IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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Maria Thereza Bortolo fez o curso de Memória e Criatividade com a psicóloga Sonia Fuentes, no Ideac, e uma das tarefas foi fazer um teto sobre um objeto marcante ligado à memória afetiva. Vejam que texto emocionante:

“Era uma mulher brava, baixinha, gordinha e tinha um pouco de barba e bigode. Era uma mulher seca, não parecia ter desejos, Antonia era o seu nome, todos a temiam. Ela era a bedel naquela escola pública em que eu estudava. Eu ia começar cursar o ginásio, tinha 12 anos.

O seu trabalho com as alunas, era medir a altura da saia do uniforme e verificar se cobria ou não o joelho. Tinha que cobrir. Tínhamos também que mostrar as costas sobre a blusa para que verificassem se usávamos combinação, o sutiã não podia aparecer. O esmalte, mesmo transparente, não era permitido e era obrigatório removê-lo. Assim que passávamos da área do seu olhar, enrolávamos a saia na cintura para que ficasse mais curta.

As moças deveriam ser bens comportadas e se casarem virgens. Ninguém falava nada conosco sobre sexualidade. Aprendíamos com as amigas esses segredos.

Um dia aconteceu algo muito diferente nas nossas vidas naquela cidade em que tudo era pecado, e que o único teatro era a igreja: coroávamos Nossa Senhora, éramos anjo nas procissões…

Não me esqueço daquele dia. Recebemos das mãos da dona Antonia, só para as meninas do primeiro ano ginasial, um pequeno livro com o título ‘’Ser quase mulher e ser feliz”. Ela entregou mecanicamente e dizia que era nosso e que era para lermos em casa.

Mal pude acreditar quando abri o livro e lá estava tudo sobre ‘’aqueles dias’’. O que podíamos e não deveríamos fazer. Nós éramos meninas-moças, com vergonha de ficarmos ‘’incomodadas’’, esse era o termo usado para menstruação.

Tanto o texto como a ilustração, mostravam delicadeza, informações, cuidados, moças bonitas e felizes praticando várias atividades “naqueles dias”.

Como uma mulher como a dona Antonia podia ter participado desse momento de transição tão misterioso e desejado pelas meninas? Guardo até hoje o livrinho como uma obra de arte, como um tesouro e um profundo agradecimento e amor por ela.

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De repente você esquece onde colocou as chaves, o número do telefone do filho, o nome daquele ator tão admirado. Calma, segundo o geriatra Alberto de Macedo Soares, nem sempre esses pequenos lapsos de memória podem significar início de um processo de demência ou a temida doença de Alzheimer. Segundo ele, é normal pequenos esquecimentos, desde que não se repitam com muita frequência, e que um diagnóstico depende de uma investigação correta: “As vezes, o esquecimento está ligado a uma alteração na tiroide ou uma carência de vitamina B12”, ele diz.

A Doença de Alzheimer é uma patologia que costuma ocorrer em pessoas idosas, com mais de 60 anos. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), no Brasil, já são mais de um 1,6 milhão de pessoas acometidas por este mal. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê o aumento nos casos até 2050, chegando a 135,5 milhões.

Por ser degenerativa, a dificuldade de diagnóstico contribui para o preconceito e a falta de aceitação social. Entre os sintomas, a perda de memória recente dificulta a vida cotidiana, seja na realização de tarefas ou em se localizar no tempo e espaço. É ainda comum associar com problemas com a fala e escrita e com mudanças bruscas de humor. Demência é um termo inclusivo que abrange muitas condições e várias doenças – incluindo a doença de Alzheimer, é uma perda cognitiva em qualquer momento da vida.

As síndromes demenciais se classificam entre as tratáveis, que podem inclusive ser revertidas, e a demências irreversíveis, como é o caso do Alzheimer. Até mesmo a perda da audição, se não cuidada, pode levar ao estado de demência, pois à medida que não escutamos também não interagimos e nos isolamos.

