IDEAC Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico


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“Todas as experiências que você tem, desde as mais triviais às mais marcantes, alteram o cérebro”

Joseph Ledoux

Está mais do que na hora de tirar seu cérebro da zona de conforto e buscar novas oportunidades para aproveitar todo seu potencial. A partir do dia 12 de março você convidado para participar das Oficinas de Memória & Criatividade (nos módulos I e II), com a coordenação da psicóloga e especialista Sonia Fuentes.

Segundo a psicóloga, pequenos lapsos são normais, mas quando você aprende a turbinar seu cérebro consegue melhorar a memória, ter mais concentração, exercer a criatividade e ter mais facilidade de aprendizado: “Quanto mais desafios e atividades de estímulo à memória nos impusermos, menores serão, ao longo da vida, os riscos de deficit. Segundo vários estudos, a rede sináptica é dinâmica e pode ser ampliada durante toda a vida. Usar o cérebro permite formar novas conexões com outros neurônios”.

Pesquisas recentes apontam que, durante a meia idade, há inúmeros benefícios em trabalhos com exercícios cognitivos e de criatividade para o aperfeiçoamento da memória. Em suas oficinas, ela atua com recursos da neurociência e de uma dinâmica prazerosos para evitar perdas neuronais, levando o participante a maximizar a atenção e a utilizar todo o seu potencial de memória e de criatividade. “Além disso, a convivência entre os participantes das Oficinas cria laços e promove uma melhor qualidade de vida, desenvolvendo a atenção e a concentração”, explica.

A metodologia compreende exercícios semanais de cinesiologia, técnicas de neuróbica, escrita autobiográfica, discussão de pequenos vídeos e textos teóricos, além de experiências criativas.

Oficinas de Memória e Criatividade

Módulo I – para iniciantes – às terças feiras das 15:00 às 17:00hs

Módulo II – para quem cursou o Módulo I – às terças feiras das 18:30 às 20:30hs

Início em 12 de Março/2019, com duração de dois meses (oito encontros) nas seguintes datas:

Março: dias 12, 19, e 26;

Abril: dias 02, 09 e 30;

Maio: dias 07 e 14

 

Coordenação: Dra. Sonia Fuentes

Pós Doutora em Gerontologia Social, Doutora em Psicologia Clínica, Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Especialista em Geriatria e Gerontologia pela Escola Paulista de Medicina. Especialista em Medicina Psicossomática pela ABMP. Especialista em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae.

Local: Rua Pamplona, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

Limite de inscrições: até 10 participantes

Valor total: R$ 432,00 para veteranos (à vista ou em até três parcelas) / R$ 480,00 – para novos (à vista ou em até três parcelas)

Inscrições: através do email contato@ideac.com.br ou tel. (11) 99946-3554.

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Uma boneca ou uma bicicleta recebida em um Natal distante podem ser lembradas com carinho muitos anos depois. São memórias de infância tão carregadas de afetos que permanecem mais vivas do que as memórias do último Natal. Essa foi uma das conclusões da Enquete sobre Presentes de Natal marcantes realizada pelo Ideac com 146 pessoas, sendo 17 homens, entre 60 e 83 anos e 129 mulheres, entre 60 e 89 anos.

A psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac, autora do livro “Velhice, uma nova paisagem”, e idealizadora da enquete, fala sobre o objetivo da pesquisa: “O propósito inicial da enquete era aumentar o conhecimento sobre pessoas com mais de 60 anos.

Quando se recebe um presente, há embutido nele um valor material, mas há também um valor simbólico. Um presente é a expressão de um sentimento, bem como do conceito que o presenteador faz a respeito do presenteado. Um presente pode ser caro, mas ser afetivamente indiferente para o presentado, ou até mesmo ofensivo.”.

Um presente, pode também representar indiferença, cumprimento formal de uma obrigação, desconhecimento do presenteado, ou então a expressão de um afeto atencioso, derivado de uma atenção personalizada, admiração ou gratidão.

