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Por Eoghan Macguire, CNN – 24/agosto/2018

(Tradução da psicóloga Maria Celia de Abreu )

 

(CNN) – Qual é o segredo de viver até os 100? Alguns dizem que é garantir muito exercício; outros apontam para os benefícios de um clima ameno. Há até alguns que sugerem que uma vida sexual sadia tem muito a ver com isso.

O número de pessoas que vivem até os 100 anos pode ser relativamente pequeno, mas está se tornando mais comum – particularmente em países como o Japão, que tem a mais alta proporção de centenários no mundo.

Dados do Ministério da Saúde do Japão estimam que em 2017 havia 67.824 japoneses com 100 anos ou mais. Em 1965, quando o país começou a registrar estatísticas de cidadãos velhos, havia apenas 153 centenários.

Em resultado, os políticos no Japão começaram a considerar como prover para aqueles que chegavam ao clube dos 100 – e o que encontraram pode ser [útil para o resto do mundo nos próximos anos.

No ano passado, o Primeiro Ministro japonês Shinzo Abe conduziu uma série de encontros no Conselho para Planejar a Vida com Mais de 100 anos em Sociedade, um grupo de especialistas formado para preparar um aumento no número de centenários.

A comissão analisou questões tão diversas como reformar as políticas de seguro social, reavaliar o que significa ser mais velho e a diversificação de práticas corporativas de empregabilidade. Mas não é só para mais centenários que o país está tendo que se preparar.

Desafios de uma população que envelhece

Vinte e sete por cento da população do Japão tem 65 anos ou mais, de acordo com dados do Banco Mundial. Em 1990, era apenas 11%.

Enquanto viver mais é geralmente algo positivo, isso cria inevitavelmente uma porção de desafios práticos, tais como o fardo sobre o Estado para prover serviços, pensões e cuidados para um número crescente de velhos. No Japão, isto vem junto com um baixo índice de nascimentos, o que significa que há menos pessoas com idade de trabalhar para pagar pelos serviços para os velhos através de impostos ou de trabalho para companhias japonesas.

O número de recém-nascidos caiu durante 37 anos consecutivos no Japão, e o Ministério da Saúde faz uma projeção de que a população irá ascender de seus atuais 126.26 milhões para 86.74 milhões por volta de 2060.

Uma vida ‘multi-estágios’

Entre os que estiveram nos primeiros encontros do conselho de Abe, estava Lynda Gratton, professora de prática de negócios na London Business School e coautora do livro “Os 100 Anos de Vida: Viver e Trabalhar numa Idade Longeva”.

Quando considerando esta questão de populações que envelhecem, ela diz, é importante que os governos e empresas “contem uma história” sobre como as pessoas podem começar a viver “vidas multi-estágios” onde elas conseguem fazer pausas na carreira e trabalhar por mais tempo e em numerosas áreas. Esta “narrativa” ajudará a assinalar os desafios que virão e a encorajar a conversação sobre como será a vida em sociedades que envelhecem, acrescenta Gratton.

O governo japonês propôs estender a idade para aposentadoria obrigatória de 60 para 65 anos. Também mencionou encorajar uma “educação recorrente”, ajudando pessoas a serem retreinadas ao longo de suas carreiras profissionais, assim como permitindo que aquelas que quiserem trabalhar em idades avançadas o façam.

O Professor Hiroko Akiyama, do Instituto de Gerontologia a Universidade de Tóquio, acredita que estas são novidades benvindas, mas diz que o ritmo da mudança necessita ser mais rápido. “Nossa força de trabalho está encolhendo, então temos que tomar medidas drásticas agora,” disse ele.

Akiyama chama a atenção para como o escritório compartilhado, padrões de trabalho flexíveis e a telecomunicação podem todos desempenhar um papel e ajudar mais pessoas a ficarem por mais tempo em suas carreiras. As descobertas da inteligência artificial e da robótica, longe de reduzir oportunidades de emprego, também podem ajudar os mais velhos a trabalhar por mais tempo, compensando qualidades que as pessoas podem perder ao envelhecer, como por exemplo forca ou flexibilidade, ela acrescenta.

Além do mundo do trabalho, os sistemas de cuidados com a saúde serão provavelmente afetados por populações que envelhecem e forçados a se adaptar a isso. Política e valores também poderiam estar começando a se modificar, com os mais velhos sendo em geral considerados eleitores mais conservadores.