Siga os conselhos do geriatra para garantir uma boa qualidade de vida:

  1. Manter atividade física, o que é benéfico inclusive para pessoas portadoras de Alzheimer. O exercício físico pode brecar o desenvolvimento do quadro e trazer melhoras para o paciente;
  2.  Manter relacionamentos sociais, buscar amigos, participar de palestras, começar um curso de idiomas, dançar, ouvir música e procurar novas atividades para ampliar nossas sinapses. O isolamento favorece os estados de demência;
  3. Tenha muito cuidado com os remédios em excesso, especialmente relaxantes, calmantes, ansiolíticos. A assimilação pelo idoso tem longa duração. Ou seja, no corpo de um jovem, um relaxante ou calmante  pode ser liberado em poucas horas; no idoso, pode levar até 72 horas. Assim, quem toma esses medicamentos diariamente passa por um efeito cumulativo e o risco é grande, pois os músculos estarão permanentemente relaxados e, consequentemente, não sustentarão os ossos. Aí podem ocorrer as quedas com a temida fratura de fêmur;
  4. Não se descuide das emoções. Seja com terapia, conversas ou desabafos ao longo da vida, tente se livrar do estresse, um dos grandes fatores que nos levam ao adoecer;
  5. Por último, beba água, muita água sempre. O ideal é beber dois litros por dia. Quando a pessoa envelhece costuma não ter sede e a desidratação se instala rápido.


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Pesquisa recente mostra que o tratamento inadequado do diabetes afeta 18% dos idosos nos EUA, e o quadro é semelhante no Brasil. A Doença atinge uma em cada quatro pessoas com mais de 65 anos e incidência é maior nas com baixa escolaridade. O estudo foi publicado no Journal of General Internal Medicine. A pesquisa foi feita com base nos dados de 78 mil pacientes com mais de 65 anos em dez estados dos EUA – as informações são do Medicare, programa de assistência médica do governo federal americano.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. João Eduardo Nunes Salles, afirma que um terço dos idosos apresenta algum tipo de alterações no metabolismo da glicose. “É fundamental atentar-se às particularidades no tratamento do diabetes, não apenas medicamentoso, mas comportamental e nutricional. Além do avanço do sedentarismo e da obesidade, o envelhecimento populacional também tem grande impacto no aumento dos casos de diabetes”, avalia.

No Brasil, segundo levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, o diagnóstico da doença aumentou 54% na população masculina entre 2006 e 2017, atingindo 7,1% dos homens adultos. Contudo as mulheres ainda são as principais vítimas da doença, com 8,1% no último ano. A SBD estima que 16 milhões de brasileiros foram diagnosticados com a doença.

Salles alerta também para a importância do controle da doença, sobretudo para diminuir o risco de cardiopatias – segundo a International Diabetes Federation, pessoas com mais de 60 anos e portadoras de diabetes tipo 2 têm um risco de três a quatro vezes maior de morrer por doenças cardiovasculares. “Há alternativas terapêuticas capazes de controlar o diabetes e suas complicações. Conhecimento e acesso a tratamentos adequados são fundamentais para preservar a doença no idoso, aumentando sua expectativa e qualidade de vida”, atesta o especialista.

A SBGG, no documento “Escolhas Sensatas na Assistência ao Paciente Idoso”, aponta que o controle rígido dos níveis glicêmicos em idosos frágeis pode trazer mais riscos do que benefícios, sobretudo quando há hipoglicemias graves ou recorrentes. Baseado nesta ponderação, recomenda-se não prescrever medicamentos com intuito de atingir alvos de hemoglobina glicada menor que 7,5% em idosos diabéticos com declínio funcional e/ou cognitivo ou em extremos etários.

Sobre o tema, o dr. Salles respondeu algumas questões do Ideac:

Como detectar a doença?