Entre as descobertas, algumas novidades e outras não tanto:  mulheres respondem mais às perguntas do que homens; velhos compõem um grupo com características bastante heterogêneas, o que foi comprovado pela dispersão dos conteúdos das respostas;

 o presente que mais agrada velhos próximo dos 60 anos pode ser bastante diferente do que agrada velhos próximo dos 80 – ou seja, há nuances depois dos 60 anos; o uso da internet decresce de acordo com o decréscimo da idade cronológica.

Surpresas

Muitos respondentes mencionaram presentes recebidos na infância ou adolescência, embora isso não fosse pedido explicitamente. O formulário remetia a presentes de Natal, dada a proximidade com a época da enquete; não contamos com o fato de que Natal é uma comemoração muito associada a família e a infância, que por sua vez despertam sentimentos; essa associação deve ter provocado um viés nas respostas, levando nossos sujeitos a focar nem tanto nos presentes recebidos no Natal passado recente, mas mais nas memórias emotivas despertadas pela ideia do Natal.

Muito mais para as mulheres do que para os homens, foram indicados como presentes de Natal significativos situações carregadas de afetividade – principalmente envolvendo familiares – em vez de objetos.

 


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Durante o curso da professora Sonia Fuentes sobre Memória e Criatividade, realizado no Ideac, a aluna Francine Forte fez um texto bem sensível no exercício Memória Autobiográfica:

Uma refeição mais que especial

Nossa família, como uma culinária repleta de sabores, é embalada pela música e convidada pelo aroma, num abraço constante do paladar com costumes gastronômicos especiais. Eis a imagem de uma refeição: um ritual que reservado aos encontros, os pratos se enfileiram pelo aroma, produtos, preparos e muito alegria.

Assim se traduz uma refeição típica italiana, além de hábitos que ao longo dos anos e fases de vida vamos adotando; ora simplificando, ora nos aprimorando, mas nunca deixando de ser especial. Esses sabores aprendidos com a família, nós passamos a celebrar com todos que nos rodeiam. Poderia dizer até que são pitadas de encontros gostosos onde se misturam as vozes, a música, ingredientes bastantes necessários e de muito amor.

Pude conviver com avós italianos que, em torno da boa mesa, nos trouxeram a tradição de pratos específicos de sua região. Ressalto que a tradição de passar a culinária e alguns pratos para os filhos e netos, sucessivamente, faz com que todos, em seu momento, possam usufruir desta magia que é o “viver em outras épocas ao sabor da atualidade”.

Quando penso em uma refeição mais que especial, transporto-me ao Natal. E como gosto desta data! Passamos durante muitas décadas a véspera de Natal com a família de minha mãe e o dia de Natal com a família paterna. Era assim que, naquele tempo, as famílias numerosas se dividiam, um dia com cada “lado”.

Na véspera, não se comia carne, pelo menos até meia noite, tradição da família católica; minha avó, e depois com ajuda de minha mãe, preparava um “spaghetti com aliche” como prato principal, mas antes eram servidas as saladas, 13 tipos que significam os 12 apóstolos e Jesus.  As saladas eram basicamente elaboradas com itens como palmito, lula, champignon, tomate… e assim distribuídas na mesa para todos provarem.

O interessante deste ritual era determinar quais saladas comporiam nossa ceia. E nós, crianças na época, ficávamos escolhendo os itens que mais nos apeteciam. Pois tínhamos que provar de todas, o mínimo que fosse. E contávamos nos dedos as que faltavam para completar a ceia.

A reunião da família, contando avos, pais, tios e primos, era uma festa, e com este ritual não é que as crianças não reclamavam de comer? Acho que esses italianos sabiam das coisas. Depois vinha o prato principal, os doces, as brincadeiras e a expectativa do amanhã, quando Papai Noel chegaria. Enquanto escrevo, parece que ouço minha mãe perguntando: já formamos as 13 saladas? E salivo ao pensar naquele spaguetti com aliche…

No dia seguinte, o almoço era com a família paterna. E lá desfilavam as entradas (antepastos), as carnes, a sobremesa.

