17% evitam o assunto. Esses foram alguns dados apresentados na mesa sobre Sexualidade – Afetos e envelhecimento: o amor e o sexo no curso da vida, com a psicóloga Valmari Cristina Aranha, e Sexualidade e doenças crônicas, com a geriatra Aline Saraiva da Silva Correia.

As especialistas explicaram inicialmente que como a velhice é heterogênea, a sexualidade também é. O novo velho é um jovem que envelheceu e mantém suas características, que dependem também de questões culturais e religiosas, da identidade e da história de vida.

O papel da família é fundamental nesse processo para aceitar que os idosos mantenham uma vida sexual ativa, principalmente as mulheres, que mostram mais dificuldades para falar sobre o tema e assumir seus desejos. Muitos velhos com a passagem do tempo descobrem novas possibilidades, resgatam desejos e conseguem viver com mais liberdade e sem os antigos estereótipos. Mas cada pessoa é diferente da outra. “Não é obrigatório ter sexo na maturidade, é bom ter alguém se fizer sentido para a pessoa”, diz Valmari.

A especialista aconselha que os idosos percebam as mudanças ocorridas no seu corpo e no seu desejo para que possam fazer adaptações para deixar a vida sexual na velhice mais satisfatória e com novas opções. Ela sugere, por exemplo, manter a atmosfera romântica entre o casal, trocar muitos carinhos, olhares, beijos, conversar bastante e aproveitar o autoconhecimento que vem com a idade, que permite fazer escolhas mais coerentes. O prazer não acontece somente com a penetração, há outras formas. “Falar sobre os desejos é uma forma de naturalizar a sexualidade”, afirma.

Um fator que costuma prejudicar muito a vida sexual é a depressão, que também ronda a vida dos idosos. Estudos indicam que de 40 a 50% das pessoas com depressão na maturidade relatam perda da libido ou algum outro tipo de disfunção.

As especialistas aconselham que os médicos façam perguntas sobre a vida sexual com muita naturalidade para os pacientes idosos, sempre em linguagem acessível, comentem sobre doenças como DSTs e Aids e a importância da prevenção e nunca infantilizem os pacientes para não parecer que o tema é superficial. “Se o médico não se sentir confortável em abordar diretamente o paciente sobre o assunto, certamente esse paciente também não se sentirá para esclarecer dúvidas com ele”, comenta Aline.