Na maioria das vezes, é assintomático. O paciente idoso, em geral, não apresenta os sintomas clássicos, mas, sim cansaço excessivo, fadiga muscular nas pernas, turvação visual e falta de animo. Ainda, pode manifestar piora ou surgimento de incontinência urinária.

Quais as principais causas?

O próprio envelhecimento, histórico familiar, aumento da circunferência abdominal, redução da massa muscular periférica (principalmente braço, coxa e perna), e alimentação rica em carboidratos e açúcar.

O que aconselha?

Reeducação alimentar, com consumo equilibrado de carboidratos, proteínas e verduras. O idoso, em geral, diminui o consumo de proteínas, o que leva à redução de massa muscular. Inclusive, é importante escolher apenas um carboidrato por refeição. Indica-se também a prática de atividade física, mesclando aeróbica com musculação.

O tratamento é para sempre?

O diabetes é uma doença crônica e um dos grandes problemas para o não controle é que a maioria dos pacientes para de usar o medicamento durante o tratamento. O medicamento deve ser usado por toda a vida, contribuindo para o controle e, logo, para a prevenção de complicações decorrentes da doença. Interromper o medicamento só com ordem médica.


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A fé pode ser uma forte aliada durante a luta contra o câncer. Esse é o tema do livro Espiritualidade e Oncologias – Conceitos e Prática, que propõe a abordagem da doença e das condições terminais em que o paciente se encontra, por meio da espiritualidade, da tríade humana (corpo, aparelho psíquico e espírito) e de uma visão mais profunda da dor.

Lançado pela Atheneu, a obra tem edição do oncologista clínico Felipe Moraes Toledo Pereira, médico assistente na Unidade de Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina, e dos editores associados, Diego de Araújo Toloi, médico assistente de cancerologia clínica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Antônio da Silva Andrade, psicólogo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Tiago Pugliese Branco, médico geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para falar sobre o tema, o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira deu uma entrevista exclusiva para as redes sociais do Ideac. Confira:

Não é comum médicos falarem de espiritualidade, como surgiu a ideia do livro?

Surgiu exatamente da necessidade de ter em português alguma literatura que pudesse ajudar colegas médicos, enfermeiros e outros membros de equipe com texto que os ajudasse de maneira didática a começar a refletir sobre inserção da espiritualidade no contexto do atendimento ao paciente.  O tema foi debatido no I Simpósio de Espiritualidade e Oncologia do Instituto do Câncer, e nós coordenamos um evento pioneiro com diversos palestrantes que depois colocaram por escrito essa experiência. Foram aulas brilhantes e conseguimos documentar. Todas essas reflexões fazem parte desse livro. Foram três anos de trabalho, mas estamos felizes com o retorno, com a receptividade dos profissionais de saúde e pacientes.

Qual é o objetivo maior do livro?

Esse livro se volta especificamente para um público que lida com pacientes mais graves da existência humana e do sofrimento. O livro vem tirar os grupos de estudos de espiritualidade da orfandade, veio suprir essa lacuna. Tenho visto nas palestras uma aceitação muito grande pelo tema

Como vê a questão da espiritualidade para os doentes?

A espiritualidade ela é um componente de todos os seres humanos, todos temos uma busca inata pelo sentido e propósito da vida, mas cada um vai buscar valores diferentes de transcendência. Quando essa busca se conecta com transcendência, falamos de espiritualidade. Essa busca pode ter ou não influencia religiosa. Quando o ser humano adoece, diante de uma doença grave, muitas vezes se questiona sobre a morte, sobre planos frustrados, sobre Deus, sobre a própria existência. Essas reflexões geram sofrimento espiritual. E cuidar desse sofrimento é tentar facilitar a assistência religiosa, facilitar essa conversa. Investir nesse tema geralmente traz bons resultados, menos ansiedade, menos depressão, menos sofrimento.

Como a fé pode ajudar? Ela está incluída nos cuidados paliativos?