Já chegávamos para o almoço com o sorriso mais que aberto; Papai Noel já havia distribuído os presentes e íamos munidos com parte deles para mostrar e brincar com os primos. Chegava a hora principal para as crianças, os famosos doces italianos e entre eles, o grande astro da festa: “Struffoli”, um doce típico do menu de Natal, bolinhas feitas à base de massa, aromatizadas com licor, fritas, dispostas em mel , confeitadas e servidas a todos.

Este doce, que passa de geração em geração, foi transmitido pela minha avó paterna (em segredo, pois sempre tinha o “pulo do gato” na receita) à minha mãe, que faz com todo o carinho todos os anos e que já ficou conhecida como a “tia” dos “struffoli napoletani”. Minha mãe, além de nos alegrar com esta delicia nessa data, prepara com muito carinho potes e mais potes e distribui para a família. Eles já ficam esperando por isso. Meus amigos também conhecem a tradição e buscam, na casa da “Tia Therezinha”, o seu potinho na época natalina.

Fazer o “struffoli” gera uma grande energia: preparar e descansar essa massa por algum tempo, colocar as essências principais, fritar todas essas bolinhas (e olha que são milhares), preparar os potes, embebedar de mel e enfeitar com bolinhas coloridas. Parece que é só, mas como falei, tem algo especial nesta receita.

Passados bons anos, já adultos, continuamos com a tradição. Na minha casa não podem faltar as 13 saladas e, de repente, me vejo brincando com a família, como se fosse criança e escolhendo os produtos que vamos utilizar,  como servir ou decorar a mesa e “ai” se alguém não provar todas. Outros pratos se seguem, mas o antepasto e as saladas são as estrelas da véspera.

Mamãe me passou a receita que era da “nona” e que vinha da “nona” de minha “nona”. Perdi a conta….de  como fazer os “struffoli”. Dá trabalho, mas a alegria de seguir a tradição e ver outras pessoas provando desta iguaria, compensa. E quando vai chegando dezembro, não faltam na minha lista os ingredientes necessários.

E não é que o Natal está chegando…

E só por curiosidade, pesquisei algumas músicas brasileiras que falam sobre comida; tentem não ficar com fome depois disso, mas vale a pena lembrar que nossos cantores/compositores se inspiraram na culinária e fizeram sucesso; por que será?! Lembram-se de alguma comida que não entrou nessa seleção? Seguem os nomes:

. Gilberto Gil – Sítio do pica-pau amarelo

. Marisa Monte – Não é proibido

. Sandy & Junior – Eu quero é mais

. Tim Maia – Chocolate

. Xuxa – Pipoca

. Gengis Khan – Comer, comer

. Chiquititas – O chefe Chico

. Silvio Brito – Farofa

. João Bosco – Linha de passe

. Ney Matogrosso – Yes, nós temos bananas (Braguinha)

. Zeca Pagodinho – Caviar

. Carlinhos Vergueiro – Torresmo à milanesa

. Chico Buarque – Feijoada completa

. Xuxa – Quem quer pão?

 . Zeca Pagodinho – Aquilo que era mulher

Bom apetite”
FF/nr5/nov2018


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Maria Thereza Bortolo fez o curso de Memória e Criatividade com a psicóloga Sonia Fuentes, no Ideac, e uma das tarefas foi fazer um teto sobre um objeto marcante ligado à memória afetiva. Vejam que texto emocionante:

“Era uma mulher brava, baixinha, gordinha e tinha um pouco de barba e bigode. Era uma mulher seca, não parecia ter desejos, Antonia era o seu nome, todos a temiam. Ela era a bedel naquela escola pública em que eu estudava. Eu ia começar cursar o ginásio, tinha 12 anos.