Lidando com um mundo que envelhece

O Japão tem sido uma das nações que mais visivelmente considera estes desafios, mas está longe de estar sozinho no ser afetado por eles.

A população global de pessoas mais velhas (aquelas com 60 anos ou mais) importava em 962 milhões em 2017, de acordo com o relatório das Nacões Unidas sobre o Envelhecimento Populacional (UN World Population Ageing). Isso é mais que o dobro do que em 1980, quando havia 382 milhões de pessoas mais velhas no mundo, e espera-se que o número dobre de novo por volta de 2050, alcançando cerca de 2.1 bilhões.

O envelhecimento das populações é mais pronunciado na Europa e na América do Norte, segundo o relatório. O Escritório de Censo dos Estados Unidos (US Census Bureau) projeta que o número de centenários lá irá inflar de 86,248 em 2017 para 600,000 por volta de 2060. Até o momento estas questões também estão pesando nas considerações de Hong Kong, Coréia do Sul, Singapura, Austrália e Nova Zelândia.

Lá por 2050, espera-se que as pessoas mais velhas componham 35% de populações na Europa, 28% na América do Norte, 25% na América Latina e Caribe, 24% na Ásia, 23% na Oceania e 9% na África, segundo estimativa do relatório das Nações Unidas.

Gratton aponta desenvolvimentos positivos na Dinamarca, que tem procurado por cenários para futuro cuidados com os mais velhos, e Singapura, que ela diz que tem revisto suas políticas e removido quaisquer sugestões de que pessoas mais velhas podem ser menos capazes de desempenhar certas tarefas ou papéis do que pessoas mais jovens.

Akiyama, enquanto isso, diz que o Japão tem sido forçado a considerar a questão antes do que a maioria das nações devido ao ritmo em que sua população está envelhecendo. Os políticos do país também parecem menos ávidos do que outros para atrair jovens trabalhadores estrangeiros.

Idade de oportunidade?

Hoje em dia também pode haver oportunidade dentro dos desafios de uma sociedade que envelhece.

Os negócios no Japão começaram a abrir academias de fitness que atendem aos mais velhos, enquanto cuidadores robôs têm sido introduzidos em moradias para idosos, aparelhos caros que podem se tornar lucrativos itens de exportação.

Gratton diz que o Japão está à frente de robôs e máquinas que assistem os mais velhos enquanto “os que tem mais de 55 estão gastando mais do que qualquer um” no país.

Entretanto, ela acrescenta que os países precisam também começar a planejar globalmente para um futuro no qual a vida tradicional em três setores, estudar, trabalhar e se aposentar, não se aplica mais.

As pessoas tornaram-se muito mais proativas”, ela diz. Tanto quanto planejar, economizar e manter-se saudável, ela precisa ser mais esperta sobre como será o futuro.”

Em vez de pensar sobre ficar ainda mais velhas, as pessoas deveriam pensar sobre ficar mais jovens por mais tempo.

Link do artigo em inglês: https://www.cnn.com/2018/08/24/health/japan-100-year-life/index.html

 

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Através da última pesquisa divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde, ficamos sabendo que cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os dias. O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens, mas entre os idosos os números também são preocupantes. A taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas em média 8,9 suicídios por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 suicídios por 100 mil pessoas. Os números também são preocupantes em outros países. Em Quebec, no Canadá, num simpósio sobre o suicídio de idosos realizado pela Associação de Aposentados de Instituições Públicas e Paraestatais (AQRP) foi revelada uma triste realidade: de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSPQ), o grupo etário com 65 anos e mais é o segundo que apresenta maior índice de suicídios entre os idosos. Em 2008, 137 pessoas com 65 anos de idade morreram por suicídio no Quebec. Entre as razões para essa alta incidência de suicídios entre os idosos, estão a solidão, o perceber-se socialmente inútil, a depressão, o abandono, o surgimento de uma doença sem perspectiva de cura ou apontando para uma prolongada e crescente dependência, a penúria financeira etc.

Em uma organização social que professe valores humanistas, em detrimento da competição e do lucro sem limites, que reconheça o valor do velho, e que o ampare, respeite seus direitos e se recuse a aceitar preconceitos contra o idoso, esse índice será, sem dúvida, sensivelmente rebaixado.