O cuidado paliativo busca tratar com perfeição os sintomas do paciente de maneira a diminuir o sofrimento. Como esses profissionais sempre tiveram um olhar mais integrado, quem faz cuidado paliativo tem um viés mais amplo para ajudar, é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da espiritualidade. Muitos colegas dessa área ajudam. O geriatra, de maneira geral, reflete mais sobre o envelhecimento e volta o seu olhar para temas relacionados à existência.

Acha que esse olhar dos médicos para a espiritualidade está mudando?

Acredito que sim. No livro, tentamos apresentar uma série de evidências científicas dos casos que temos disponíveis. Mas há muitas citações de literatura e de autores que já trabalharam na área. Há um capítulo especial de pesquisa científica na área da espiritualidade. Por isso tenho certeza que esse olhar está mudando. Em novembro teremos o II Simpósio de Espiritualidade e Oncologia, dias 8 e 9, no Hospital do Câncer, que está aberto a todos os interessados. E o interesse vem aumentando, felizmente.


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A palavra é cada vez mais usada e geralmente utilizada como sinônimo de resistência quando o seu significado se refere a flexibilidade e capacidade para enfrentar mudanças, mas seu sentido vai mais além. A resiliência para a psicologia científica é comportamento e não um traço da personalidade, pode ser treinada e aprendida, como explica o psicólogo, professor, escritor e consultor João Marcos Varella, especialista no tema.  Ela é aplicada em Psicoterapia, desenvolvimento de lideranças e de grupos de trabalho, desenvolvimento comportamental em escolas, em coaching e no desenvolvimento de famílias.

João Marcos participou de um encontro com o Grupo de Reflexões do Ideac para falar sobre o tema. Segundo ele, tudo começou quando duas psicólogas da área de psicologia do desenvolvimento foram para o Havaí e passaram a acompanhar 700 crianças durante mais de 30 anos.

“As crianças viviam num grau de adversidade, a característica comum entre elas, filhos de pescadores ou cortadores de cana, com problemas de alimentação, ausência de acompanhamento, saúde, educação. Depois de 30 anos de observação sistemática, um grupo tinha superado as dificuldades, se adaptado à sociedade e à vida adulta, constituído família e era produtivo. Um grupo teve dificuldades, mas acabou se adaptando, e um terceiro grupo que teve muitas dificuldades se envolveu com drogas, doenças e vários outros problemas”.

Depois disso, a pesquisa foi publicada em livro que despertou o interesse dos cientistas para entender o resultado: o que determinava a qualidade do desenvolvimento do grupo bem adaptado? A primeira tentativa foi identificar se era um traço de personalidade, mas as pesquisas não confirmavam. As crianças inicialmente foram chamadas de invulneráveis e depois de resilientes, associadas a um comportamento de enfrentar desafios.

Durante mais de 20 anos foram muitos outros trabalhos, mas por volta do ano 2000 um autor desenvolveu um trabalho mostrando que resiliência era comportamento e não traço de personalidade. Assim, poderia ser mapeada, aprendida, e treinada. Os estudos se focaram na resiliência como comportamento. Na Universidade da Pensilvânia se desenvolveram os primeiros estudos sobre Resiliência, quando dois pesquisadores orientados por Martin Seligman criaram a primeira ferramenta para mapear a resiliência.

João Marcos explica que essa ferramenta já evoluiu, foi aperfeiçoada e tem sido aplicada em empresas, escolas. “Eles treinaram resiliência em mais de um milhão de soldados americanos e constataram a diminuição de suicídios, de síndrome pós-traumática, de divórcios e depressão comparados com outros que não passaram por esse treinamento”.

Em 2005, João Marcos conheceu o professor George Barbosa, que em 2006 defendeu a tese de doutorado sobre o tema e desde essa época vem trabalhando com ele com sobre aplicação de resiliência. George desenvolveu uma metodologia de mapeamento por processos estatísticos com indicadores com base no que foi desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e identificou oito comportamentos. Essa ferramenta já tem milhares de aplicações.