O seu trabalho com as alunas, era medir a altura da saia do uniforme e verificar se cobria ou não o joelho. Tinha que cobrir. Tínhamos também que mostrar as costas sobre a blusa para que verificassem se usávamos combinação, o sutiã não podia aparecer. O esmalte, mesmo transparente, não era permitido e era obrigatório removê-lo. Assim que passávamos da área do seu olhar, enrolávamos a saia na cintura para que ficasse mais curta.

As moças deveriam ser bens comportadas e se casarem virgens. Ninguém falava nada conosco sobre sexualidade. Aprendíamos com as amigas esses segredos.

Um dia aconteceu algo muito diferente nas nossas vidas naquela cidade em que tudo era pecado, e que o único teatro era a igreja: coroávamos Nossa Senhora, éramos anjo nas procissões…

Não me esqueço daquele dia. Recebemos das mãos da dona Antonia, só para as meninas do primeiro ano ginasial, um pequeno livro com o título ‘’Ser quase mulher e ser feliz”. Ela entregou mecanicamente e dizia que era nosso e que era para lermos em casa.

Mal pude acreditar quando abri o livro e lá estava tudo sobre ‘’aqueles dias’’. O que podíamos e não deveríamos fazer. Nós éramos meninas-moças, com vergonha de ficarmos ‘’incomodadas’’, esse era o termo usado para menstruação.

Tanto o texto como a ilustração, mostravam delicadeza, informações, cuidados, moças bonitas e felizes praticando várias atividades “naqueles dias”.

Como uma mulher como a dona Antonia podia ter participado desse momento de transição tão misterioso e desejado pelas meninas? Guardo até hoje o livrinho como uma obra de arte, como um tesouro e um profundo agradecimento e amor por ela.


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De repente você esquece onde colocou as chaves, o número do telefone do filho, o nome daquele ator tão admirado. Calma, segundo o geriatra Alberto de Macedo Soares, nem sempre esses pequenos lapsos de memória podem significar início de um processo de demência ou a temida doença de Alzheimer. Segundo ele, é normal pequenos esquecimentos, desde que não se repitam com muita frequência, e que um diagnóstico depende de uma investigação correta: “As vezes, o esquecimento está ligado a uma alteração na tiroide ou uma carência de vitamina B12”, ele diz.

A Doença de Alzheimer é uma patologia que costuma ocorrer em pessoas idosas, com mais de 60 anos. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), no Brasil, já são mais de um 1,6 milhão de pessoas acometidas por este mal. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê o aumento nos casos até 2050, chegando a 135,5 milhões.

Por ser degenerativa, a dificuldade de diagnóstico contribui para o preconceito e a falta de aceitação social. Entre os sintomas, a perda de memória recente dificulta a vida cotidiana, seja na realização de tarefas ou em se localizar no tempo e espaço. É ainda comum associar com problemas com a fala e escrita e com mudanças bruscas de humor. Demência é um termo inclusivo que abrange muitas condições e várias doenças – incluindo a doença de Alzheimer, é uma perda cognitiva em qualquer momento da vida.

As síndromes demenciais se classificam entre as tratáveis, que podem inclusive ser revertidas, e a demências irreversíveis, como é o caso do Alzheimer. Até mesmo a perda da audição, se não cuidada, pode levar ao estado de demência, pois à medida que não escutamos também não interagimos e nos isolamos.

Siga os conselhos do geriatra para garantir uma boa qualidade de vida:

  1. Manter atividade física, o que é benéfico inclusive para pessoas portadoras de Alzheimer. O exercício físico pode brecar o desenvolvimento do quadro e trazer melhoras para o paciente;
  2.  Manter relacionamentos sociais, buscar amigos, participar de palestras, começar um curso de idiomas, dançar, ouvir música e procurar novas atividades para ampliar nossas sinapses. O isolamento favorece os estados de demência;
  3. Tenha muito cuidado com os remédios em excesso, especialmente relaxantes, calmantes, ansiolíticos. A assimilação pelo idoso tem longa duração. Ou seja, no corpo de um jovem, um relaxante ou calmante  pode ser liberado em poucas horas; no idoso, pode levar até 72 horas. Assim, quem toma esses medicamentos diariamente passa por um efeito cumulativo e o risco é grande, pois os músculos estarão permanentemente relaxados e, consequentemente, não sustentarão os ossos. Aí podem ocorrer as quedas com a temida fratura de fêmur;
  4. Não se descuide das emoções. Seja com terapia, conversas ou desabafos ao longo da vida, tente se livrar do estresse, um dos grandes fatores que nos levam ao adoecer;
  5. Por último, beba água, muita água sempre. O ideal é beber dois litros por dia. Quando a pessoa envelhece costuma não ter sede e a desidratação se instala rápido.