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A Doença de Alzheimer atinge mais de 46 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, mais de um milhão, e com o crescente aumento da expectativa de vida, a tendência é que esse número dobrará a cada 20 anos. Esses números assustadores tornam-se mais sérios quando se pensa em moradores da periferia e todas as dificuldades para marcar consulta e conseguir tratamentos. O longa-metragem Alzheimer na Periferia, um projeto que nasceu com o propósito de desmistificar a evolução e o tratamento da doença de Alzheimer, principalmente em famílias que vivem em condição de vulnerabilidade social, terá pré-estreia para convidados na terça-feira, 4 de setembro, e posteriormente será exibido para o público.

O filme mostra cinco núcleos familiares que residem em bairros carentes, localizados nas extremidades da cidade de São Paulo. Ao longo dos 100 minutos, histórias de vidas totalmente diferentes se fundem a um turbilhão de emoções envolvendo pessoas que não perdem a esperança e lutam para promover qualidade de vida às pessoas acometidas dessa grave doença neurodegenerativa crônica. É o relato do dia a dia de cuidadores que se isolam da sociedade e abrem mão da própria vida para garantir o mínimo de conforto e segurança para as pessoas que amam e que tiveram suas lembranças quase que completamente apagadas. Tarefas simples como ir ao banheiro, tomar banho, escovar os dentes ou até mesmo guardar roupas, tornam-se verdadeiros desafios para quem possui.

O jornalista e escritor Jorge Felix, especialista em Economia na Longevidade, teve a ideia de escrever o argumento em um evento da Abraz, em maio de 2013.Jorge viu que todos queriam contar suas histórias mas não havia muitos interessados em ouvir, principalmente da imprensa.  Depois de pronto o argumento ele apresentou a ideia para o cunhado, Albert Klinke, da produtora Malabar, que se entusiasmou e produziu o documentário, com patrocínio do Aché Laboratórios e o apoio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo (ProAC).

Jorge Felix (foto) deu uma entrevista exclusiva para o Ideac:

Como surgiu a ideia?

Surgiu quando participei de um evento promovido pela Abraz, na Câmara Municipal. Depois das palestras da Vera Caovila (fundadora da Abraz), do Dr Paulo Canineo (PUC-SP) e do ator Carlos Moreno, que passou a se envolver com a causa depois de a mãe dele apresentar a doença, o microfone foi liberado para a plateia. Estava lotado. Eu me surpreendi com as histórias de pessoas da periferia que cuidavam de seus pais, mães, avós, avôs e bisavós, sem a menor condição material. Os relatos revelavam como era fundamental o apoio do Estado, seja pelo SUS ou pelos Centro de Referência do Idoso. Eu sai de lá querendo contar aquelas histórias e escrevi o argumento. Entrevistei várias pessoas, inclusive dirigentes da Abraz à época. Eu também, por coincidência, vivia um caso na família, embora um pouco distante: o sogro do meu irmão. Um morador da periferia do Rio de Janeiro. Mas acompanhava a situação de alguma maneira. Tudo isso foi se somando. Depois conversei com meu cunhado, Albert Klinke, que é diretor de filmes publicitários e estava procurando um projeto de documentário e ele decidiu, então, produzir o filme pela produtora dele, a Malabar Filmes.

Como foi o trabalho?

Foi um trabalho da equipe da Malabar, que foi muito bom. Uma equipe jovem que não tinha envolvimento com o Alzheimer. Isso eu acho que foi o mais bacana. Todos muito jovens e o documentário os fez despertar para esse problema social, para a questão do envelhecimento, enfim para esses temas de minhas pesquisas. Eles foram atrás dos personagens, pelos CRIs, pelas Unidades Básicas de Saúde de vários bairros da periferia. Foi um trabalho longo, de muitos meses. Foram selecionadas muitas famílias e depois houve uma seleção final a partir do critério de condições para as gravações, pessoas que pudessem atender à equipe. A logística foi bastante complexa. A ideia do argumento era que cada família ou cada paciente vivesse um estágio da doença. Como se sabe, o Alzheimer tem vários estágios, bem diferentes.  Isso implicou em filmagens em diversas horas, de madrugada, à noite, etc, durante vários meses.