“Você age pelo conjunto dos 8 comportamentos. O interessante é que conhecendo e identificando em você seus comportamentos resilientes, pode ser mais fácil aprender e treinar para enfrentar os desafios”, comenta.

Conheça os comportamentos identificados

O mapeamento resulta numa localização pessoal com referência na curva de Gauss com o comportamento de equilíbrio resiliente na média e aponta desvios com relação a essa média. Numa direção o desvio aumenta a intolerância e a raiva; na outra, a passividade e a tristeza. Quanto maior o desvio, maior o risco de conflito e estresse.

  1. Análise de contexto ou pensamento crítico – Significa uma boa visão da realidade. Quando o desvio é para o lado da intolerância, a pessoa acredita que a realidade é aquela que ela imagina, tem uma visão inadequada do mundo, tem dificuldade em aceitar as evidências da realidade, entra em conflito e aumenta o estresse. Do outro lado ocorre a passividade, aceita mesmo em conflito ou sofrimento, vai se acomodando à diferença entre o desejo e a realidade. Com o desvio, a pessoa perde a qualidade do seu pensamento crítico e entra em conflito ou pela intolerância, ou pela passividade.
  2. Autoconfiança – É quando a pessoa estabelece metas, desafios, objetivos adequados à sua condição de alcançá-los. Quando tem um desvio da autoconfiança, podem ser estabelecidos metas e desvios fora do alcance de nossas possibilidades. No extremo tem o aventureiro, a pessoa que toma decisões para objetivo que não consegue alcançar. No outro extremo vem a passividade na autoconfiança, pessoa sem iniciativa, sem o comportamento protagonista.
  3. Autocontrole – Se manifesta na administração das emoções diante de conflitos e situações de tensão. São pessoas que têm que negociar, que têm que obter resultados através de outras pessoas. Quando a situação não está de acordo com as suas expectativas, elas sentem raiva ou, por outro lado, se submetem.
  4. Conquistar e manter pessoas – É a capacidade de criar vínculos, principalmente com pessoas desconhecidas. É uma característica do bom vendedor, por exemplo. Um desvio para a intolerância faz com que a pessoa tente insistir na sua forma de fazer, acontecer.
  5. Empatia – É a capacidade de entender o pensamento e o sentimento da outra pessoa. Quando isso falha, a pessoa assume que sabe o que o outro está pensando ou sentindo, e age de uma forma que vai entrar em conflito. Ou se deixa submeter à forma como a pessoa com quem se relaciona pensa e sente e entra em conflito. Quem tem uma boa empatia consegue ser um bom líder, um bom mediador, faz com que as pessoas se envolvam com os seus objetivos e compartilhem. O desenvolvimento da empatia facilita a vida das pessoas.
  6. Leitura corporal – É a capacidade para perceber como se sentir do ponto de vista físico. Uma pessoa na intolerância pode ser extremamente sensível (como o hipocondríaco, por exemplo) e na passividade pode trabalhar até a exaustão porque não se dá conta do esforço que está fazendo.
  7. Otimismo com a vida – O excesso de otimismo é quando eu acredito que tudo vai dar certo, mesmo quando não depende de mim. Exemplo: vou ganhar na loteria. No outro extremo vem o pessimismo, que ocorre quando eu tenho as condições para realizar, mas eu não acredito. O otimismo equilibrado traz a capacidade de ver que as coisas podem melhorar, mas na medida em que condições pessoais e as condições do contexto e do ambiente permitem acreditar nisso.
  8. Sentido da vida ou propósito – A passividade nesse comportamento é o famoso “deixa a vida me levar”, esperando o que vier, não tenho pelo que lutar. O excesso, a intolerância desse sentido da vida é o fanatismo, radicalismo.