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Pesquisa recente mostra que o tratamento inadequado do diabetes afeta 18% dos idosos nos EUA, e o quadro é semelhante no Brasil. A Doença atinge uma em cada quatro pessoas com mais de 65 anos e incidência é maior nas com baixa escolaridade. O estudo foi publicado no Journal of General Internal Medicine. A pesquisa foi feita com base nos dados de 78 mil pacientes com mais de 65 anos em dez estados dos EUA – as informações são do Medicare, programa de assistência médica do governo federal americano.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. João Eduardo Nunes Salles, afirma que um terço dos idosos apresenta algum tipo de alterações no metabolismo da glicose. “É fundamental atentar-se às particularidades no tratamento do diabetes, não apenas medicamentoso, mas comportamental e nutricional. Além do avanço do sedentarismo e da obesidade, o envelhecimento populacional também tem grande impacto no aumento dos casos de diabetes”, avalia.

No Brasil, segundo levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, o diagnóstico da doença aumentou 54% na população masculina entre 2006 e 2017, atingindo 7,1% dos homens adultos. Contudo as mulheres ainda são as principais vítimas da doença, com 8,1% no último ano. A SBD estima que 16 milhões de brasileiros foram diagnosticados com a doença.

Salles alerta também para a importância do controle da doença, sobretudo para diminuir o risco de cardiopatias – segundo a International Diabetes Federation, pessoas com mais de 60 anos e portadoras de diabetes tipo 2 têm um risco de três a quatro vezes maior de morrer por doenças cardiovasculares. “Há alternativas terapêuticas capazes de controlar o diabetes e suas complicações. Conhecimento e acesso a tratamentos adequados são fundamentais para preservar a doença no idoso, aumentando sua expectativa e qualidade de vida”, atesta o especialista.

A SBGG, no documento “Escolhas Sensatas na Assistência ao Paciente Idoso”, aponta que o controle rígido dos níveis glicêmicos em idosos frágeis pode trazer mais riscos do que benefícios, sobretudo quando há hipoglicemias graves ou recorrentes. Baseado nesta ponderação, recomenda-se não prescrever medicamentos com intuito de atingir alvos de hemoglobina glicada menor que 7,5% em idosos diabéticos com declínio funcional e/ou cognitivo ou em extremos etários.

Sobre o tema, o dr. Salles respondeu algumas questões do Ideac:

Como detectar a doença?

Na maioria das vezes, é assintomático. O paciente idoso, em geral, não apresenta os sintomas clássicos, mas, sim cansaço excessivo, fadiga muscular nas pernas, turvação visual e falta de animo. Ainda, pode manifestar piora ou surgimento de incontinência urinária.

Quais as principais causas?

O próprio envelhecimento, histórico familiar, aumento da circunferência abdominal, redução da massa muscular periférica (principalmente braço, coxa e perna), e alimentação rica em carboidratos e açúcar.

O que aconselha?

Reeducação alimentar, com consumo equilibrado de carboidratos, proteínas e verduras. O idoso, em geral, diminui o consumo de proteínas, o que leva à redução de massa muscular. Inclusive, é importante escolher apenas um carboidrato por refeição. Indica-se também a prática de atividade física, mesclando aeróbica com musculação.

O tratamento é para sempre?