Quando entra em cartaz?

O filme ainda não tem definição precisa de entrar em circuito. Isso depende de distribuidores se interessarem e é difícil. Mas a Malabar Filmes está em negociação com a rede SPCine e, por ser um projeto de grande amplitude social, pelo menos no meu ponto de vista, teria justificativa como prioridade num circuito da prefeitura. Vamos esperar. Isso é muito importante para a produtora completar o orçamento do filme.

Você tem casos na família?

Só o caso do sogro do meu irmão. Acompanho o tema tangencialmente como pesquisador. E não sou um pesquisador do envelhecimento pelo olhar da saúde, não sou médico. No entanto, a economia, que é o meu ponto de vista, tem sido imensamente influenciada pelas questões do cuidado e será cada vez mais numa sociedade em processo acelerado de envelhecimento da população.

Quais os desafios da doença e como o filme pode ajudar?

No Brasil, há uma legislação até avançada no provimento de medicamentos para doenças crônicas. O Alzheimer, no entanto, precisa ser diagnosticado muito cedo porque aí sim pode ser usado um medicamento e outros tratamentos que irão reduzir o ritmo de avanço da doença. Depois de um certo estágio, a medicação já não tem efeito. Aí entra, no meu modo de ver, a questão mais latente que é, como chamamos tecnicamente, o cuidado de longa duração. O Brasil vive uma crise silenciosa dos cuidados. Um blecaute de cuidados. O Alzheimer e outras doenças crônicas vão pressionar ainda mais essa crise, vão piorar essa crise que tem consequências econômicas. O Brasil deveria estar ampliando a sua rede de proteção ao idoso e está fazendo o oposto. A rede ainda existe claro, mas é cada vez mais pressionada por restrições do Orçamento da Saúde. O chamado “teto dos gastos” será terrível neste sentido. Quando a economia voltar a crescer lá para 2020 ou 2021, como imagino, isso será um gargalo. Muitas pessoas estão no trabalho de cuidados, que foi imensamente privatizado, e isso terá consequências no mercado de trabalho.

 Serviço

O filme Alzheimer na Periferia estará em cartaz em cinemas da cidade de São Paulo a partir de 04 de setembro de 2018 (ingressos para esse dia já esgotados). Fique atento à programação completa da exibição do documentário. Vale lembrar que filme brasileiro precisa de público nos primeiros dias para continuar existindo nos cinemas.

Local: Espaço Itaú de Cinema. Shopping Frei Caneca. R Frei Caneca, 589 São Paulo


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A resposta para essa questão pode ser surpreendente. Em palestra no TED, a pesquisadora Julianne Holt-Sunstad, da Brigham Youg University, coordenou estudos sobre o estilo de vida de pessoas na meia idade. Ela observou aspectos como dieta, exercícios, status conjugal, frequência de visitas ao médico, hábitos como beber e fumar e outros. Os resultados foram registrados e ela e seus colegas na universidade esperaram sete anos para voltar aos entrevistados em condições de serem avaliados novamente. A pergunta então foi: o que mais reduz suas chances de morrer?

Em sua pesquisa, indo do preditor menos poderoso para o mais poderoso, vieram muitas surpresas. Se você, por exemplo, está acima do peso ou não gosta muito de exercício, não precisa se sentir tão culpado, porque esse dado ocupa apenas o terceiro lugar.

Vacina da gripe, quem diria, protege muito mais do que exercícios.  Entre os preditores mais importantes estão duas características ligadas à sua vida social. Primeiro, seus relacionamentos próximos, ligados às pessoas que você pode recorrer para um empréstimo se você precisar de repente de um dinheiro urgente, ou que chamarão o médico se você não estiver bem. Ou mesmo para levá-lo para um hospital ou, ainda, que vai se sentar ao seu lado quando você estiver tendo uma crise existencial ou em desespero.

Essas pessoas, esse provavelmente pequeno grupo de pessoas, se você os tiver (e tomara que tenha), são fortes preditores de quanto você irá viver.