Conclusão

Para o especialista, o ideal de Resiliência é conseguir o equilíbrio de todos esses comportamentos: “Quando as pessoas têm muitas posições nos extremos, elas têm um conflito e um estresse permanente. São pessoas com problemas de relacionamentos. O importante é saber que é possível treinar as pessoas para que elas diminuam o grau de conflito e tenham ganhos em direção à flexibilidade. Não há correlação entre esses comportamentos, não seguem uma regra e são independentes”.

João Marcos tem aplicado a técnica com famílias, organizando treinamentos dos familiares para criar identidade, intensificar os vínculos, aumentar a autoconfiança (empoderamento) e a comunicação (empatia na família). “Depois que conseguimos consolidar esses pontos, é possível que a família se una para compartilhar uma visão de futuro, planejar esse futuro, construir um conselho de família para preservar o patrimônio e dar segurança para as próximas gerações. Chamamos esse processo de Governança Familiar, tendo na primeira etapa uma fase comportamental e depois a fase operacional de planejamento”, conclui.

Para saber mais: http://sobrare.com.br


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O curso com a psicóloga Sonia Fuentes começa dia 1º de Outubro

Nosso cérebro precisa de exercício para funcionar bem e evitar a perda de neurônios que chega com a idade. Pequenos lapsos são normais, mas quando você aprende a turbinar seu cérebro consegue melhorar a memória, ter mais concentração, exercer a criatividade e ter mais facilidade de aprendizado.

Oficina de memória e criatividade é destinada a pessoas interessadas em desenvolver e exercitar sua memória e em aperfeiçoar estratégias de prevenção de problemas a ela relacionados. Além do conteúdo básico teórico para compreender o funcionamento dos mecanismos do cérebro, haverá práticas para o aprimoramento da memória. Quanto mais desafios e atividades de estímulo à memória nos impusermos, menores serão, ao longo da vida, os riscos de déficit. Segundo vários estudos, a rede sináptica é dinâmica e pode ser ampliada durante toda a vida. Usar o cérebro permite formar novas conexões com outros neurônios.

Como será 

Coordenação: Dra. Sonia Fuentes, Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Especialista em Geriatria e Gerontologia pela Escola Paulista de Medicina. Especialista em Medicina Psicossomática pela ABMP. Especialista em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Sonia é autora do “Tecendo o chamado de Atena e Aracne”, da Portal Edições.

Duração: 8 encontros

Outubro: dias 01, 08, 15, 22 e 29;

Novembro: dias 05, 12 e 26

Às segundas-feiras

Horário: das 18 às 20 horas

Local: Rua Pamplona, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

Limite de inscrições: até 15 participantes

Valor total: R$ 480,00 (3 x de R$ 160,00)

Para participantes do Ideac: R$ 432,00 (3x de R$ 144,00)

Inscrições e informações

Site:  http://www.ideac.com.br/

Blog: https://ideacblog.wordpress.com

https://www.facebook.com/ideacnovo/

Twitter :  @ideacnovo

Canal do Youtube: O novo da velhice

Istagram: @ideac7

Inscrições pelo e-mail cadastro@ideac.com.br ou pelos telefones (11) 3885-0091 e 99946-3554


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Recentemente o Jornal The New York Times publicou matéria sobre uma experiência interessante realizada na Holanda para pacientes com demência. O autor é Ilvy Njiokiktjien e o texto foi traduzido para nossas redes sociais pela psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac:

“Estamos perdidas”, disse Truus Ooms, 81, para sua amiga Annie Arendsen, 83, enquanto andavam juntas num ônibus urbano. “Sendo o motorista, você teria obrigação de saber onde é que estamos”, disse Ms. Arendsen para Rudi ten Brink, 63, que estava sentado no banco do motorista do ônibus.

Mas ela estava brincando.

Os três são pacientes demenciados em um estabelecimento ao leste da Holanda. O passeio de ônibus deles – uma rota pelas estradas planas e ladeadas de árvores da zona rural holandesa – era uma simulação que é projetada várias vezes por dia em três telas de vídeo.