O diabetes é uma doença crônica e um dos grandes problemas para o não controle é que a maioria dos pacientes para de usar o medicamento durante o tratamento. O medicamento deve ser usado por toda a vida, contribuindo para o controle e, logo, para a prevenção de complicações decorrentes da doença. Interromper o medicamento só com ordem médica.


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A fé pode ser uma forte aliada durante a luta contra o câncer. Esse é o tema do livro Espiritualidade e Oncologias – Conceitos e Prática, que propõe a abordagem da doença e das condições terminais em que o paciente se encontra, por meio da espiritualidade, da tríade humana (corpo, aparelho psíquico e espírito) e de uma visão mais profunda da dor.

Lançado pela Atheneu, a obra tem edição do oncologista clínico Felipe Moraes Toledo Pereira, médico assistente na Unidade de Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina, e dos editores associados, Diego de Araújo Toloi, médico assistente de cancerologia clínica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Antônio da Silva Andrade, psicólogo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Tiago Pugliese Branco, médico geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para falar sobre o tema, o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira deu uma entrevista exclusiva para as redes sociais do Ideac. Confira:

Não é comum médicos falarem de espiritualidade, como surgiu a ideia do livro?

Surgiu exatamente da necessidade de ter em português alguma literatura que pudesse ajudar colegas médicos, enfermeiros e outros membros de equipe com texto que os ajudasse de maneira didática a começar a refletir sobre inserção da espiritualidade no contexto do atendimento ao paciente.  O tema foi debatido no I Simpósio de Espiritualidade e Oncologia do Instituto do Câncer, e nós coordenamos um evento pioneiro com diversos palestrantes que depois colocaram por escrito essa experiência. Foram aulas brilhantes e conseguimos documentar. Todas essas reflexões fazem parte desse livro. Foram três anos de trabalho, mas estamos felizes com o retorno, com a receptividade dos profissionais de saúde e pacientes.

Qual é o objetivo maior do livro?

Esse livro se volta especificamente para um público que lida com pacientes mais graves da existência humana e do sofrimento. O livro vem tirar os grupos de estudos de espiritualidade da orfandade, veio suprir essa lacuna. Tenho visto nas palestras uma aceitação muito grande pelo tema

Como vê a questão da espiritualidade para os doentes?

A espiritualidade ela é um componente de todos os seres humanos, todos temos uma busca inata pelo sentido e propósito da vida, mas cada um vai buscar valores diferentes de transcendência. Quando essa busca se conecta com transcendência, falamos de espiritualidade. Essa busca pode ter ou não influencia religiosa. Quando o ser humano adoece, diante de uma doença grave, muitas vezes se questiona sobre a morte, sobre planos frustrados, sobre Deus, sobre a própria existência. Essas reflexões geram sofrimento espiritual. E cuidar desse sofrimento é tentar facilitar a assistência religiosa, facilitar essa conversa. Investir nesse tema geralmente traz bons resultados, menos ansiedade, menos depressão, menos sofrimento.

Como a fé pode ajudar? Ela está incluída nos cuidados paliativos?

O cuidado paliativo busca tratar com perfeição os sintomas do paciente de maneira a diminuir o sofrimento. Como esses profissionais sempre tiveram um olhar mais integrado, quem faz cuidado paliativo tem um viés mais amplo para ajudar, é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da espiritualidade. Muitos colegas dessa área ajudam. O geriatra, de maneira geral, reflete mais sobre o envelhecimento e volta o seu olhar para temas relacionados à existência.

Acha que esse olhar dos médicos para a espiritualidade está mudando?

Acredito que sim. No livro, tentamos apresentar uma série de evidências científicas dos casos que temos disponíveis. Mas há muitas citações de literatura e de autores que já trabalharam na área. Há um capítulo especial de pesquisa científica na área da espiritualidade. Por isso tenho certeza que esse olhar está mudando. Em novembro teremos o II Simpósio de Espiritualidade e Oncologia, dias 8 e 9, no Hospital do Câncer, que está aberto a todos os interessados. E o interesse vem aumentando, felizmente.