Outro ponto inesperado na pesquisa é o chamado de integração social. Significa aquelas pessoas que você interage ao longo do seu dia. Com quem fala? Com o porteiro, com as pessoas no elevador, com vizinhos, com o dono da banca de jornal, com os funcionários do prédio? Podem ser laços fortes ou fracos, não apenas com aquelas pessoas próximas por relação familiar ou de amizade, mas também aquelas com quem mantém esse contato cotidiano. Você joga bridge, buraco, sinuca, pertence a algum clube de leitura. Sim, essas relações também são muito importantes para prolongar seu tempo de vida.

Os preditores, pela ordem de importância:

  1. Integração social
  2. Relacionamentos próximos
  3. Parar de fumar
  4. Parar de beber
  5. Vacina contra a gripe
  6. Exercício
  7. Sobrepeso
  8. Hipertensão
  9. Ar puro

Para saber mais, segue a íntegra em inglês:

https://www.ted.com/talks/susan_pinker_the_secret_to_living_longer_may_be_your_social_life/transcript?language=pt-br


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Suely Tonarque tem 67 anos, é pedagoga, psicóloga e tem Mestrado em Gerontologia – Percurso da Moda e a Realidade Atual. O interesse pelo tema do envelhecimento começou no ano 2008. Veio daí o projeto de criar moda para velhos. Como há 30 anos atua no segmento da moda, resolveu abrir com a irmã a loja Dudabyduda, à Rua Delfina 101, Vila Madalena, São Paulo. Nessa entrevista especial para o Ideac ela fala sobre seu trabalho:

Qual é a estética da velhice?

Com o envelhecimento, vamos percebendo as mudanças físicas e emocionais, e a estética se modifica durante esse processo. Cada indivíduo é singular e assim também sua forma de expressar a estética na velhice. O visual se transforma através dos anos, as vestimentas não podem mais ser as mesmas do passado porque o corpo sofreu mudanças. Não existe uma estética modelo para a velhice, ela é individual e particular.

Qual é a diferença entre criar moda para mulheres para velhas?

Quem cria moda para velhos deve ter em conta as mudanças corporais: com maior sensibilidade da pele, o tecido deve ser confortável. Como as medidas aumentam, os moldes não são os convencionais.  Pela flacidez dos braços, as mangas se tornam mais cumpridas e discretas. Há uma tendência de optar por cores mais neutras.

A moda ajuda a trazer mais alegria na velhice?

A alegria de viver depende de cada pessoa. A moda pode trazer uma satisfação na escolha da vestimenta, demostrando uma das facetas do desejo de viver.

O que é fundamental para uma roupa adequada para a mulher velha?

É importante primeiramente que a mulher aceite o seu envelhecimento para que suas roupas sejam adequadas a seu corpo, esse é o primeiro passo.

Como achar o estilo na velhice?

Existem dois estilos, o estilo que acompanha a vida da pessoa e o estilo de cada fase da vida. Também a moda determina algum estilo que o velho pode ou não se se identificar.


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Por Maria Celia de Abreu (*)

É muito bom saber que um fato acreditado pelo senso comum é referendado pela Ciência. É o caso de um estudo de pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, e da Universidade de Haifa, em Israel, tema do artigo de Suzana Hercula Houzel na Folha de S. Paulo, dia 31 de julho.

As pesquisas concluem que duas pessoas de mãos dadas têm as ondas de seus respectivos cérebros sincronizadas. Em ambas se estabelece uma sensação prazerosa e, se uma delas está com dor, surge um efeito analgésico, enquanto aumenta a capacidade de empatia da outra.

Trabalhos de observação de comportamento, bem como a sabedoria popular, já indicavam a importância do toque para a saúde emocional e física do idoso, e dos prejuízos quando ele não existe. Claro que, como em todas as regras, há quem sinta o toque físico como desagradável, ou até mesmo insuportável, mas essa é uma minoria.

Infelizmente, dentro de uma cultura que desvaloriza o velho, e que também associa toque físico exclusivamente ao sexual, o velho é muito pouco tocado, afagado, abraçado, acariciado, massageado.

Precisamos divulgar que preconceitos levam a um desnecessário estreitamento de expectativa, e que a neuropsicologia tem feito descobertas marcantes que podem melhorar muito a qualidade de vida das pessoas em geral, e dos nossos velhos em especial.

(*) Maria Celia de Abreu é psicóloga e coordenadora do Ideac, autora do livro “Velhice, uma nova paisagem” (Ed. Ágora)