É parte de uma abordagem não ortodoxa para tratamento de demência em que médicos e cuidadores holandeses têm sido pioneiros: aproveitamento do poder do relaxamento, de memórias de infância, auxílios sensoriais, música suave, estrutura familiar e outros instrumentos para curar, acalmar e estimular os residentes, em vez de confiar nas velhas receitas de repouso na cama, medicação e, em alguns casos, contenção física.

“Quanto mais se reduz o stress, melhor”, disse Dr. Erik Scherder, um neuropsicólogo da Vrije Universiteit Amstendam e um dos mais conhecidos especialistas em cuidados com demência.  “Se você baixar o stress e o desconforto, isso tem um efeito fisiológico direto”.

A simulação de passeios de ônibus ou em praias – como uma que existe num estabelecimento em Haarlem, não distante de uma praia real – criam um ponto de encontro para pacientes. A experiência compartilhada leva-os a falar sobre passeios anteriores e tirar um mini fim de semana em suas vidas diárias.

A demência, um grupo de síndromes relacionadas entre si, manifesta-se num declínio rápido das funções cerebrais. Rouba das famílias seus entes queridos e consome recursos, paciência e finanças.

Cerca de 270 000 holandeses – aproximadamente 8,4 por cento dos 3.2 milhões de habitantes com mais de 64 anos de idade – tem demência, e o governo prevê que esse número vai dobrar nos próximos 25 anos.

Em anos recentes, o governo tem preferido pagar “home care” do que manter um estabelecimento licenciado, de modo que a maioria das pessoas com demência vive em casa. Os estabelecimentos, que são administrados por particulares, mas contam com fundos públicos, são em geral reservados para pessoas em estado avançado da doença.

Nos anos 90, os holandeses começaram a pensar de modo diferente sobre como tratar a doença, afastando-se de uma abordagem medicamentosa. “Nos anos 80, os clientes eram tratados como pacientes em um hospital”, disse Ilse Achterberg, uma antes terapeuta ocupacional, que foi uma das pioneiras das salas “sensoriais” (“snoezel”), que combinam terapia por luz, aroma, massagem e som, e permitem que os pacientes relaxem e acessem emoções que são frequentemente bloqueadas em ambientes clínicos estressantes. Estas salas foram as precursoras de algumas das técnicas encontradas hoje em muitos estabelecimentos da Holanda.

Técnicas inovadoras

No lar Amstelring Leo Polak em Amsterdan, por exemplo, há a reprodução de um ponto de ônibus, onde Jan Post, um paciente de 98 anos de idade, muitas vezes se senta e beija sua esposa, Catahrina Post, quando ela o visita.

Mr. Post, que tem uma demência severa, só consegue criar 10 segundos de memória de curto prazo e tem medo de não encontrar o caminho de volta ao seu quarto quando sai dele.

“Setenta anos casados e ainda nos amamos”, disse Ms. Post, 92, que faz visitas várias vezes por semana. Recentemente, os Posts estavam bebendo e papeando no Bolle Jan, uma recriação de um restaurante real de Amsterdã, feita numa área de convivência do lar. Se os entornos eram falsos, o álcool era de verdade, e as piadas, frequentemente repetidas, provocavam gargalhadas verdadeiras. A cantoria, por vezes cambaleante, era entusiástica.

Enquanto cuidadores e acadêmicos acreditam que tais ambientes ajudam os pacientes demenciados a lidar melhor com a vida, é difícil chegar a uma evidência sólida de sua eficácia a longo termo, em parte porque essa condição é incurável.

Mas Katja Ebbbem, que trabalha com cuidados intensivos em Vitalis Peppelrode, um estabelecimento em Eindhovem, no sudeste do país, disse que ela notou que com as novas técnicas os pacientes precisavam de menos medicação e menos contenções físicas.

Willy Briggen, 89, que está em avançado estágio de demência, vive no estabelecimento de Eindhove. Como muitos demenciados, Ms Briggen algumas vezes fica impaciente, até mesmo descontrolada. Os surtos exigem um esforço da equipe da casa, que luta para lidar com sua frágil estrutura. Há uma década, teriam lhe prescritos drogas ou contenção para lidar com os rompantes.

Mas quando ela fica inquieta, a equipe liga um projetor no quarto dela, que produz imagens calmantes e sons suaves. Numa visita recente, Ms. Briggen foi de um estado emocional de óbvio desconforto para um de calma reflexiva, enquanto ela olhava para o teto de seu quarto particular, que estava enfeitado com a projeção de cenas da natureza, inclusive de patos.

Dos 210 residentes no estabelecimento Eindhovem, 90 têm demência e estão restritos a andares especiais para sua própria segurança. O prédio de tijolo aparente e vidros tem assoalhos de linóleo, tetos baixos e portas largas para permitir a passagem de camas sobre rodas. A despeito do estilo médico, sua decoração tem ecos de uma era passada, quando Ms Briggen teria sido uma menina.

Os andares exibem móveis antiquados, de madeira escura, e os cômodos são decorados com livros, telefones de discar e máquinas de escrever de 50 libras. As mesas da lanchonete são cobertas por toalhas de tecido e flores frescas. Eles não têm o odor de um hospital.

Ao repensar em como lidar com pacientes com demência, muitos centros focalizaram nos ambientes. Outra tática é reorganizar os residentes para criar agrupamentos de “família” de seis a dez pessoas.

Os residentes de muitos dos estabelecimentos holandeses têm seus próprios quartos, e são encorajados a considera-los seu território próprio. Com frequência há uma sala de uso comum e uma cozinha, onde residentes ajudam em tarefas como descascar batatas e lavar salada.

Na luta contra depressão e passividade, que são frequentemente sintomas da condição, os cuidadores também procuram estimular os residentes com atividades como dança.

Cuidados especiais

“É na verdade em relação a todas as pequenas coisas que compõem uma vida normal”, disse Pamela Grootjans, uma enfermeira de Sensire Den Ooman, o estabelecimento em Doetinchem que oferece o passeio de ônibus simulado.

Na moradia com cuidados especiais Christian Beth-San em Moerkapelle, próxima ao The Hague, Arie Pieter Hofman, 87, e Neeltje Hofman-Heij, 88, usam uma bicicleta simulada conectada a um  tambor posto em rotação quando pedalam para percorrer cenas de sua antiga vizinhança em Gouda, projetadas em uma tela plana.

A companhia que faz o passeio de bicicleta, Bike Labyrinth, vendeu o simulador a mais de 500 estabelecimentos na Holanda. O fabricante holandês dos projetores, Qwiek, diz que há unidades em 750 estabelecimentos holandeses.

“A ideia é desafiar um pouquinho o paciente, de um modo positivo,” diz Dr. Scherder, o neuro-psicólogo de Amsterdã. “Deixá-los numa cadeira, passivos, torna a progressão da doença muito mais rápida. “

Numa recente visita ao centro de cuidados Vreugdehof em Amsterdã, uma residente, Anna Leeman-Koning, 90, brincava com uma foca terapêutica robótica. Ela ajuda a trazer à tona velhas emoções, momentaneamente afastando a desorientação causada pela perda irreversível e progressiva das faculdades do paciente.

Mas a foca começou a sacudir demais sua cauda robótica, preocupando Ms Leeman-Koning. “Por favor se acalme, por favor se acalme,” ela disse. “O que posso fazer para acalmar você?”

Leia o artigo na íntegra em Inglês:

https://www.nytimes.com/2018/08/22/world/europe/dementia-care-treatment-symptoms-signs.html?utm_source=meio&utm_medium=email